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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Três milhões de pessoas pretendem investir em estudos aponta pesquisa

Segundo a Caixa Econômica Federal, cerca de 30 milhões de trabalhadores irão sacar seu salto de FGTS nos próximos meses, injetando aproximadamente 44 bilhões de reais na economia do país, sendo que R$ 13 a R$ 16 bi serão destinados ao consumo pelas famílias.

O Google compartilhou uma pesquisa com seus parceiros locais, entre eles a Search Optics, que aponta que 53% da população tem intenção de utilizar o saldo assim que estiver disponível, além disso, 13% vai investir no consumo de produtos e 10% farão investimentos em educação. Para o presidente LATAM da Search Optics, Eduardo Cortez, o momento é favorável para as empresas aproveitarem a intenção de consumo que os próximos meses trarão.

“A estimativa de março foi que cerca de R$ 1,2 bi de investimentos adicionais de consumo foram inseridos ao mercado brasileiro. Para os próximos meses, a previsão é ainda mais positiva e pode chegar a R$ 2,1 bi em abril e R$ 2,4 bi em maio. É uma boa oportunidade para as empresas direcionarem ou redirecionarem seus investimentos pensando no comportamento do consumidor, que pode mudar durante todo o ano”, acredita Cortez.

Em destaque, o segmento de educação se apresenta como opção de investimento de muitos brasileiros. Segundo a pesquisa, 3 milhões de brasileiros estarão favoráveis a destinar o saldo do FGTS à educação, o que pode representar boas oportunidades para as empresas do setor fazerem ativação de marketing neste momento.

Outro dado que a pesquisa traz é que 22% da população também pretende utilizar seu saldo para compra de celulares, o que pode ampliar o acesso mobile a internet ou ainda melhorar a navegabilidade dos usuários. “Para o setor de educação esse cenário é promissor, uma vez que o público-alvo das instituições é, em sua grande maioria, jovens que utilizam a internet como meio principal de informação. O mercado mobile – aquele voltado para ações de marketing digital para dispositivos móveis – torna-se vantajoso”, explica Cortez.

Para o especialista, este é momento de aproveitar a entrada de novos recursos na economia e direcionar parte dos esforços de marketing para o público que deseja investir o valor do FGTS em estudos. “Através de ações bem estruturadas de marketing digital para o segmento de educação, é possível atrair mais leads qualificados, uma vez que as estratégias podem ser segmentadas e direcionadas para públicos específicos”, conclui Cortez.


Fonte: Eduardo Cortez, presidente da Search Optics para a América Latina, em 18/04/2017.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Jogos educativos ajudam a reduzir a ansiedade da matemática nas escolas brasileiras

As plataformas de jogos educativos são hoje grandes aliadas para reduzir a ansiedade da matemática. A afirmação é do especialista Brent Hughes, executivo da Matific, startup israelense especializada em gamificação para o estudo da matemática desde a educação infantil até o sexto ano, presente no Brasil em mais de 100 colégios públicos.

Segundo o especialista, pesquisas mostram que as crianças podem gostar ou não da matemática e que tudo vai depender de como são ensinadas e de quais crenças são passadas a elas pelos pais e educadores. “O ideal é dizermos às crianças o quanto é importante aprender os conceitos da matemática, principalmente em um mundo altamente tecnológico em que vivemos”, explica Hughes.

De acordo com o executivo, muitos jogos educativos trazem para as crianças situações reais do dia a dia, o que ajuda o aluno a entender os conceitos mais abstratos da matéria. “Como os jogos educativos contribuem para a construção do conhecimento, graças ao seu aspecto lúdico, tais plataformas têm ajudado a reduzir de forma significativa o medo da disciplina, além de aumentar o envolvimento dos alunos com a matéria”, diz Hughes.

A plataforma da Matific é utilizada atualmente por cerca de 100 mil alunos de São Paulo, de mais de 100 colégios públicos do estado paulista, além das principais instituições particulares de ensino.

Ansiedade da matemática é uma reação emocional debilitante relacionada à disciplina, que causa sentimentos de tensão que interferem no aprendizado, na vida acadêmica e na vida diária de forma geral. “A ansiedade da matemática pode ser leve ou severa e não afeta apenas a vida escolar, mas também todo o desenvolvimento. Pessoas que desenvolvem essa condição podem, por exemplo perder oportunidades de trabalho ao longo da vida, por exemplo”, explica Hughes. 

Durante os anos escolares, é natural, segundo o especialista, ter certo nível de ansiedade em relação aos conteúdos, e esse sentimento até ajuda no aprendizado. “Entretanto, se a ansiedade está fora do controle, esse sentimento inibe a predisposição para aprender, porque desorganiza as respostas cognitivas”, explica. “A ansiedade interfere também na memória de trabalho, aquela que permite que a mente retenha diversas informações de uma vez. A ansiedade “rouba” recursos dessa memória, afetando o processo de aprendizagem”, acrescenta.

“Como os conceitos matemáticos são abstratos, o aprendizado da matéria é um verdadeiro desafio e pode se tornar um problema emocional para boa parte dos estudantes, que acabam desenvolvendo a chamada ‘ansiedade da matemática. Os jogos educativos online, como os oferecidos pela Matific, podem mudar esse cenário’, conclui Dennis Szyller, diretor da Matific Brasil.

A Matific é uma empresa startup Israelense que desenvolveu um premiado sistema educacional de matemática, projetado por uma equipe de especialistas e professores de matemática, engenheiros de software e desenvolvedores de jogos. A pedagogia é baseada no trabalho do professor Raz Kupferman da Universidade Hebraica (Hebrew University) em Jerusalém, e do professor Shimon Schocken do Centro Interdisciplinar de Herzelia. O sistema Matific é adotado em mais de 40 países, com um milhão de alunos, três milhões de jogos executados por mês e diversos prêmios internacionais por sua pedagogia e tecnologia.


Para mais informações, contatar:
Danielle Menezes
Assessoria de Imprensa
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sábado, 22 de abril de 2017

Em manifesto, docentes cobram mudanças em modelo de tribunais de Contas

Um manifesto, assinado por mais de 30 juristas e professores de Direito Público, cobra mudanças no atual modelo de composição dos tribunais de Contas do país. “É necessário construir um modelo pautado na predominância de membros oriundos de carreiras públicas providas mediante concurso público”, diz o documento. Para os signatários, não há justificativa para indicações de natureza política em órgão de atribuições essencialmente técnicas.

Os professores também afirmam ser necessário aproximar o regime jurídico dos membros dos tribunais de Contas ao dos membros da magistratura. Isso porque a Constituição já determina paridade de garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens entre conselheiros e juízes.

“A submissão dos membros dos Tribunais de Contas ao Conselho Nacional de Justiça decorre do paralelismo existente com o Judiciário, pois já existe similitude de direitos. Entretanto, essa submissão deve ser feita com ampla discussão e razoabilidade para permitir que signifique realmente aperfeiçoamento do modelo, e não inviabilização do controle externo”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo, Fabrício Motta — também procurador do Ministério Público de Contas de Goiás e colunista da ConJur.

Segundo ele, a carta tem o objetivo central de levantar o debate e convidar sociedade, poder público, imprensa e o mundo jurídico para colocar a discussão em destaque. “Ainda não há consenso a respeito do modelo ideal para provimento dos cargos dos Tribunais de Contas, mas há concordância de que o modelo atual não atende às demandas da sociedade e do interesse público e de que as indicações políticas não podem ser a maioria”, acrescenta.

Um dos motivos que levaram à divulgação do manifesto pelas reformas foi a prisão dos conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, acusados de cobrar propinas em obras e sistemas de transporte no estado. “É justamente esta relação promíscua e nitidamente marcada por interesses externos às funções públicas que torna o modelo falho e propício ao trâmite de vantagens indevidas”, conclui Motta.

Leia abaixo o manifesto:


REFORMA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS. CARTA ABERTA

Os professores de direito público abaixo identificados, nutrindo em comum o sentimento de profundo respeito pelo princípio republicano e pelo Estado Democrático de Direito, ambos dependentes de mecanismos de controle externo da Administração Pública voltados à preservação da probidade, eficácia, eficiência e economicidade na atividade financeira do Estado, manifestam sua preocupação com as notícias recentes que reforçam a necessidade de reformas no modelo constitucional dos Tribunais de Contas. No tocante à composição das Cortes de Contas, é necessário construir um modelo pautado na predominância de membros oriundos de carreiras públicas providas mediante concurso público, pois a maioria provida por indicação política não se justifica em um órgão que possui atribuições essencialmente técnicas. Não obstante, é preciso aproximar o regime jurídico das sujeições dos membros dos Tribunais de Contas ao aplicável aos membros da magistratura, pois a Constituição já determina paridade de garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens entre Conselheiros e Juízes. Para tanto, é importante que os membros das Cortes de Contas estejam sujeitos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão constitucionalmente responsável pela observância do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados e pelo respeito, em sua atuação, aos princípios constantes do art.37 da Constituição. Finalmente, é importante adotar medidas para o reconhecimento da autonomia do Ministério Público de Contas, bem como a submissão dos membros da instituição ao Conselho Nacional do Ministério Público. As reformas devem ser discutidas com seriedade e serenidade, com atenção às peculiaridades da atividade de controle externo, com o intuito de garantir que seja possível construir um novo modelo de Tribunal de Contas que mereça a respeitabilidade da sociedade e ocupe a vanguarda no combate à corrupção, evitando o desperdício de recursos, punindo desvios e contribuindo efetivamente para a melhoria da gestão pública.
Adílson Dallari (SP)
Bernardo Strobel (PR)
Carolina Zancaner Zockun (SP)
Celso Antônio Bandeira de Mello (SP)
Clóvis Beznos (SP)
Cristiana Fortini (MG)
Daniel Ferreira (PR)
Daniel Sarmento (RJ)
Daniela Libório (SP)
Dinorá Grotti (SP)
Edgar Guimarães (PR)
Élida Graziane Pinto (SP)
Eneida Desiree Salgado (PR)
Eurico Bitencourt Neto (MG)
Fabrício Motta (GO)
Heleno Taveira Torres (SP)
Ingo Sarlet (RS)
Irene Nohara (SP)
José Maurício Conti (SP)
Júlio Cesar S. Esteves (MG)
Lígia Melo (CE)
Márcio Cammarosano (SP)
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (SP)
Maurício Zockun (SP)
Paulo Modesto (BA)
Paulo Ricardo Schier (PR)
Rafael Valim (SP)
Raquel Melo Urbano Carvalho (MG)
Regina Nery Ferrari (PR)
Ricardo Marcondes Martins (SP)
Rodrigo Pironti Aguirre de Castro (PR)
Sérgio Ferraz (RJ)
Sérgio Guerra (RJ)
Sílvio Luís Ferreira da Rocha (SP)
Tarso Cabral Violin (PR)
Valmir Pontes Filho (CE)
Vanice Lírio do Valle (RJ)
Vívian Lopes Valle Quinta (PR)
Vladimir Rocha França (RN)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Alfabetização entre crianças mais ricas é até 6 vezes maior que entre as pobres

As desigualdades na qualidade da educação começam desde cedo. No Brasil, crianças com famílias de níveis socioeconômicos mais altos têm desempenho considerado adequado desde a alfabetização. Entre aquelas com nível socioeconômico mais baixo, o percentual das que têm aprendizado considerado adequado chega a ser seis vezes menor.

Os dados são de levantamento feito pelo movimento Todos pela Educação (TPE), com base nos resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2014. Entre as crianças que pertencem a camadas mais pobres da população, ou seja, cuja família tem renda de até um salário mínimo (R$ 937), apenas 45,4% têm o nível adequado, estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC), em leitura, 24,9% em escrita e 14,3% em matemática.

Entre as crianças de famílias mais ricas, com renda familiar acima de sete salários mínimos (R$ 6.559), esses percentuais aumentam: 98,3% têm nível considerado adequado em leitura; 95,4% em escrita e 85,9% em matemática.

"O que preocupa é notar que as desigualdades começam muito cedo", diz o gerente de Conteúdo do Todos pela Educação, Ricardo Falzetta. "Se tivesse um sistema funcionando muito bem, todos teriam as mesmas oportunidades, independentemente de raça, cor, religião, localidade. As condições socioeconômicas não mudam a capacidade de a criança aprender. Se tiver educação de qualidade, ela vai ter a mesma aprendizagem que qualquer outra criança".

A ANA é uma prova aplicada em todo o país para alunos do 3º ano do ensino fundamental, etapa em que se completa o ciclo de alfabetização. Pelos critérios do MEC, um desempenho adequado significa tirar pelo menos 500 pontos na prova escrita; mais de 425 em leitura; mais de 525 em matemática. No total, 2,5 milhões fizeram as provas em 2014. Desses, 1,4 milhão não tem aprendizagem adequada em matemática, 865 mil não têm em escrita e 558 mil não têm em leitura.
 
Esses estudantes não são capazes, por exemplo, de localizar informações em um texto ou entender a sua finalidade. Em matemática, não são capazes de comparar quantidades ou de dividir pela metade.

"Essas crianças estão avançando nas séries sem o devido desenvolvimento. O domínio da língua passa a ser cada vez mais fundamental para avançar em todas as áreas", diz Falzetta. Ele ressalta, no entanto, que não é possível desistir dessas gerações. "Não adianta dizer que a culpa é de quem não alfabetizou direito. Tem que entender que vai haver crianças em turmas heterogêneas e que é preciso ter estratégias para cada grupo".

Ele reforça que ter uma escola bem preparada, com infraestrutura básica, acervo de livros disponível e que seja usado pelos professores, uma boa formação dos professores e participação dos pais, colabora para uma educação de qualidade, não apenas nos anos iniciais, mas em toda a escolarização.

Além disso, atenção maior deve ser dada aos grupos mais vulneráveis, para que avancem juntos. Os dados mostram que as desigualdades existem entre aqueles que moram na cidade e no campo e entre as regiões do país. A diferença no percentual de crianças com alfabetização adequada entre área urbana e área rural chega a 14 pontos percentuais em leitura, 20,6 pontos em escrita e 17,5 pontos em matemática, sendo que aqueles que moram na cidade têm os melhores desempenhos.

Entre as regiões, o Norte e o Nordeste registram os menores percentuais de crianças com alfabetização adequada. A diferença dessas regiões para as de melhor desempenho – Sudeste em leitura e matemática, e Sul em escrita – chega a 32 pontos percentuais em matemática 38,6 em escrita e 23,7 em leitura.

Fundado em 2006, o movimento Todos pela Educação estabelece cinco metas para que, até 2022, o Brasil garanta a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. Entre as metas está a de ter toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos. Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em 2014, o Brasil deve, até 2024, alfabetizar todas as crianças até o 3º ano do ensino fundamental.


Fonte: Agência Brasil, em 05/04/2017.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Brasil reduz desigualdade, mas ainda tem 2,5 milhões fora da escola

Nos últimos dez anos, o Brasil aumentou o acesso de parcelas mais vulneráveis da população à escola, de acordo com levantamento do movimento Todos pela Educação (TPE). De 2005 a 2015,  o acesso daqueles que têm de 4 a 17 anos aumentou principalmente entre a população parda e negra, entre os de baixa renda e entre moradores do campo. Os avanços foram maiores que os registrados entre brancos, ricos e moradores da cidade.

O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Entre os mais pobres, em 2005, 86,8% estavam na escola, contra 97% dos mais ricos. Em 2015, esses índices passaram, respectivamente, para 93,4% e 98,3%. Entre aqueles que moram no campo, o acesso subiu de 83,8% para 92,5%, enquanto a taxa dos moradores de zonas urbanas passou de 90,9% para 94,6%. O crescimento do acesso entre negros e pardos - que passou, respectivamente, de 87,8% para 92,3% e de 88,1% para 93,6% - foi maior que o da população branca - que passou de 91,2% para 95,3%.

Na avalição do movimento, há uma redução de desigualdade "importante, embora não suficiente", pois mesmo que os indicadores tenham avançado, ainda estão entre essas populações as maiores concentrações de crianças e jovens fora da escola. "São aqueles que mais precisam da educação para superar a exclusão e a pobreza. Muitos são crianças e jovens com deficiência e moradores de lugares ermos. Muitos têm gerações na família que nunca pisaram na escola", diz a presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Censo Escolar: 3 milhões de alunos entre 4 e 17 anos estão fora da escola


Diminui diferença entre jovens ricos e pobres que concluem o ensino médio
Por lei, todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos devem estar matriculados na escola. Pela Emenda Constitucional 59 de 2009, incorporada no Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionado em 2014, o Brasil teria que universalizar o atendimento até 2016.

Os dados de 2015 mostram que o país tem 2.486.245 crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola. A maior parte tem de 15 a 17 anos, são 1.543.713 jovens que não frequentam as salas de aula.

O maior avanço dos últimos dez anos se deu entre os mais novos. Em 2005, 72,5% das crianças com 4 e 5 anos estavam na escola. Esse percentual passou para 90,5% em 2015. Entre aqueles com idade entre 15 e 17 anos, o percentual passou de 78,8% para 82,6% no mesmo período. A faixa de 6 a 14 anos é tida como universalizada, atualmente 98,5% estão na escola. No entanto, isso ainda significa dizer que há 430 mil adolescentes nessa faixa etária fora da escola.

"Temos que tomar cuidado quando se diz que estamos quase universalizando. Esse discurso tirou pressão nos governos", diz Priscila. "É a questão que mais deveria envergonhar os brasileiros, saber que temos 2,5 milhões de crianças e jovens fora da escola em pleno século 21".

O TPE estabeleceu, em 2006, metas para melhorar a educação até 2022, ano do bicentenário da independência do Brasil. A primeira delas é a matrícula de pelo menos 98% das crianças e jovens de 4 a 17 anos na escola. Para chegar a esse percentual, a entidade estabeleceu metas intermediárias. Para 2015, a meta traçada era que o país tivesse incluído 96,3%, índice superior à taxa atual de 94,2%.


Fonte: Agência Brasil, em 05/04/2017.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Legislação para deduções educacionais no Brasil ainda é considerada restritiva

Flexível, porém restritiva. Essa é a conclusão do estudo realizado pela EY (Ernst & Young) comparando a legislação tributária brasileira de abatimento com gastos com instrução e outros casos no exterior, como Argentina, Paraguai, Reino Unido, França e Estados Unidos.

Sem reajuste pela correção inflacionária há dois anos, a Receita Federal no Brasil permite, no ano-calendário de 2017, deduzir despesas com educação até o valor de R$ 3.561,50. Ainda, de acordo com as regras do Imposto de Renda, apenas cursos regulares, definidos pelo MEC, podem ser deduzidos. Diferente de outros países, como Estados Unidos, Reino Unido e Paraguai, no Brasil aulas particulares, de idiomas e de informática, além de despesas com livros não são dedutíveis.

“Ao mesmo tempo em que o Brasil permite deduções, ele restringe sua aplicabilidade à educação regular, como Ensino Médio, faculdade e MBA. Em outros países, por exemplo, são permitidas as deduções quando as despesas de educação são vinculadas ao desenvolvimento pessoal”, afirma Paulo Henrique Silva, gerente-sênior de Impostos da EY. Antonio Gil Franco, sócio de impostos da EY, pondera que por outro lado, em alguns países, como Reino Unido e Argentina, apenas gastos do próprio contribuinte podem ser descontados. Enquanto o Brasil permite a dedução de despesas de educação ligadas a cada dependente.

“No Reino Unido, diferentemente do Brasil, não se pode deduzir despesas educacionais de dependentes. Os gastos do próprio contribuinte são totalmente dedutíveis, desde que seja possível comprovar que são despesas necessárias para o desenvolvimento profissional na área de atuação do contribuinte. Além disso, o Reino Unido permite deduzir cursos de idioma e até mesmo
materiais como livro”, segundo Antonio Gil.
 

A França permite deduzir gastos de dependentes com instrução, mas o limite anual é bem inferior, de € 183 (cerca de R$ 611,22). O governo francês permite, porém, deduzir 50% do valor gasto com cuidados educacionais com crianças até 7 anos de idade (creches e escolas públicas), desde que respeitem um limite de € 2,300 mil (cerca de R$ 7.666,67). No entanto, assim como o Brasil, cursos de idioma ou informática não podem ser abatidos, bem como gastos com livros.
 

Nos Estados Unidos o contribuinte americano está sujeito ao limite de US$ 4 mil para abater despesas com educação. Ele pode, no entanto, usar créditos de até US$ 2,5 mil caso participe de programas de financiamento educacional ou até mesmo abater os juros decorrentes desses programas.

Segundo os especialistas da EY, os EUA permitem abatimento maior para quem tem renda menor para facilitar o acesso à educação formal. O cidadão americano pode abater totalmente suas despesas, dentro do teto, caso tenha renda até US$ 65 mil (ou US$ 130 mil em declarações em conjunto). Entre esse valor e US$ 80 mil, as despesas são abatidas parcialmente. Acima de US$ 80 mil (US$ 160 mil em conjunto), a dedução não é prevista.
 

O Paraguai adota regras bem mais flexíveis do que o Brasil e demais países, permitindo a dedução integral de despesas educacionais do contribuinte e dos dependentes, desde que sejam documentados em nome do titular da declaração ou dos dependentes e constituam gasto real do contribuinte. Cursos, livros e despesas com material entram na regra de dedução no país.
 

Na Argentina os dependentes não podem ter despesas deduzidas, mas os gastos do contribuinte não têm limite para abatimento, desde que sejam comprovadamente necessários para o desenvolvimento profissional na área de atuação do contribuinte.

Mais informações em: www.ey.com.br

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Fechamento de escolas rurais é reflexo de luta de classes

   Pesquisadora afirma que é uma perversão da democracia deixar de oferecer educação no campo, sistema educativo capaz de integrar a pluralidade da vida social

   Historicamente, afirmam os sociólogos, o lucro estimula a exploração da classe dominante sobre a dominada. No sistema capitalista, aqueles que não têm meios de produção vendem sua força de trabalho e, na maior parte das vezes, a remuneração fica aquém do merecido. Ao longo da história, essa dominação afetou todos os setores da sociedade, inclusive a educação pública.

Um reflexo atual dessa realidade é o fechamento de escolas rurais por todo o Brasil - das 100 mil existentes em 2002, 17 mil foram fechadas -, com implicações severas na vida de milhares de jovens, que ficam obrigados a percorrerem longas distâncias se quiserem estudar na cidade. De 2002 para cá, o número de matrículas da educação no campo reduziu de 7,9 para 6,6 milhões de educandos.

Para Virgínia Fontes, docente da pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF), é uma perversão da democracia deixar de oferecer um sistema educativo capaz de integrar a pluralidade da vida social. Ela acredita que voltar o ensino aos trabalhadores rurais deveria ser uma lição para o conjunto da educação pública no Brasil. "A educação no campo deve levar em consideração as necessidades dos trabalhadores, a socialização do conhecimento e da cultura. É preciso uma escola que forme seres humanos para os desafios da vida contemporânea", defende Fontes.

A pesquisadora lembra que durante séculos foi necessária muita luta para a existência de escolas públicas no País. "Ao menos em parte, atingiu-se no Brasil uma escolarização de maior escala, apesar de sua precariedade. Porém, até os dias de hoje ainda é necessária mobilização em prol da educação, como as que ocorreram contra os cortes realizados no ensino médio recentemente", lembra ela.

A docente da UFF sustenta que muitas mudanças precisam ocorrer quanto à educação pública, que não deve ser encarada a partir de uma gestão empresarial-burocrática da rede de ensino. Para a pesquisadora, trata-se de um compromisso com a vida das crianças, com a sua capacidade de compreender o mundo no qual vivem e as contradições que atravessam, para que elas estejam preparadas a enfrentá-las, promovendo assim as transformações que são necessárias e urgentes. "Os alunos precisam ser educados como seres integrais, plenos, que têm direito ao conhecimento e à cultura produzidas pela humanidade", defende a professora.

Para debater e apresentar propostas relacionadas ao assunto, e outros que envolvem a educação pública no campo, pesquisadores se reúnem entre os dias 26 e 28 de julho de 2017 no Campus São Carlos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para realizar o I Seminário Internacional e o IV Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas sobre Educação no Campo (Semgepec). Serão discutidas as políticas educacionais para o meio rural, sob o panorama geral da educação no campo no Brasil e na América Latina, com destaque para Cuba e Colômbia. A professora Virgínia Fontes já confirmou presença e ministrará uma palestra sobre a dominação de classes e a educação no campo.

Fontes classifica o evento como um momento privilegiado. "Tornamos públicas as informações e as análises, cada dia mais qualificadas, que estão sendo produzidas em inúmeras universidades públicas brasileiras. Seguimos mostrando ser possível fazer a vida de outra forma, aberta, crítica, humana e não apenas mercantil", afirma a docente. Mais detalhes no site www.semgepec.ufscar.br.

Na página dos eventos na Internet também há as orientações para envio de trabalhos, os eixos temáticos, os valores, assim como a programação completa. Estudantes, pesquisadores, profissionais da área e demais interessados podem participar. Aqueles que desejam se inscrever como ouvintes devem realizar a inscrição até o início do evento, cuja gestão administrativa é da FAI.UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos).

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Assistência chinesa impulsiona formação de professores na África

A assistência chinesa ao setor de educação da África está ajudando a impulsionar a formação de professores, um componente-chave no treinamento das habilidades da população para acelerar o desenvolvimento, disse uma funcionária da ONU.

   Em uma entrevista, Ann Therese Ndong-Jatta, diretora do Escritório Regional para a África Oriental da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), reconheceu a contribuição da China para o setor da educação da África nos últimos anos.


   "Valorizamos a iniciativa de formação de professores em Uganda e em outros países africanos. O movimento revitalizará a profissão docente", informou.


   Através da UNESCO, a China doou equipamentos para três instituições de formação de professores em Uganda em 3 de março. Os dados provenientes da embaixada chinesa no país mostram que 137 tutores receberam formação e 272 peças de Tecnologias e Comunicação de Informação e equipamentos de estúdio foram doados.


   Ndong-Jatta indicou que os tutores estudaram como integrar as tecnologias com os métodos tradicionais de formação.


   A China está financiando um projeto de US$ 8 milhões via UNESCO, com objetivo de reduzir a diferença da qualidade educacional no continente.



   O projeto "Melhorar a Formação de Professores para Reduzir a Diferença da Qualidade Educacional na África" visa acelerar o progresso para realizar a Educação para Todos e a Meta 4 do Desenvolvimento Sustentável, que é a educação de qualidade.


   O projeto de quatro anos que começou em 2012 se concentrou na oferta de número suficiente de professores qualificados na África por meio dos programas de formação.


   Oito países africanos, incluindo Costa do Marfim, Etiópia, Namíbia, República Democrática do Congo, Congo, Libéria, Tanzânia e Uganda, estão se beneficiando do programa.


   Segundo Ndong-Jatta, além da cooperação na educação de nível primário, a China tem cooperado com a África para fortalecer o ensino superior.


   A China ajudou a estabelecer o Instituto de Capacitação para a Formação de Professores da Etiópia, e alguns países africanos também tiveram intercâmbios de alunos e professores com a China, afirmou a diretora.


   De acordo com Ndong-Jatta, uma conferência foi programada no Djibuti para discutir como impulsionar ainda mais a cooperação com a China na área de ensino superior.


Fonte: Agência Xinhua, em 16/03/2017.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Qual o perfil do diretor ideal para as escolas públicas

Processos mais transparentes de seleção, como concurso e/ou eleição, tendem a recrutar diretores com características necessárias para as melhores práticas de gestão.

O diretor ideal é aquele que incentiva a formação de professores e melhora a comunicação entre escolas, famílias e comunidade. Esta é a conclusão da Avaliação de Impacto do Processo de Seleção de Diretores nas Escolas Públicas Brasileiras, desenvolvida pela Fundação Itaú Social, que destaca a importância desse processo na escolha de profissionais que reúnam tais habilidades.

“A forma de seleção do diretor é um importante elemento de política pública a ser definido, pois influencia o perfil da liderança escolar e, consequentemente, o dia-a-dia da escola e a qualidade do ensino”, afirma a gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Fundação Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

Segundo o estudo, determinadas características do diretor impactam a aprendizagem. Os melhores resultados são alcançados pelos profissionais que permanecem por maior período na mesma escola (entre 5 e 15 anos) e incentivam a formação continuada dos professores. Nesse sentido, os processos mais transparentes de seleção (concurso e/ou eleição) tendem a recrutar diretores com características necessárias para as melhores práticas de gestão.

O levantamento avaliou como se dá o impacto da seleção de diretores no desempenho dos alunos do Ensino Fundamental I e II (5º e 9º anos), matriculados nas escolas públicas estaduais e municipais. A análise baseou-se em informações da Prova Brasil, Censo Escolar e Indicadores Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), agrupando uma base de dados de 103.212 escolas em todo o território nacional.


Fonte: Assessoria de Comunicação da Fundação Itaú Social.