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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Escolas particulares temem rigidez da nova base curricular

A Base Nacional Curricular Comum, em fase de elaboração liderada pelo MEC (Ministério da Educação), é apontada por especialistas como fundamental para a melhora da educação pública no país.

O documento que vai nortear o que os estudantes brasileiros devem aprender também vai, entretanto, impactar a rede particular. Unidades já preveem a necessidade de se adequar à base, mas temem que o texto prejudique a flexibilidade de seus projetos curriculares.

A Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares) defende que a base seja discutida no Congresso, o que hoje não é previsto. "Se for direto para o Conselho Nacional de Educação [CNE], não teremos voz", diz Amábile Pacios, representante da federação. Já tramita na Câmara projeto de lei com essa iniciativa.

A primeira versão da base nacional foi divulgada em setembro do ano passado e ficou em consulta pela internet até março. O portal recebeu mais de 12 milhões de contribuições, segundo o MEC. As sugestões e críticas são agora consolidadas por um grupo liderado pela UnB (Universidade de Brasília).

O Plano Nacional de Educação define que a base seja formulada pelo MEC e, até o meio de 2016, chegue ao CNE. Um grupo de 116 especialistas, além de 96 revisores técnicos e organizações da sociedade civil, participam da construção do documento.

A diretora de currículo da escola Lourenço Castanho, Fábia Antunes, afirma que os professores da unidade enviaram contribuição pela plataforma on-line. "Como trabalhamos a partir de competências, vamos ter que fazer uma grande reflexão para garantir ao aluno o que a base vai indicar e ainda mantermos o perfil do nosso projeto."

A base deve cobrir cerca de 60% do currículo. O restante ficará a cargo de escolas e redes. O secretário de Educação Básica do MEC, Manuel Palacios, afirmou que a segunda versão será mais enxuta do que a primeira e que quase todas as áreas serão revisadas (leia texto ao lado).

Quando essa primeira versão foi liberada, os blocos de história e língua portuguesa receberam uma enxurrada de críticas. A parte de história, por exemplo, foi considerada inadequada até pelo MEC, por deixar de fora saberes essenciais da história mundial.

A discussão chegou ao Lourenço Castanho. "Atendemos pais preocupados e explicamos o processo, o que acabou sendo muito rico para a escola", afirma Fábia.

A direção do colégio Dante Alighieri também recebeu famílias preocupadas com a repercussão –a unidade enviou suas contribuições. "Nossa sugestão é que a base não limite possibilidades. Se ela cumprir seu objetivo, vai proporcionar ir além dos livros didáticos", diz a coordenadora pedagógica, Sandra Tonidandel.

Diretor do colégio Elvira Brandão, Renato Judice vê a base como evolução, mas ressalva: "[A base] não pode significar um engessamento da escola em um momento de busca por inovação".

Documentos que hoje norteiam a educação básica, como os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), são considerados muito genéricos.

A educadora Kátia Stocco Smole, que é do Movimento pela Base e coordena formações em escolas e redes, lembra que a rede particular demorou, mas depois se apropriou das definições dos PCNs.

"A base dá um salto que os parâmetros não deram", diz. "É para qualquer escola brasileira, vai mexer com os livros didáticos, exames de acesso à universidade e com toda estrutura de formação de professores."

Para o diretor do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, "a flexibilidade ideal seria aprofundar os conteúdos a partir do projeto da escola. E quanto mais específica a base, mais fácil será".


Fonte: Folha/UOL, em 17/4/2016.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Mais Educação transforma a rotina e a vida escolar dos alunos

A prefeitura de São Francisco de Itabapoana (SFI) em parceria com o Governo Federal e a Secretaria de Educação trabalha para ampliar a qualidade da formação do aluno matriculado na rede pública municipal. Para isso, implantou e está desenvolvendo desde 2013 o "Programa Mais Educação" atendendo aproximadamente 1.150 crianças em 12 escolas municipais de 1º ao 9º ano do ensino fundamental. O trabalho aumenta a jornada escolar e a organização curricular visando uma educação integral com atividades diversificadas de reforço escolar, esportes (futebol, vôlei, basquete, Jiu- jitsu, capoeira), artes, música (bandas de fanfarra, aulas de violão etc) e horta comunitária; atividades que são realizadas no contraturno escolar.
 
         "O Programa Mais Educação é a melhor forma de integrar os alunos ao ambiente escolar dando alternativas para o aprendizado mais amplo do que o curricular. Estamos no caminho certo e faremos ainda mais pela educação do município" disse o prefeito de SFI Pedro Cherene, completando ainda que o programa tem representado um grande avanço na educação do município já que  garante mais tranquilidade aos pais dos alunos envolvidos. "Esses estudantes vão ficar grande parte do dia na escola, estudando e participando de outras atividades. O caminho para a escola em tempo integral é mais um compromisso que nossa administração cumpre com nosso município", afirmou o prefeito.

         A Secretária de Educação e Cultura do município Kátia Regina dos Santos Marins afirmou que além de ampliar o tempo e o espaço educacional, o programa visa diminuir as desigualdades educacionais e incentivar o aluno a participar ativamente de todos os projetos escolares. "É um momento muito especial para a educação do município, que está contribuindo para a formação e atenção integral de crianças, adolescentes e jovens", afirmou a secretária. A coordenadora do programa Sandra Santos de Jesus salientou também que os alunos se sentem mais motivados e felizes: "Além do que melhora, inclusive, a autoestima de crianças que, muitas vezes, ficavam em casa ou na rua sem ter o que fazer", frisou.

         Para Rosilene Leandro, diretora da Escola Municipal José Gomes Pereira em São Domingos, uma das 12 escolas atendidas, o programa permite melhorar a aprendizagem, disciplina e comportamento do aluno. "A mudança é visível. Os alunos estavam um pouco desmotivados. Hoje, o cenário é outro. As notas melhoraram, os alunos estão mais participativos e disciplinados em sala de aula e, inclusive, percebemos, uma efetiva mudança na relação entre os pais e os alunos", declarou a diretora da unidade.

Fonte: Ascom da Prefeitura de SFI.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Afastado professor chinês que dava 100 para quem bebesse mais

Um homem de Guizhou, no sudoeste da China, foi tirado do cargo de professor por dar notas aos alunos de acordo com a quantidade de bebida alcoólica que ingeriam. Gu Ming, que ensinava Medicina Tradicional Chinesa no Instituto Vocacional Anshun, de Guizhou, não poderá mais dar aulas no instituto, embora continue contratado. Ele pedia aos alunos que bebessem na sala dele.

"Quem bebia a garrafa toda tirava 100 na prova, quem tomava meio copo, 90, e quem dava só um gole tirava 60. Os que não bebiam não passavam na prova", disse um aluno no Weibo. Fu Guisheng, vice-diretor do instituto, disse à Xinhua que Gu estaria brincando com os alunos, mas esse comentário não foi aceito pelos internautas. Alguns alunos foram vistos bêbados no instituto, admitiu.


O incidente provocou um debate intenso na internet, e muitas pessoas criticaram o professor, enquanto outras ficaram com pena dele, dizendo que o professor estava apenas ajudando os alunos a se adaptarem a práticas sociais comuns.


Muitos alunos podem ir a reuniões de vendas, e o quanto bebem pode decidir quantos negócios conseguirão fechar, disse Lapingjun, outro usuário do Weibo. "Existe uma cultura de obter a confiança e reconhecimento das outras pessoas através de beber, o que é triste mas real", acrescentou.


Fonte: Agência Xinhua, em 15/4/2016.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Número de mulheres que fazem doutorado no exterior ultrapassa o de homens

As mulheres são maioria entre os doutores brasileiros titulados no exterior em 2014 - mais de 60%, de acordo com estudo divulgado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). No entanto, as doutoras ainda estão em desvantagem em relação aos homens - ganham, em média 16,5% a menos. Enquanto 71,4% dos doutores estão empregados, entre as doutoras, esse índice cai para 48,82%.

O estudo mostra que no Brasil há 14.173 doutores titulados no exterior entre 1970 e 2014. Desse total, 8.357, ou 59%, são homens e, 5,786, ou seja, 41%, são mulheres. Até 2011, os homens eram os que mais saíam do Brasil para obter a titulação. Em 1970, apenas 12 mulheres haviam se titulado no exterior, enquanto os homens eram 29. A partir de 2012, esse cenário muda, e as mulheres doutoras ultrapassam os homens. Em 2014, 464 mulheres fizeram o doutorado fora, os homens com a mesma titulação eram 291.

"Isso coincide com a condução da mulher no mercado de trabalho. Nesse período, a maternidade deixou de ser a coisa mais importante, porque para fazer um doutorado pleno no exterior é preciso se ausentar por um tempo maior. No início, iam menos mulheres, mas isso vai mudando, e em 2012 a tendência se inverte e deverá se manter", diz o consultor do CGEE Cláudio Cavalcanti Ribeiro.

Quanto à renda, no entanto, os dados de 2014 mostram que as doutoras formadas no exterior ganham em média R$ 15.239,12, enquanto os homens com a mesma titulação recebem em média, por mês, R$ 18.250,49. Eles também estão mais presentes no mercado formal. De acordo com os dados de 2014, os últimos disponíveis, 2.825 mulheres e 5.988 homens estão empregados. Os dados consideram o total de doutores no país, formados desde 1970.

A diferença se dá, segundo a assessora técnica do CGEE Sofia Daher, entre outros fatores, pela posição ocupada pelas mulheres. "Uma das coisas que talvez explique a remuneração é o tipo de ocupação. Dirigentes, membros superiores de instituições costumam ter remuneração maior e há menos mulheres nessas posições", diz.

O Estudo sobre os Doutores Titulados no Exterior: expansão da base de doutores no exterior e novas análises (1970-2014) foi apresentado pela primeira vez nessa terça-feira (29) a um grupo de especialistas e jornalistas. O objetivo é traçar um perfil dos doutores formados integralmente fora do país.

"Independentemente do crescimento e da maturidade da pós-graduação brasileira, não podemos deixar de formar pessoas no exterior de jeito nenhum. Existem áreas em que o Brasil não está com competência instalada. Além disso, é bom mandar gente para países que tenham visões e linhas de pesquisa diferentes a fim de formar pesquisadores brasileiros com ideias e visões diferentes", afirma Cláudio Ribeiro.

O estudo mostra que os doutores titulados no exterior são mais valorizados pelo mercado brasileiro. Eles ganham em média R$ 17.284,40. Os doutores formados no Brasil têm, por sua vez, uma remuneração média de R$ 13.860,86. A maioria dos que se titularam fora é empregada pela administração pública federal (53%) e estadual (18%). Atua no setor da educação (78%), na administração pública (9%), atividades profissionais, científicas e técnicas (6%), além de outros setores.

Formações nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha são mais valorizadas do que na Itália ou Argentina, por exemplo. Os doutores formados nos dois primeiros países ganham mais, em média.

Mais doutores

Segundo os pesquisadores, é necessário qualificar a formação de doutores. Uma vez que manter um pesquisador fora durante todo o doutorado custa caro, é necessário qualificar essa formação, direcionando as áreas e as universidades.

Na publicação, o Ciência sem Fronteiras (CsF) é citado como um dos principais programas que oferecem doutorado pleno. O programa financia mais de 3,3 mil doutorados plenos no exterior. Esses doutores não foram considerados no estudo por ainda não estarem titulados.

"O CsF fez um esforço de radicalizar a formação no exterior. Ele trabalha em vários níveis, não é um programa só de doutores. Eu acho que ele levou a um ponto único a discussão da política pública brasileira de formação, ao entendimento de que é preciso que o intercâmbio no exterior se generalize, se intensifique", diz o diretor do CGEE, Antonio Carlos Galvão.


Fonte: Agência Brasil, em 30/3/2016.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Município e Estado do Rio devem garantir vaga em creche

O Município e o Estado do Rio têm que garantir o acesso à creche para todas as crianças na faixa etária de zero a quatro anos, a começar pelas 42.640 já inscritas em listas de espera. A decisão, em caráter liminar, é do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), na ação civil pública movida pela Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Defensoria Pública do Rio. Na falta de vagas na rede pública, a matrícula da criança deverá ser feita em creche conveniada ou privada.
Segundo a decisão judicial, os responsáveis pelas crianças cadastradas deverão ser convocados, imediatamente, para confirmação de interesse na matrícula. O prazo para matricula dos inscritos é de 90 dias. Já as que não estão cadastradas devem ser atendidas em até 30 dias após a solicitação da vaga.
O Município e o Estado devem apresentar, também em 90 dias, o cronograma e dados numéricos sobre as medidas  destinadas  a oferecer,  na educação infantil, vagas em número adequado à demanda.  A decisão da Justiça deverá ainda ser divulgada na rede escolar e em órgãos públicos. 
A multa por descumprimento na garantia de vaga é no valor de R$ 300,00 por criança desassistida. Embora a oferta de creche no Rio esteja a cargo do Município, a decisão do juiz da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso também abrange o Estado, já que a Constituição Federal prevê que os poderes trabalhem em regime de colaboração no que diz respeito à educação.
Fonte: Assessoria de Imprensa do TJRJ.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Prêmio Literário de Logosofia para professores



O Prêmio Literário de Logosofia promovido pela Fundação Logosófica será, desta vez, voltado para os professores de todos os segmentos da educação Brasil. Para participar é preciso ler o livro “O Mecanismo da Vida Consciente”, de autoria de Carlos Bernardo González Pecotche, pensador, humanista e criador da Ciência Logosófica. As inscrições estarão abertas a partir do dia 1º de fevereiro de 2016 até o dia 31 de julho de 2016 e o objetivo principal do concurso é apresentar para os educadores os conceitos logosóficos sobre o ser humano, sobre a vida e uma nova forma de ensinar e aprender, trazendo elementos transformadores e revolucionários para uma nova docência.


O primeiro colocado ganhará um Hyundai HB20. Os prêmios para o segundo e terceiro colocados serão, respectivamente, um MacBook Pro e um MacBook Air. Os classificados do quarto ao décimo lugares receberão um Iphone 6.

A Cerimônia de premiação dos dez primeiros colocados do Prêmio Literário de Logosofia – Professores será no dia 15 de outubro de 2016, no Rio de Janeiro, na sede da Fundação Logosófica, em Botafogo.

Logosofia: ciência e pedagogia

O objetivo do concurso é divulgar a Logosofia para os professores e estimular a reflexão sobre a projeção que seus conceitos podem ter na vida e na arte de ensinar.

“Queremos que os professores conheçam essa ciência, que é capaz de modificar essencialmente o ser humano e oferecer a possibilidade de vislumbrar novos horizontes”, afirma Marco Cohen, coordenador do concurso e docente de Logosofia.

O livro “O Mecanismo da Vida Consciente” foi escolhido por conter aspectos fundamentais da concepção logosófica sobre questões relacionadas à vida humana, sobre o funcionamento do nosso mundo interno, incluindo os seus sistemas mental, sensível e instintivo, e sobre os pensamentos e sua importância e influência na vida de
cada um de nós.

“Essa leitura propicia o despertar para uma realidade sutil que transcende às questões puramente materiais ou utilitárias da vida, mas que é tão ou mais palpável quanto qualquer assunto relacionado aos conhecimentos a que se teve acesso até hoje”, explica Cohen.

Concursos anteriores

Em 2012, a Fundação Logosófica promoveu o Prêmio Literário de Logosofia - Jovem, para estudantes do Ensino Médio. A iniciativa recebeu mais de quatro mil trabalhos vindos de 1.392 cidades. Os jovens escreveram sobre o que extraíram para sua vida do livro “Bases Para Sua Conduta”, de Carlos Bernardo González Pecotche.

Em 2014, foi a vez do Prêmio Literário de Logosofia - Universitários. Este concurso recebeu mais de 2.800 trabalhos vindos de 1.483 cidades. O livro base deste concurso foi o “Logosofia Ciência e Método”, também de Carlos Bernardo González Pecotche.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fundação Logosófica.

MEC amplia ações do Pacto Nacional pela Alfabetização

O Ministério da Educação (MEC) alterou três programas  para garantir a alfabetização de crianças e jovens no ensino fundamental. A portaria - que cria o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - amplia as ações do pacto e define diretrizes gerais. Ela foi publicada no dia 23/3, no Diário Oficial da União.

Em parceria com instituições de ensino superior e os sistemas públicos de ensino dos estados, Distrito Federal e municípios, o MEC apoiará a alfabetização dos estudantes do ensino fundamental em escolas rurais e urbanas. As redes de ensino serão responsáveis pelo desenvolvimento das atividades e resultados do programa.

Com a parceria, o MEC busca reduzir os índices de alfabetização incompleta e letramento insuficiente nos demais anos do ensino fundamental, diminuir a distorção idade-série na Educação Básica e contribuir para o aperfeiçoamento da formação dos professores que atuam na alfabetização de alunos do ensino fundamental.

O pacto trabalha também para uma melhor formação dos professores das escolas das redes de ensino participantes das ações. E visa, também, conceder bolsas de estudo a coordenadores estaduais, regionais e locais do pacto, aos orientadores de estudo e aos professores das redes públicas participantes da Formação Continuada.

As instituições que aderirem ao pacto deverão desenvolver programas próprios de alfabetização em seus sistemas de ensino e poderão propor a integração das ações de formação e dos materiais de formação. O Distrito Federal, os estados e os municípios vão desenvolver metas anuais de alfabetização e letramento considerando as medidas de desempenho produzidas nas escalas do Sistema de Avaliação da Educação Básica.


As bolsas concedidas aos participantes da formação continuada no âmbito do pacto serão pagas diretamente aos bolsistas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Ficam estipulados R$ 200 para o professor alfabetizador, R$ 700 para o orientador de estudo, R$ 1,2 mil para o coordenador local das ações do pacto e o supervisor da instituição de ensino superior, R$ 1,4 mil para o coordenador regional das ações do pacto e o coordenador adjunto da instituição de ensino superior, R$ 2 mil para o coordenador estadual das ações do pacto e o coordenador-geral da instituição de ensino superior, e R$ 1,1 mil para o formador da instituição de ensino superior.


Fonte: Agência Brasil, 23/3/2016.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Avaliações devem incentivar qualidade da educação

Luiz Roberto Curi é o novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ele recebeu o convite do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, na quinta-feira (17). "Eu não me candidatei, fui surpreendido pelo convite, é um honra muito grande", conta em entrevista à Agência Brasil.

A nomeação de Curi para o cargo foi publicada quarta-feira (16) na mesma edição extra do Diário Oficial da União que trazia a nomeação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. Até ser nomeado, Curi era integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Para o novo presidente, o Inep, que entre outras funções é responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é a autarquia "que garante a efetividade das políticas públicas educacionais". Ligado ao Ministério da Educação (MEC), o instituto promove estudos, pesquisas e avaliações do sistema educacional brasileiro. Além do Enem, cuida de avaliações como a Prova Brasil. Também produz os censos  Escolar e da Educação Superior.

Curi vê as avaliações como uma forma de melhorar a qualidade da educação. "As avaliações não devem apenas aferir a qualidade, mas incentivá-la. São instrumentos relevantes para a qualificação dos atores [que dela participam]", defende, acrescentando que elas devem servir para aproximar cada vez mais o ensino público e particular dos interesses da sociedade.

Curi assume o Inep em substituição a Franciso Soares, que pediu demissão. "Soares é meu amigo de muitos anos, excelente intelectual, fez um bom trabalho", diz.

O ex-integrante do CNE já compôs também o Conselho Superior da Unicamp) e presidiu o Conselho do Patrimônio Artístico, Arquitetônico e Cultural de Campinas. No Ministério da Educação, foi diretor-geral de Políticas de Educação Superior entre 1997 e 2002. Teve passagem ainda pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ambos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Antes da nomeação, funcionários do Inep fizeram um abaixo-assinado, que contou com mais de 100 assinaturas para pedir que o diretor de Avaliação e Educação Básica da autarquia, Alexandre André dos Santos, fosse nomeado presidente. A justificativa, de acordo com publicação no Facebook de Santos, era "levar um servidor à direção dos trabalhos do Inep".

Na rede social, Santos agradeceu e disse que o momento é de "reiterar o apoio às diretrizes governamentais e defender a legalidade democrática. Ao lado disso, é também imprescindível reconhecer o protagonismo dos servidores e valorizar o diálogo com a sociedade em geral e com a comunidade educacional em especial".


Fonte: Agência Brasil, em 18/3/2016.

sábado, 2 de abril de 2016

Problemas de visão em crianças pode prejudicar aprendizado

Em casos onde há necessidade de utilização de óculos, a escolha do profissional e estabelecimento é fundamental para garantir qualidade e evitar traumas psicológicos

Dificuldades no aprendizado e mudanças no comportamento das crianças são os principais problemas relacionados ao comprometimento da visão. O vice-presidente da Associação do Comércio de Joias, Relógios e Óptica do Rio Grande do Sul (Ajorsul), técnico óptico e optometrista, Eduardo Machado, explica que estes fatores podem desencadear déficit de atenção, dificuldade de ver, constrangimento e introversão. Ele cita ainda acidentes como quedas ou esbarrões, que também precisam ser levados em conta.

Para identificar possíveis problemas de visão, Machado comenta que o método mais eficaz seria a realização de um teste de acuidade visual (grau de aptidão do olho) antes de cada ano letivo, na própria escola. Porém, como não há estrutura e oferta destes exames, cabe aos pais e professores observar a criança.

- Deve ser analisado o comportamento quanto à distância de leitura, se existe diferença em enxergar conforme o local que senta na sala de aula, desempenho escolar, queixas de dor de cabeça ou nos olhos, por exemplo - complementa o optometrista.

Já no caso de bebês e crianças pequenas, é necessário mais atenção, preocupação e conhecimento. Machado explica que neste período, o olho ainda está em desenvolvimento e, devido a isto, é normal o defeito refrativo (problemas na visão).

- Nesta situação, apenas um profissional mais habilitado poderá avaliar problemas maiores, identificando alguma disfunção motora ou patológica através de procedimentos como testes de fundo de olho e fisiológico - esclarece Machado.

O vice-presidente da Ajorsul informa que o tratamento somente acontecerá com o diagnóstico de problemas que não sejam apenas refrativos, cabendo a profissionais específicos esta conduta. Em casos onde há necessidade de utilizar óculos, a adaptação levará em conta a personalidade da criança e a sua idade.

- O ideal é que a criança tenha a sorte de adquirir os óculos com um profissional de vendas que saiba conduzir a aquisição sem criar traumas psicológicos. A própria necessidade fará com que a criança utilize-os, porém, se não for bem orientada a escolher o que gosta para se sentir bem e como se comportar com as brincadeiras dos colegas, pode ter certa dificuldade em aceitar o uso. Também é necessário que a armação esteja bem ajustada e em harmonia com a criança - expõe Machado.

Durante a aquisição dos óculos é necessário prestar mais atenção ao tipo de lente a ser usada. De acordo com o optometrista, crianças devem usar lentes resistentes e com tratamento de proteção aos raios ultravioletas. O conjunto de armação e lentes deve trazer conforto, sem incomodar com o peso ou machucar em algum local. Machado informa ainda que a criança deve ser orientada a cuidar de seu óculos com a limpeza adequada e como guardá-lo quando não estiver em uso.


Fonte: Ajorsul, em 17/3/2016.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Base Curricular deve reduzir desigualdades na educação

Nos próximos meses, o Brasil definirá uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um documento com os conteúdos mínimos que os estudantes devem aprender a cada ano na escola, da educação infantil ao ensino médio. Para alguns especialistas, é a chance de focar na qualidade e, de fato, mudar a educação brasileira. Outros questionam a efetividade do documento e acreditam que ele nunca sairá do papel.

A especialista Ilona Becskeházy diz que o país precisa de uma Base Curricular que busque maior equidade entre as regiões e excelência acadêmica  Divulgação Instituto Alfa e Beto
A Agência Brasil conversou sobre o assunto com Ilona Becskeházy, que atua desde 1996 no desenho e na implementação de projetos de educação.

A especialista defende que o Brasil precisa de uma Base, mas critica o documento atual, que está disponível para consulta pública. Para a especialista, o documento é "capaz de confundir e desorganizar o que já não é bom". Segundo Ilona, que é mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio e foi diretora executiva da Fundação Lemann (organização que busca projetos inovadores em educação), cabe ao Ministério da Educação (MEC) tomar decisões e liderar o processo de consolidação de uma Base que atenda aos interesses do país.

O documento atual é preliminar e foi elaborado por um grupo de especialistas, que incluía professores tanto do ensino superior quanto do básico. Embora não seja autor da Base, cabe ao MEC coordenar o processo até a elaboração de um documento final.

Ilona critica a amplitude da consulta pública e diz que o processo pode levar a um compilado de contribuições não qualificadas. O MEC afirma que a intenção é que um debate com muitos grupos e especialistas seja capaz de melhorar o documento. A pasta garante que as incorporações das sugestões ao documento serão feitas com critério.

Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida pela especialista à Agência Brasil:
 

Agência Brasil: Por que o Brasil precisa de uma Base Nacional Comum Curricular?
Ilona Becskeházy: Em primeiro lugar, para permitir maior equidade entre as regiões, os estados e as redes de ensino, inclusive entre as privadas e públicas. Além disso, se a Base for ambiciosa, poderemos finalmente começar a incutir uma mentalidade de excelência acadêmica na população. Seria muito bom para nosso futuro.

Agência Brasil: O que deve ser definido pela base?
Ilona: As habilidades que devem ser aprendidas pelos alunos a cada ano, em cada disciplina, começando pela língua portuguesa e pela matemática.

Agência Brasil: Por que a definição clara dessas duas disciplinas é fundamental?
Ilona: As duas disciplinas foram percebidas ao longo do tempo como sendo essenciais para compreender e interagir no mundo atual. Essas disciplinas são linguagens que mobilizam habilidades cognitivas fundamentais para captar, processar e interagir na vida em comunidade, trabalhar, fruir possibilidades. São duas linguagens diferentes que fornecem as principais ferramentas de leitura e compreensão autônoma, inclusive para as demais disciplinas, de tal forma que o ser humano possa continuar a aprender assuntos cada vez mais complexos durante toda a vida. Outras disciplinas derivam dessas linguagens. E as linguagens como música e arte, embora muito interessantes, não mobilizam as estruturas cognitivas necessárias ao aprendizado sistemático.

Agência Brasil: O documento atual é capaz de nortear a educação brasileira?
Ilona: O documento atual é capaz apenas de confundir e desorganizar ainda mais o que já não é bom.

Agência Brasil: O que, na sua opinião, precisa ser mudado para que a Base funcione?
Ilona: A estrutura do documento é parte importante de sua capacidade de comunicação. É como o desenho de um mapa. Cada conceito ou forma de mostrar as expectativas deve ser apresentado de maneira coerente e com uma linguagem bem simples e clara, para não dar espaço a muitas dúvidas ou ambiguidades. As expectativas devem ser verbalizadas dentro de um formato bem sistemático para permitir seguir a progressão sem se perder e também devem apresentar alguma ambição acadêmica. O que foi apresentado não tem nenhuma dessas características.

Agência Brasil: O MEC já sinalizou que deverão ser feitas mudanças para trazer mais clareza, mais objetividade e tornar mais fluida a transição entre as etapas de ensino. Tratou de mudanças em história e também em língua portuguesa, como você defendeu. Que cuidados são necessários ao buscar essas mudanças?
Ilona: Clareza, coerência, ambição acadêmica, ou rigor, e progressão das expectativas são as palavras de ordem. Algumas delas apareceram no documento do MEC que anuncia as adequações, mas outras não. Gostaria de estar otimista, mas não estou.

Agência Brasil: O que se espera do MEC nessa etapa de consolidação de um segundo documento?
Ilona: A capacidade de tomar decisões para atender aos interesses do país, e não de grupos de interesse corporativo.

Agência Brasil: Que grupos são esses?
Ilona: Quando se vai às escolas e redes de ensino e se conversa sobre currículo com os profissionais de sala de aula, é óbvia e gritante a necessidade e o desejo de ter uma ferramenta curricular à mão, para guiar o planejamento e o monitoramento do trabalho docente. Os grupos que não gostam de currículos explícitos são constituídos por parte dos acadêmicos de educação, aqueles das faculdades de educação, que se interessam muito pouco pelo que acontece em sala de aula e que temem uma renovação dos cursos de formação docente a partir do novo currículo, uma decorrência óbvia. Além disso, há os sindicalistas mais radicais, que temem que um currículo explícito forme uma nova base para pautar e avaliar a carreira docente, outra decorrência óbvia de um bom currículo. Quando se desenha um currículo novo ou se faz uma revisão de um existente, é obvio que os professores, os acadêmicos e sindicalistas devem ser ouvidos. Mas há alguém com autoridade legal que faz a filtragem final, usando como critério estratégico principal o interesse dos alunos e do país.

Agência Brasil: As consultas públicas contribuem para uma Base melhor?
Ilona: Não contribuem se não forem qualificadas. Um processo de construção curricular responsável começa com um documento sólido, que pode ser apenas marginalmente aprimorado em um processo politico de validação pública. Construir publicamente um documento dessa importância é o mesmo que pedir à população para desenhar as políticas de combate a doenças crônicas.

Agência Brasil: Com base nas suas análises de currículos estaduais e municipais, acredita que a Base será capaz de melhorar a educação?
Ilona: Hoje, não. Hoje, meu conselho para o MEC é usar o currículo do Acre.

Agência Brasil: Por que? Quais pontos do currículo do Acre podem ser aplicados nacionalmente?
Ilona: Principalmente a estrutura de apresentação dos objetivos, conteúdos, das sugestões de atividades e de formas de avaliação, além da linguagem simples e direta, com foco em realmente descrever uma habilidade a ser aprendida por cada aluno. Acho que o currículo do Acre não conseguiu ter uma descrição boa do detalhamento das habilidades, mas em relação aos objetivos gerais de cada ano dá para ter uma boa noção do que deve ser ensinado.

Agência Brasil: É possível chegar a uma boa Base?
Ilona: Espero que sim. Depende de as lideranças do MEC tomarem as decisões certas e usarem as referências mais atualizadas do setor nos países desenvolvidos.


Fonte: Agência Brasil, em 15/3/2016.