quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Saeb 2025: Brasil recupera nível pré-pandemia, mas ainda tem gargalos


Matemática no ensino médio preocupa

Os resultados nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), em Brasília, mostram que, apesar da consistente melhora dos indicadores de proficiência da língua portuguesa e matemática em todas as etapas de ensino, a aprendizagem ainda é o principal desafio do Brasil.

O MEC apontou que, nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a nota padronizada (média de desempenho dos estudantes) do Saeb 2025 aumentou de 5,9 para 6,2 entre 2023 e 2025, o que representa o avanço mais expressivo entre as três etapas de ensino avaliadas.

Quando analisado o desempenho dos estudantes brasileiros dos anos iniciais do ensino fundamental das escolas públicas, a proficiência média superou os patamares pré-pandêmicos (2019) em língua portuguesa e matemática e atingiu o nível adequado de aprendizagem.

Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota padronizada subiu de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025, o que retrata que a média permanece no nível básico nas duas disciplinas.

A nota padronizada do ensino médio, no último biênio, também cresceu 0,1 e superou o resultado de 2019, de 4,4. Porém, aqui, o resultado de matemática ainda está no nível abaixo do básico.

A coordenadora de Políticas Educacionais da organização da sociedade civil Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, explica que, nesta última etapa do ensino básico, muitos alunos chegam com defasagens acumuladas nas etapas anteriores.  "Por isso, é urgente priorizar a aprendizagem, desde o início do ensino fundamental."

Resultados por etapa de ensino

Em uma escala que vai de 0 a 500, o SAEB 2025 revela que, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025.

Em matemática, de 218,3 para 227,4. A rede pública cresceu 3,7 pontos entre 2023 e 2025.

No caso do 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6. Em matemática, de 249,9 para 255,3.

Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.

Considerando toda a rede estadual, que inclui o ensino médio tradicional e o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, em língua portuguesa, o desempenho dos estudantes que cursavam o 3º ano passou de 271,7 para 275,8; e em matemática, de 267,3 para 271,4 no mesmo período.

Se dividido em etapas da educação básica, o que preocupa os educadores não é a aprendizagem dos estudantes nos anos iniciais (1º ao 5º ano) do ensino fundamental, sobretudo, de escolas públicas, que tiveram médias nas duas disciplinas acima dos níveis pré-pandêmicos (2019). A preocupação está no avanço lento dos resultados dos anos finais (6 ao 5º ano) do ensino fundamental e no ensino médio, onde observou-se que os níveis médios de aprendizagem de língua portuguesa e em matemática, basicamente voltaram ao que eram em 2019. E o maior gargalo observado é o aprendizado da matemática no ensino médio, que ainda não voltou aos níveis anteriores à crise do coronavírus, em 2020.

Natália, do Todos pela Educação, considera que os resultados do Saeb de 2025 mostram uma recuperação importante na aprendizagem, mas ainda é pouco: "Essa melhora foi insuficiente para mudar o nível de aprendizagem da etapa como um todo".  Para ela, o desafio é colocar a aprendizagem no centro das políticas públicas "para conseguir acelerar o avanço, especialmente, nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, onde os resultados são um pouco mais desafiadores."

Desafios para destravar a matemática

Especialistas em educação avaliam que é necessário que o Brasil aumente o ritmo de avanços, sobretudo na matemática, para reverter este quadro.

O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, afirma que os resultados de matemática mostram que o enfrentamento dos desafios demanda esforços coordenados e sustentados. “Avançar nessa área exige prioridade na agenda educacional, continuidade e uma estratégia consistente de implementação das políticas públicas já anunciadas, como o Compromisso Nacional Toda Matemática [do Ministério da Educação].” 

Adicionalmente, Natalia Fragonesi exemplifica outras políticas públicas para priorizar a aprendizagem desde o início do ensino fundamental.

"É preciso garantir formação e apoio aos professores, acompanhamento pedagógico das escolas, estratégias de recuperação das aprendizagens, de recomposição das aprendizagens para os estudantes que não estão conseguindo desenvolver as habilidades no tempo esperado", lista a coordenadora do Todos Pela Educação.

O ministro da Educação explicou que este não é um desafio apenas do Brasil e que vários países de economias avançadas têm tido uma queda vertiginosa na proficiência em matemática.  O titular do MEC frisa que o Brasil está atento à questão com a formação inicial e continuada de professores. Leonardo Barchini relembrou, ainda, que a Prova Nacional Docente (PND) 2025 mostrou que o país tem professores proficientes na área de matemática e em número suficiente para atuar nas redes de ensino.

“Precisamos que as redes utilizem a Prova Nacional Docente para que esses bons professores, que foram muito bem na avaliação educacional, de fato, cheguem às redes. E melhorar a formação continuada dos professores é uma obsessão do Ministério da Educação para que possamos elevar a proficiência em matemática.”

Natália Fregonesi defende que é preciso ir além de contratar bons professores, por meio da PND, como mencionado pelo ministro. "Sozinho, isso não vai resolver o problema. Os melhores resultados estão ligados a uma combinação de liderança técnica, priorização política, com investimento em políticas públicas que são estruturantes e que realmente podem mudar a educação". 

A secretária Nacional de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC), Kátia Schweickardt, disse, durante a divulgação dos dados do SAEB 2025, na última quarta-feira (5), que a melhoria da aprendizagem é resultado de uma agenda sistêmica, consistente, bem implementada.

Retomada pré-pandemia

Na média, o país recuperou em 2025 os níveis observados em 2019, antes da pandemia de covid-2019. O ministro Barchini citou que os relatórios de organismos internacionais projetavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia e que o país superou as expectativas.

“Os resultados do Ideb mostram que o país conseguiu em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar àquela situação pré-pandemia. Então, a recuperação do Brasil, ao contrário de muitos países do mundo, foi mais rápida, o que mostra a resiliência da rede da educação pública brasileira na educação básica”, salientou o ministro.

O Todos Pela Educação — que atua pela melhoria da educação básica no Brasil —aponta que, apesar dos esforços realizados, entre 2023 e 2025, pelas redes de ensino federal, estaduais e municipais para recompor as aprendizagens, a recuperação geral ocorreu em patamares anteriores aos níveis de 2019, mas ainda muito baixos.

"O ponto de partida no momento pré-pandemia já era baixo. Então, o ritmo de melhoria precisa ser mais intenso, porque além de recuperar essas aprendizagens perdidas, recuperar o patamar pré-pandêmico, é importante superar de forma intensa os patamares que foram observados", disse.

Aprendizagens no ensino médio

A especialista Natália Fregonesi propõe a aproximação das escolas de ensino médio do cotidiano do estudante e, prioritariamente, investir na melhoria das etapas anteriores para que eles cheguem à fase final da educação básica mais preparados e motivados. Segundo ela, a desmotivação no ensino médio decorre da combinação de defasagens de aprendizagem acumuladas com uma escola desconectada da realidade e dos projetos de futuro dos jovens.

"Muitas vezes, a escola acaba não respondendo aos anseios do jovem, às suas necessidades, fazendo com que tenham alguma dificuldade de conseguir enxergar como que essa etapa e a escola podem contribuir para seu futuro", contatou Natália Fregonesi, do Todos Pela Educação.

Saeb

O resultado completo do SAEB 2025 pode ser conferido na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Na edição de 2025, foram avaliados 5,9 milhões de alunos, distribuídos por 73,7 mil escolas, de 247,7 mil turmas em todo o território nacional.

Criado em 1990, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, é um conjunto de avaliações externas em larga escala, compostas por testes e questionários. Os resultados apresentam informações sobre o desempenho dos estudantes e sobre fatores contextuais relacionados ao processo educacional. As provas do Saeb são aplicadas a cada dois anos. 

As médias de desempenho obtidas no Saeb, em conjunto com os dados de fluxo escolar do Censo Escolar, compõem o Ideb. Os resultados também permitem o acompanhamento de indicadores educacionais por escolas, redes de ensino e unidades da federação ao longo das diferentes edições da avaliação.

Fonte: Agência Brasil em 07/08/2026.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Celular vira ferramenta pedagógica em escolas, mas infraestrutura tecnológica e conexão de internet são desafios


Quase dois anos após a proibição do uso de celulares nas escolas do país, 4 em cada 10 instituições permitem que o aluno leve o aparelho pessoal para as dependências escolares. O desafio para essas escolas é definir critérios para alocação dos celulares durante as atividades letivas.

Entre as escolas que garantem a permanência do aparelho nas dependências, 66% permitem o uso dos celulares pessoais para fins pedagógicos. A alternativa é ainda mais comum em escolas do Norte e do Nordeste, de áreas rurais e de pequeno porte (até 150 alunos).

O cenário já havia sido abordado em junho em uma pesquisa do Ministério da Educação, mas foi detalhado no TIC Educação 2025, divulgado na terça-feira (4/8).

O TIC Educação é realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Nesta edição, foram ouvidos por telefone 2.404 gestores de escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais.

Enquanto 51% das escolas proíbem o aluno de levar um aparelho pessoal, 24% das instituições orientam que o celular fique guardado em bolsos ou mochilas. Apenas 16% disponibilizam locais para o armazenamento do aparelho durante as aulas.

Uma em cada 10 escolas (9%) não sabem como aplicar a medida, ou não respondeu.

Os cenários variam de acordo com a dependência administrativa, o nível de ensino ofertado e também da área onde está localizada a escola. Escolas municipais, de anos iniciais do ensino fundamental e em áreas urbanas tendem a ser mais rígidas, não permitindo que o aluno leve o aparelho.

Em contrapartida, escolas estaduais e de ensino médio têm maior dificuldade para restringir o celular, além de serem as que mais permitem que o aparelho permaneça com o aluno, mesmo que com orientação de que ele seja guardado durante as aulas.

Conexão e recursos tecnológicos

Outro aspecto avaliado pelo levantamento é a infraestrutura tecnológica e a conexão das escolas brasileiras para a realização de atividades educacionais, o que revelou mais disparidades entre as redes.

71% das escolas brasileiras têm equipamentos e materiais audiovisuais, como recursos de áudio e vídeo para uso educacional (o câmeras digitais, microfones ou outros recursos de vídeo e áudio); 23% das escolas têm equipamentos e materiais para aulas de robótica;

22% têm equipamentos e materiais como ferramentas, kits de marcenaria, eletrônica ou costura, impressora 3D, cortadoras ou outros recursos para atividades maker.

69,5% das escolas da rede pública têm internet nas salas de aula; a conexão está disponível em 55% das escolas privadas.

O documento também traz a evolução da conexão de internet para uso dos alunos em salas de aula, em salas de recursos de robótica ou em pátios e áreas de recreação.

A rede privada lidera nos recursos de robótica, mas ainda não é algo significativo: 27% das escolas particulares contam com esse elemento educacional, contra 14% na rede estadual e 6% da municipal.

Já a disponibilidade de conexão em pátios e outros ambientes de recreação escolar está em queda em todas as redes, estando em apenas 40,5% das escolas públicas e 29% das escolas privadas.

Outros destaques

Telas e saúde mental: 8 em cada 10 escolas (80%) abordam o impacto do uso de tecnologias no bem-estar dos estudantes em reuniões com pais e professores. O tema cresceu 18 pontos percentuais em apenas um ano (era 62% em 2024).

Inteligência Artificial: é realidade entre os gestores, mas falta diretriz: Dados inéditos mostram que 53% dos gestores já usam a tecnologia na administração e 37% das escolas permitem que alunos usem IA em atividades, mas apenas 22% das instituições possuem algum guia ou diretriz formal de uso.

Barreira familiar: Apesar de 65% das escolas realizarem atividades de educação digital, gestores apontam a baixa participação das famílias (75%) e a falta de recursos de apoio (64%) como os principais obstáculos para que os projetos saiam do papel.

Fonte: G1 em 04/08/2026.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Nordeste tem as cidades com os melhores resultados do Ideb



Oito cidades, todas em estados da região, alcançaram a pontuação máxima no indicador de qualidade dos anos iniciais

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, principal indicador de qualidade de educação do Brasil, mostraram que cidades do Nordeste estão com os melhores resultados no ranking de ensino fundamental, incluindo os anos iniciais e anos finais.

Quatro estados do Nordeste figuraram entre as cidades com maiores notas nos índices de ensino fundamental, tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais. Contudo, quando se trata da etapa ensino médio, o Nordeste surge um pouco mais tímido entre os estados com melhores notas, sendo o Piauí com 4,9 em 3º lugar, dividido com o Espírito Santo; seguido de Pernambuco com 4,8; e o Ceará em 6º com 4,7.

Ao mesmo tempo, o Paraná é quem ocupa o primeiro lugar no ensino médio, seguido de Goiás com notas próximas. De todos os estados, o Distrito Federal foi o único que apresentou uma retração de 0,1 no resultado entre 2023 e 2025.

Ensino fundamental anos iniciais

De acordo com os resultados, apenas oito cidades de todo o país alcançaram nota 10 no Ideb 2025, sendo todas divididas entre dois estados do Nordeste, sendo o Ceará com cinco municípios, seguido de Alagoas, com três. O resultado mostra uma concentração regional de desempenho na educação dos anos iniciais do ensino fundamental, que correspondem do 1º ao 5º ano.

Entre as cidades com o maior crescimento entre 2023 e 2025, destaca-se Novo Oriente de Minas, em Minas Gerais, que teve o aumento de 4,6 pontos percentuais, subindo de 4,7 em 2023 para 9,3 em 2025, figurando nos melhores resultados do levantamento. O segundo maior aumento foi em Araguairnha (MT), que migrou de 4,4 para 8,0, seguido de Japurá (AM), de 4,4 para 7,6 em 2025.

Municípios com maior Ideb no ensino fundamental - anos iniciais

Coruripe (AL) - 10,0

Santana do Mundaú (AL) - 10,0

União dos Palmares (AL) - 10,0

Catunda (CE) - 10,0

Coreaú (CE) - 10,0

Cruz (CE) - 10,0

Pedra Branca (CE) - 10,0

Pires Ferreira (CE) - 10,0

Ensino fundamental anos finais

Quanto à etapa ensino fundamental anos finais, que corresponde do 6º ao 9º ano, nenhuma cidade no país conseguiu atingir a nota máxima. Contudo, Ceará e Alagoas também foram os líderes em municípios com notas mais altas no Ideb 2025, com Deputado de Irapuan Pinheiro em 1º lugar, seguido de Santana do Mundaú.

Vale destacar que Santana do Mundaú figura em ambos os recortes com as notas mais altas do país do ensino fundamental, apesar de ter tido uma retração de 0,1 entre 2023 e 2025 no resultado dos anos finais.

O maior crescimento foi apresentado em Cristino Castro, no Piauí, que teve o avanço de 3,6 pontos percentuais, escalando de 3,0 para 6,6. Em sequência está Murici (AL) com 2,8 (subindo de 5,2 para 8,0).

Municípios com maior Ideb no ensino fundamental - Anos finais

Deputado Irapuan Pinheiro (CE) - 9,3

Santana do Mundaú (AL) - 9,2

Custódia (PE) - 7,5

Bom Jesus (PI) - 7,3

Santa Maria do Herval (RS) - 7,0

Iporã do Oeste (SC) - 7,0

Conchal (SP) - 7,0

Fonte: CNN do Brasil em -06/08/2026.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ideb 2025 mostra avanços lentos na educação e desafios na matemática


Após perdas provocadas pela pandemia, indicador melhora nas três etapas, mas avanço perde força nos anos finais e no ensino médio

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) chega em 2025 à maioridade, com 18 anos de divulgações, revelando um cenário de avanços lentos, recuperação de perdas da pandemia, desafios maiores na matemática e sinais de esgotamento da sua função de principal termômetro da educação pública do país.

Os dados de 2025, divulgados na quarta-feira (5/8) pelo MEC (Ministério da Educação), mostram que houve melhora no indicador nas três etapas avaliadas: os anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Tanto o Ideb quanto as notas das provas que compõem o índice registraram avanços com relação à última edição, de 2023. A tendência dos últimos anos permanece: a melhora mais intensa nos anos iniciais vai perdendo força nos anos finais do fundamental e no ensino médio.

Nos anos iniciais (com a avaliação realizada com alunos do 5º ano do ensino fundamental), o Ideb da rede pública passou de 5,7, em 2023, para 6,1 no ano passado, em uma escala de 0 a 10. Foi a primeira vez que o indicador superou a nota 6, tida como objetivo geral do sistema escolar quando o indicador foi criado, em 2007, no segundo mandato do presidente Lula (PT).

O Ideb dos anos finais da rede pública passou de 4,7 para 5 pontos. No ensino médio, a evolução foi de 4,1 para 4,3, levando em conta somente a modalidade regular das redes estaduais, que concentram as matrículas da etapa.

Quando o indicador foi criado, foram calculadas metas para cada etapa no nível de país, rede de ensino e escola. Esses objetivos foram estabelecidos até 2021 e o MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pela avaliação, deveriam renovar o instrumento, incluindo novas metas. Mas nem a gestão Bolsonaro (PL) nem a atual de Lula cumpriram a tarefa até agora.

Na prática, essa já é a segunda edição do Ideb sem novas metas. As de 2021 foram alcançadas nos anos iniciais, mas, tanto nos anos finais quanto no ensino médio, o Ideb 2025 fica abaixo das metas de 2021, apesar do avanço no indicador.

Os dados

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse nesta quarta que os dados mostram avanços consideráveis, sobretudo quando se olha para a série histórica.

“Olhando a fotografia de 2025 e a de hoje, podemos afirmar que a educação brasileira mudou profundamente, fruto de esforços de toda sociedade brasileira, do Ministério da Educação, dos governos estaduais e municipais”.

Segundo Barchini, mesmo com os problemas que ainda persistem, o Ideb representa como o país “enfrentou os maiores desafios da educação brasileira”: mais estudantes na escola, melhoria na trajetória escolar e melhoria de aprendizado.

O Ideb é calculado a cada dois anos e leva em conta dois fatores: as notas dos alunos em provas de português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e as taxas de aprovação. A ideia inicial era mensurar o aprendizado dos alunos e a capacidade da escola de aprovar os estudantes.

Mas dados mostram que, de maneira genérica, as redes de ensino têm intensificado a aprovação dos estudantes. Isso impacta em uma maior evolução do Ideb e é visto por especialistas, em alguns casos, como estratégia para inflar os indicadores.

Ainda tem sido prática usual nas redes de ensino a preparação específica de alunos para fazer a prova do Saeb, o que também é criticado.

De acordo com Barchini, cada estado e cada município tem sua estratégia relacionada ao fluxo escolar. “Temos de olhar detidamente esses dados, mas a melhoria do fluxo veio acompanhada da melhora da proficiência em termos gerais”, disse o ministro, durante entrevista coletiva.

O presidente do Inep, Manuel Palácios, disse que um conjunto de evidências indicaria uma diminuição significativa nas taxas de reprovação. “Não há nada que sugira manipulação. Temos mais permanência, mais gente concluindo, mais gente chegando ao final”, disse.

Ao olhar para o rendimento dos alunos nas provas, a situação se mostra mais complicada —sobretudo no ensino médio, um dos gargalos da educação brasileira.

Especialistas defendem alterações no cálculo do indicador para reduzir incentivos a distorções e ampliar a concepção de qualidade da educação.

No ano passado, uma comissão foi montada pelo MEC para elaborar um plano de reformulação do Ideb. Apesar de a proposta ter sido apresentada, a pasta não definiu até agora se irá implementar as mudanças sugeridas.

A nota média de matemática nesta etapa nas redes estaduais chegou a 268,52 em 2025, um avanço de apenas 8,5 pontos desde 2005. Em língua portuguesa, alcançou 273,32, um incremento de 24,63 pontos desde 2005.

Apesar de o indicador ter sido criado em 2007, o MEC calculou notas e índices de 2005, como base de comparação.

A escala do Saeb indica que um avanço de 12 pontos equivale ao aprendizado de um ano. Assim, só em português houve um salto dessa relevância no ensino médio.

Pandemia

Com os avanços acumulados nas duas notas em 2023 e 2025, o país conseguiu recuperar a perda nas notas registradas em 2021, por causa da pandemia. Naquele ano, as médias do ensino médio haviam caído 6,24 pontos em matemática e 2,48, em língua portuguesa, na comparação com 2019.

O ministro da Educação ressaltou que o avanço nos indicadores após a pandemia é positivo, uma vez que vários relatórios apontavam que o país demoraria mais de dez anos para recuperar os níveis de proficiência.

Nos anos finais da rede pública (9º ano), a média de matemática chegou a 256,23 e a de língua portuguesa, a 258,09, também em 2025. O incremento desde 2005 foi maior: de 24,61 pontos e 32,67, respectivamente.

A melhora em 2025, no entanto, não foi suficiente para recuperar a perda da pandemia repetida em 2023 nos anos finais. Já nos anos iniciais, a melhoria nas notas é mais consistente.

As médias chegaram a 227,41 em matemática e 215,09, em língua portuguesa. Essas médias dos anos iniciais da rede pública representam um ganho de cerca de 50 pontos desde 2025 e, no acumulado com 2023, recuperam a perda registrada em 2021 —essa etapa foi a que mais registrou retrocesso de aprendizado no período impactado pela pandemia e fechamento de escolas.

Fonte: ICL Notícias com Folhapress em 05/08/2026.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Impacto das telas na saúde mental já é debatido em 80% das escolas


Dados são de pesquisa com mais de 2 mil gestores escolares

O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. A proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025, cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

Os resultados constam na pesquisa TIC Educação 2025, lançada nesta terça-feira (4) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). 

A coleta de dados foi feita por telefone em escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais, totalizando 2.404 entrevistas com gestores.

Segundo o Cetic.br, a pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e à adoção crítica desses recursos estão mais presentes nas escolas do país.

Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto, em 2024 a proporção era 68%. 

Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais - de 56% em 2024 para 75% em 2025 - e a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%.

Obstáculos

Segundo o levantamento, 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. No entanto, a presença dessas ações é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).

Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

Entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%).

"Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação", avalia Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação. 

Ela acrescenta que "a integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital”. 

“Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas", defende. 

Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Do outro lado, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais”, analisa Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Ela ressalta que regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital. 

"As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual", disse.

Uso de celulares 

Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. O resultado variou conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com ensino médio (31%).

Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços.

Ao considerar a parcela de escolas que consentem que os alunos levem o celular, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores. O uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.

Inteligência artificial

É a primeira TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa por gestores escolares. A pesquisa indicou que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

No entanto, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).

Entre as principais finalidades do uso de IA pelos gestores estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

Em 37% das escolas, o uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio.

Fonte: Agência Brasil em 04/08/2026.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Um ano sem celular nas escolas traz de volta o debate sobre aprendizagem e convivência


Medida reorganiza a rotina da educação básica e desafia as instituições a equilibrarem tecnologia, saúde emocional e formação de bons hábitos

A restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras completa um ano em vigor em meio a uma mudança que vai além da retirada dos aparelhos da sala de aula. Prevista pela Lei nº 15.100/2025, a medida reorganiza a rotina da educação básica, altera a relação dos estudantes com o tempo escolar e  amplia o debate sobre concentração, convivência e saúde emocional dentro das instituições de ensino.

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Educação aponta que 92% das escolas já implementam a legislação, enquanto gestores relatam avanços na participação dos alunos, na interação entre colegas e na atenção durante as aulas. O dado mostra ampla adesão à nova regra, mas também indica que a norma, sozinha, não resolve todos os desafios de uma geração formada em contato permanente com telas, notificações e estímulos digitais.

Nas escolas, o primeiro impacto aparece na organização do cotidiano. Intervalos, entradas, saídas e momentos de transição entre as aulas passaram a exigir acompanhamento mais próximo das equipes pedagógicas, já que o celular ocupava uma parte importante na rotina social dos estudantes. A ausência do aparelho abre espaço para conversas presenciais, brincadeiras e maior interação, mas também revela dificuldades relacionadas a vínculo, ansiedade e tolerância à frustração.

“Quando o celular sai do centro da rotina escolar, a escola consegue observar melhor como o aluno lida com o tempo, com o outro e com os próprios limites. A restrição contribui para a aprendizagem, mas o principal ganho está na possibilidade de reconstruir hábitos de convivência, escuta e presença”, afirma Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista na região do Vale do Paraíba.

O debate também alcança o desempenho em sala de aula. Professores relatam que a redução das interrupções favorece as explicações, estimula a participação e ajuda a manter o foco, mas a mudança precisa vir acompanhada de orientação, diálogo e clareza sobre o papel da tecnologia no ambiente escolar. Para as famílias, a adaptação exige coerência entre escola e casa, de nada adianta restringir na escola, se, em casa, o estudante possui uso irrestrito de telas, ausência de combinados e pouca mediação sobre redes sociais, jogos e mensagens. A construção de uma rotina equilibrada depende de regras claras e conversas frequentes sobre limites.

“A escola não pode tratar o celular apenas como um problema disciplinar. O aparelho faz parte da vida dos estudantes, por isso a orientação precisa ensinar quando, como e por que usar a tecnologia. O desafio é formar alunos capazes de fazer escolhas responsáveis também fora da sala de aula”, explica Elen Larissa, orientadora educacional de pais e alunos da Rede Adventista.

A experiência do primeiro ano mostra que a discussão sobre celulares nas escolas não se limita à proibição. O tema envolve aprendizagem, saúde mental, autonomia, convivência e educação digital. Ao retirar o aparelho do uso livre, as instituições passam a lidar com uma pergunta mais ampla: como formar estudantes capazes de aprender, conviver e se concentrar em uma sociedade conectada?

“A escola precisa preparar o aluno para o mundo digital, mas também precisa proteger o espaço de aprendizagem. O equilíbrio está em ensinar que a tecnologia tem valor quando serve ao conhecimento, à comunicação saudável e ao desenvolvimento humano”, conclui Marizane.

Fonte: Máxima assessoria de Imprensa. Erika Ricci {erika@maximasp.com.br} (11) 96705-5924

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Academia enfrenta desafio de se adaptar a demandas geradas pelo crescimento do número de estudantes com autismo


Pesquisadores e graduandos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) relatam suas vivências na Unesp; na graduação da Universidade, há 403 alunos autodeclarados com TEA, o que representa 1,15% de todos os matriculados

Desde 2007, por decisão da Assembleia Geral da ONU, celebra-se em 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a população global que se insere no Transtorno do Espectro Autista (TEA) alcança cerca de 70 milhões de pessoas. No Brasil, o total de pessoas com diagnóstico de TEA é de 2,4 milhões, ou 1,2% da população, segundo dados coletados pelo IBGE no Censo Demográfico de 2022.

Em 2008, entrou em vigor no Brasil a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, com status de emenda constitucional. A nova legislação inseriu, no texto da Constituição, a condenação à discriminação contra indivíduos PCDs e o reconhecimento à sua diversidade. A Convenção, porém, não incluía os indivíduos com TEA. Estes só passaram a ser reconhecidos como pessoas com deficiência no Brasil em 2012. A Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, propôs diretrizes para a maior participação social da pessoa com TEA, garantindo o acesso ao trabalho, à proteção social e à educação.

Naquele ano, o ensino superior do país registrava apenas 244 matrículas de estudantes com TEA. Em 2024, o número já alcançava 15.941, contabilizando os inscritos em cursos presenciais e a distância. Na graduação da Unesp há 403 alunos autodeclarados com TEA, o que representa 1,15% de todos os matriculados. Na Pós-Graduação há 20 pesquisadores, que representam 0,16% do total de inscritos.

A física Anne Kétri Pasquinelli da Fonseca, de 25 anos, é um dos pós-graduandos com TEA na Unesp. Doutoranda em física pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), em Rio Claro, ela ingressou na graduação em física na Unesp em 2018 e desde então vem construindo sua trajetória científica dentro da Universidade.

Suas pesquisas na área de Caos e Sistemas Dinâmicos analisam as mudanças de fase em sistemas bilhares, campo de estudo na física de partículas, e buscam compreender de que forma os sistemas podem transitar de um comportamento mais estável para um regime caótico. A título de comparação, é como se as partículas fossem bolinhas coloridas de bilhar, e Fonseca investiga o comportamento destes objetos ao colidirem com as “bordas da mesa de sinuca”.

Em 2026, a pesquisa da cientista foi selecionada pelo edital Doctoral Dissertation Research Award, do Programa Fulbright, e Anne Kétri irá para a Universidade da Dakota do Norte, nos Estados Unidos, aprofundar os estudos.

Embora recebesse acompanhamento psiquiátrico e psicológico desde os 14 anos, a pesquisadora unespiana só obteve o laudo de TEA aos 22 anos, quando já estava no final da graduação. A pesquisadora foi enquadrada como pessoa com TEA nível 1, com menor necessidade de suporte. O entendimento sobre a condição, no entanto, é de extrema importância para que haja a compreensão de alguns eventos individuais.

“O universo acadêmico, assim como os demais ambientes, presume que, com o avanço da idade, você já saiba como agir e falar em certas situações”, diz Anne Kétri. “Mas enfrento muitas dificuldades com coisas que, às vezes, parecem que são parte do senso comum. Consigo fazer tudo que me pedem. Mas as instruções e a comunicação precisam ser claras”, explica a pesquisadora.

Para explicar a importância destas instruções, a física teórica usa como exemplo uma hipotética tarefa de organizar uma estante. Na ausência de orientações claras, são muitas as possibilidades de arrumação: por cores, pelos tamanhos ou pelas datas de publicação. Pessoalmente, ela pensa que o mais lógico seria uma organização baseada no sobrenome dos autores. Mas basta a possibilidade de que ocorra algum erro no processo de organização para gerar tensão e ansiedade nas pessoas com TEA. Daí a importância de prover instruções claras para assegurar o bem-estar destes indivíduos. Esta necessidade, porém, muitas vezes é taxada de frescura, e simplesmente ignorada.

Ao comparar o quadro que viveu durante seu período na graduação com o momento atual de estudante na pós-graduação, Anne Kétri relata melhorias. “Com o surgimento das diretorias de acessibilidade e inclusão vão aparecendo oportunidades para solicitar uma monitoria, ou outras adaptações”, relata. “Antes, parecia não haver essa possibilidade. Era você que tinha que se adaptar, e não a universidade. Mas isso não faz sentido. Pense no caso de uma pessoa que usa cadeira de rodas: a universidade se responsabilizaria por inserir alguma adaptação. No caso do autismo, acho que isso está acontecendo aos poucos.”

Fonte: Jornal da UNESP em abril de 2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Aula de cidadania


Ministério Público contra oração evangélica na abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares

A promotora de Justiça Elayne Rodrigues, representante do Ministério Público, manifestou-se contra a realização de uma oração evangélica na abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares, em Duque de Caxias (RJ). A intervenção provocou reações no local e levantou a discussão sobre a manifestação religiosa em eventos abertos à população e a aplicação do princípio do Estado Laico.

Durante seu pronunciamento na mesa, a promotora relatou sua discordância com o ato realizado no início da cerimônia. "Ao início do evento, eu fui assolapada por uma oração evangélica", afirmou. Ela justificou que, por sua função, tem o dever de assegurar a liberdade religiosa dos presentes. Ao descrever que a atividade envolveu um "sentimento de Deus", ela declarou: "Tenho que esclarecer que isto é inconstitucional".

Para embasar o argumento, a representante do MP afirmou que o fórum, embora promovido por uma associação civil, caracterizava-se como um evento público. "A fé é um direito privado, que não deve ser estendido a outras pessoas num evento público", disse a promotora, acrescentando que se sentiu "extremamente ofendida" com a situação.

A declaração gerou divergências entre os participantes da cerimônia. Durante a exposição da promotora, uma pessoa na mesa tentou interrompê-la. A autoridade respondeu com uma advertência: "Se a senhora começar a interferir na minha fala, na fala do Ministério Público, eu me retiro". A representante informou que já havia comunicado aos organizadores que o órgão deixaria o local caso uma oração fosse conduzida e classificou a interrupção como um "deboche" que ofendia o Ministério Público e a Constituição da República.

Assista a polêmica AQUI!

Fonte: @jurinewsbr em 08/07/2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Você quebrou o sistema educacional


O sistema educacional é quebrado — mas ele não se quebrou sozinho. Nesse vídeo eu explico por que a crise da educação não é só culpa do governo, nem só do professor: é o resultado de uma ausência que ninguém quer admitir. @iuripiragibe

Assista ao vídeo AQUI!