Botões

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Projeto cria cota para egressos de escolas técnicas em empresas incentivadas

As empresas instaladas no País que recebem qualquer tipo de incentivo fiscal poderão ser obrigadas a contratar pelo menos 20% de trabalhadores com qualificação técnica adquirida em escolas técnicas.

A determinação consta no Projeto de Lei 5441/16, do deputado João Fernando Coutinho (PSB-PE), em tramitação na Câmara dos Deputados.

A contração dos profissionais se dará, segundo o texto da proposta, por meio de parcerias estabelecidas entre as empresas e as escolas técnicas. Os cursos poderão, inclusive, ser oferecidos por convênios estabelecidos com o Senai, o Sesc, o Sebrae e o governo federal.

O deputado explica que o objetivo da proposta é criar um mecanismo que facilite a inserção profissional de jovens formados nas escolas técnicas. “O projeto estabelece, assim, a responsabilidade social das empresas e o compromisso do Estado em proporcionar emprego e renda.”

O PL 5441 tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fonte: Agência Câmara, em 20/02/2017.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Brasileiros buscam alternativas para iniciar faculdade

Cursar o ensino superior é o sonho de milhares de brasileiros que buscam melhores condições de vida para os próximos anos. Mas com os altos valores das mensalidades, cortes em programas estudantis do governo e o alto número de candidatos por vaga, muitas vezes esse sonho é adiado pela falta de condições para bancar um curso universitário. A boa notícia é que os brasileiros estão encontrando nas bolsas de estudos a solução para estudar em faculdades de qualidade, por mensalidades que cabem no bolso.

É o caso dos mais de 100 mil alunos que, desde 2012, buscaram e conseguiram oportunidades em seus cursos de interesse em sites como o Quero Bolsa. Para o primeiro semestre de 2017, o site disponibiliza mais de 650 mil vagas em todo o Brasil com até 70% de desconto válidos até o final do curso. São mais de 900 faculdades parceiras que oferecem centenas de opções de cursos, como Direito, Administração, Psicologia, Enfermagem e Nutrição, os mais buscados pelos brasileiros.

Segundo Bernardo de Pádua, CEO do Quero Bolsa, as bolsas estão entre as principais alternativas para os dois lados do mercado universitário. Para aqueles que querem iniciar uma faculdade, mas não conseguem adaptar as mensalidades à sua rotina financeira, o Quero Bolsa possibilita o pagamento das mensalidades com desconto, sem que seja acumulada uma dívida futura, como acontece com o Fies. O aluno também não precisará pagar taxas de renovação da bolsa, como acontece em contratos com outras empresas do setor, que cobram semestralmente.

Já as universidades particulares que, ao longo dos últimos anos, investiram para atender a uma grande demanda vinda dos programas estudantis, o Quero Bolsa é a solução para preencher as vagas que acabaram ficando ociosas com a baixa recente atribuída, entre outras razões, aos cortes do Fies.

Fies e ProUni

Mesmo que o número de vagas oferecidas pelo ProUni não tenha diminuído ao longo dos últimos anos, a concorrência continua alta. Na primeira chamada do ProUni 2017, foram mais de 1,3 milhão de candidatos inscritos para 215 mil vagas.

Já o Fies teve uma redução significativa no número de vagas: 40% a menos se comparado com o mesmo período do ano anterior. Para o primeiro semestre de 2017, o programa de financiamento oferece 150 mil vagas, enquanto em 2016 foram 250 mil. Outra mudança no programa foi a diminuição do teto de financiamento, que caiu de R$ 7 mil por mês para R$ 5 mil no caso dos novos contratos.

Além disso, com a recessão econômica do país, muitos alunos ficaram inadimplentes - de acordo com dados do MEC, 53% dos contratos do Fies estavam atrasados em setembro.


O Quero Bolsa é um site de comparação de faculdades onde é possível encontrar informações sobre cursos, instituições de ensino, comparar preços e ainda conseguir bolsas de estudo para mais de 900 faculdades parceiras. O site é administrado pela Quero Educação, empresa especializada em marketing educacional, que oferece ao mercado soluções para que universidades maximizem seus resultados e estudantes encontrem as melhores opções de estudos.


MAIS INFORMAÇÕES
NR-7 Comunicação: (11) 2344-9100

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Unesco: 758 milhões de adultos não liam ou escreviam uma frase simples em 2015

Apesar do avanço nas políticas de aprendizagem e de educação de adultos nos últimos anos, 758 milhões de adultos, incluindo 115 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos, não tinham capacidade de ler ou escrever uma simples frase em 2015. É o que mostra o 3º Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos (Grale III), divulgado no dia 15/2, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

De acordo com o levantamento, a maioria dos 144 países signatários do Marco de Ação de Belém, assinado em 2009 no Brasil, informou não ter alcançado a meta da Educação para Todos (compromisso global firmado por 164 governos reunidos na Cúpula Mundial de Educação, em Dakar, em 2000), de atingir 50% de melhoria nos níveis de alfabetização de adultos até 2015.

Aprovado por ocasião da 6ª Conferência Internacional de Aprendizagem e Educação de Adultos, no Marco de Ação de Belém os países concordaram em melhorar a aprendizagem e a educação de adultos em cinco áreas: políticas, governança, financiamento, participação e qualidade. Os signatários do acordo se comprometeram a adotar ações em aprendizagem e educação de adultos por meio de políticas públicas e leis.

Segundo o Grale III, a maioria dos países signatários relatou progressos na implementação de todas as áreas do acordo. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, segundo a Unesco, especialmente na redução da desigualdade de gênero. Conforme o levantamento, a maioria dos excluídos da escola é formada por meninas: 9,7% das meninas de todo o mundo estão fora da escola, índice comparado a 8,3% dos meninos.

Da mesma forma, mostra a pesquisa, 63% dos adultos com baixas habilidades de alfabetização são mulheres. “A educação é essencial para a dignidade e os direitos humanos e é uma força para o empoderamento. A educação de mulheres também tem grande impacto nas famílias e na educação das crianças, influenciando o desenvolvimento econômico, a saúde e o engajamento cívico de toda a sociedade”, diz trecho do Grale III.

Segundo a Unesco, 81% dos países que responderam às perguntas do levantamento disseram que suas políticas tratam de adultos com baixos níveis de alfabetização e habilidades básicas. “Entretanto, vários grupos continuam marginalizados: as políticas de aprendizagem e educação de adultos de apenas 18% dos países tratam de minorias étnicas, linguísticas e religiosas. Somente 17% dos países tratam de imigrantes e refugiados e somente 17% tratam de adultos com deficiências”.

Conforme o estudo, 75% dos países relataram ter melhorado significativamente suas políticas e leis em aprendizagem e educação de adultos desde 2009. Em contrapartida, 70% disseram ter aprovado novas políticas nessa área desde 2009. Para 85% dos países, a alfabetização e as habilidades básicas são prioridades dos programas de aprendizagem e educação de adultos. Na Europa Central e no Leste Europeu, por exemplo, somente 57% dos países dão prioridade a essa área.

A terceira edição do Grale tem como tema “O impacto da aprendizagem e da educação de adultos na saúde e no bem-estar, no emprego e no mercado de trabalho e na vida social, cívica e comunitária”. O estudo apresenta dados e exemplos práticos que demonstram que a aprendizagem e a educação de adultos ajudam o indivíduo a se tornar e se manter mais saudável, a melhorar as perspectivas econômicas e a se tornar cidadão mais informado e ativo, onde quer que viva no mundo.


Fonte: Agência Brasil, em 15/02/2017.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

PGR vai ao Supremo contra cotas para alunos do estado onde fica universidade

Reservar parte das vagas de cotista para pessoas que estudaram em escolas de um estado específico é um tipo de discriminação vedada pela Constituição. É o que pensa o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.650, com pedido de medida cautelar, contra dispositivos da Lei 2.894/2004, com alterações da Lei 3.972/2013, ambas do estado do Amazonas. Conforme a ação, as normas questionadas, ao definirem os beneficiários do sistema de cotas, restringiram indevidamente seu alcance, limitando a egressos de instituições de ensino localizadas no estado.

As leis reservaram 80% das vagas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para alunos sem curso superior e que cursaram o ensino médio em instituições de ensino daquela unidade federativa. Quanto aos cursos ministrados no município de Manaus, destinaram 60% do montante reservado a egressos de escolas públicas amazonenses. As normas também restringem as vagas disponíveis para cursos da Escola Superior de Ciências da Saúde, além de estabelecerem reserva de vagas para candidatos de populações indígenas para preenchimento exclusivo por etnias do estado do Amazonas.

Um dos argumentos apresentados por Janot é que tais critérios constituem discriminação vedada pela Constituição Federal, que proíbe União, estados, Distrito Federal e municípios de criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si, o que implica violação ao princípio da igualdade. De acordo com Rodrigo Janot, o Supremo tem afirmado a inconstitucionalidade de leis que, a pretexto de reduzir desigualdades regionais, estabelecem critérios de discriminação entre brasileiros em razão do estado de origem.

Para ele, o regramento do sistema de cotas da UEA elegeu, além de discriminação positiva voltada à compensação de desigualdades socioeconômicas e étnico-raciais (candidatos indígenas e egressos de escolas públicas que não possuam curso superior completo), critérios de ordem meramente regional (candidatos que cursaram o ensino médio em escolas do Amazonas e indígenas de etnias dessa unidade federativa). “Esses critérios são peremptoriamente vedados pela ordem constitucional vigente”, alega.

O procurador-geral sustenta que esse sistema de cotas diferencia pessoas e situações não distintas, uma vez que egressos de escolas públicas de outros estados da federação encontram-se em situação de desigualdade socioeconômica análoga em relação a alunos do Amazonas. Segundo ele, o sistema “vale-se de critério expressamente proibido pelo texto constitucional, pois limitou a igualdade de condições para acesso ao ensino público superior com base na origem dos candidatos”.

Assim, pede o deferimento da medida cautelar para suspender a eficácia das normas questionadas. Ao final, requer que seja declarada a inconstitucionalidade do artigo 1º, inciso I, alínea “a”; da expressão “no Estado do Amazonas”, contida nos parágrafos 1º e 2º do artigo 1º; do artigo 2º; e da expressão “localizadas no Estado do Amazonas”, constante do caput do artigo 5º, todos da Lei estadual 2.894/2004, com alterações da Lei 3.972/2013.


Fonte: Revista Conjur, em 05/02/2017.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Aluno não é cliente! *

Ficou chocado? Pois vou repetir: ALUNO NÃO É CLIENTE! O conceito de cliente vem do latim cliens: pessoa que tem acesso a um produto ou serviço mediante pagamento. Educação não é comércio, Educação não é produto, Educação não é prestação de serviço.

Educar é a ação de promover a Educação, que compreende todos os processos, institucionalizados ou não, que visam a transmitir determinados conhecimentos e padrões de comportamento a fim de garantir a continuidade da cultura de uma sociedade. No sentido mais amplo, educar é socializar, é transmitir os hábitos que capacitam o indivíduo a viver numa sociedade.

Aluno não é cliente, porque para se aplicar um processo sério de Educação, nem sempre vamos conseguir agradá-lo como um real cliente deve ser agradado durante todo o processo. Quando entramos em uma loja, esperamos ser bem atendidos e bajulados do momento que entramos, que colocamos o pé na loja, até a porta, onde o vendedor tem por obrigação e o hábito de nos acompanhar até a saída.

Em uma escola, nem sempre isso acontece. O aluno tem que ser educado e isso, às vezes, é um processo dolorido, pois nem sempre ouve o que quer, já que o interesse maior não é agradá-lo e sim educá-lo, torná-lo melhor, melhor pessoa, melhor ser humano, para que possa evoluir.

O aluno quer um professor de muito conhecimento e vivência. Prática e vivencia só se obtêm por meio de experiências que muitas vezes o aluno ainda não experimentou.

Nem sempre o discente aceita de forma fácil ou amigável a essência do professor, que é de quase um pai, do ponto de vista de responsabilidade. Pelo menos é isso que se espera desde a educação fundamental até a superior. Um educador é uma pessoa disposta a transmitir a seu educando conhecimento e vivência, o que é doloroso para ambos.

Entretanto, o que importa realmente é o resultado final, a evolução do educando, que, nos níveis superiores, resulta no aluno se tornando um grande profissional e fazendo diferença em sua vida e na sociedade.

Penso dessa maneira por causa dos meus 26 anos docência, como professor. Por vezes, muitos de meus alunos que me odiaram, hoje são grandes amigos e profissionais de sucesso.

Muitos se chatearam comigo, mas eu não os bajulei, eu não os agradei, eu fiz o que era melhor para que eles se tornassem os melhores, os mais capazes, os mais fortes. Ou seja, se eu tivesse aplicado a eles o conceito puro de cliente, eu iria me preocupar em agradá-los e não em torná-los os melhores!

O mundo não é um mar de rosas, o mundo é um campo de batalhas, onde apenas os mais fortes vão sobreviver e não há lugar para pessoas mimadas.

Se o aluno quer ser bajulado, não serve para ser meu aluno, pois nosso foco é fazer dele o melhor. Essa cultura é tão verdadeira que os melhores alunos se tornam nossos professores.

Educar não é vender conhecimento, educar é preparar o aluno para os desafios de um mundo que avalia não por todos os acertos, mas pelo único erro. Num único erro um médico mata seu filho, em um único erro um engenheiro derruba um prédio, uma ponte e mata centenas de pessoas, em um único erro um economista quebra um país inteiro. Não podemos tratar a educação como um comércio e os alunos como clientes que precisam ser agradados e bajulados, porque a finalidade de educar é preparar e não agradar. O processo de formação e preparação nem sempre é agradável, mas os fins justificam os meios, e o que realmente vale é se tornar o melhor ou estar entre eles.

Portanto, aluno não é cliente e Educação não é comércio. Entendeu ou eu vou ter que desenhar?


* Darwin Pacheco Júnior é professor, especialista em educação superior, é fundador da Dalmass Serviços Educacionais, empresa de Pós-Graduação 100% presencial, líder de mercado no Norte do País.

** Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Educação deve fazer as pessoas se conectarem com seus talentos

A vontade de aprender não é o problema principal nas escolas, mas a própria organização dos sistemas de ensino. É o que defende um dos educadores mais populares do mundo, Ken Robinson, declaradamente contra qualquer forma de padronização do ensino. Com o vídeo Será que as escolas matam a criatividade Robinson foi visto mais de 43 milhões de vezes na plataforma TED [sigla para Tecnologia, Entretenimento e Design], organização global que tem por objetivo disseminar boas ideias. Robinson participou da British Educational Training and Technology (BETT) Show em Londres, onde falou para mais de mil educadores, estudantes e visitantes da feira.

“A educação tem um papel fundamental e profundo em fazer as pessoas se conectarem com os próprios talentos”, defende Robinson. Para ele, as escolas devem ter autonomia para desenvolver as próprias formas de abordagem e dar ênfase a conteúdos que considerarem fundamental para estudantes de determinada região e realidade.

Segundo o especialista, a maior parte dos sistemas educacionais do mundo vão na contramão de valorizar o indivíduo, com massificação e padronização excessiva do que deve ser ensinado e quando se deve ensinar. “Nos últimos 20 anos, os governos têm tentado melhorar a educação e não têm sido bem-sucedidos. Isso ocorre, em parte, porque as pessoas que fazem as reformas não sabem muito de educação e, em parte, porque querem padronizar, tomar controle de tudo, do currículo e outros aspectos. E ainda porque incentivam a competição, seja entre professores, seja entre alunos”, criticou.
Ken Robinson é autor, palestrante e consultor internacional em educação e artes.

Ken Robinson é autor, palestrante e consultor internacional em educação e artes. Por 12 anos foi professor de educação em artes na Universidade de Warwick, no Reino Unido. Ele liderou projetos nacionais e internacionais de educação criativa e cultural no Reino Unido, em outros países da Europa, e também na Ásia e nos Estados Unidos.

Para o consultor, uma vez que as pessoas são diferentes e estão inseridas em contextos diferentes, as escolas deveriam ser capazes de identificar as melhores maneiras de ensiná-los e de fazer com que cada estudante avance em ritmo próprio. “As crianças amam aprender. Aliás, todos amam aprender, mas alguma coisa acontece na maneira como organizamos a nossa escola. Muitas pessoas vão à escola e acabam por não se sentir inteligentes ou capazes. Não porque não sejam, mas porque o sistema não foi capaz de identificar no que eles são bons.”

De acordo com Robinson, todo o sistema educacional deve ser revisto, desde as questões mais fundamentais, como a divisão do aprendizado por idade. “Educamos por idade. Por que? A escola é o único lugar em que separamos as crianças e adolescentes assim. Quando eles saem, não vivem assim. O sistema cria um problema. Alguns aprendem mais rápido ou mais devagar e poderiam ser agrupados independente da idade”, sugere. “A escola é uma comunidade para o aprendizado, para que pessoas aprendam de e com outras. O coração de uma boa escola não é a escola em si, mas a relação entre estudantes e professores. Em termos de espaço físico, as escolas podem ser em qualquer lugar”, acrescenta.

Ciência no Youtube

O youtuber Charlie McDonnell, dono do canal charlieissocoollike e do projeto Fun Science (Ciência Divertida) também esteve no BETT Show. Ele começou a disponibilizar vídeos online sobre ciências quando tinha 16 anos. Hoje, nove anos depois, conquistou mais de 2,3 milhões de seguidores após ser o primeiro youtuber do Reino Unido a conquistar um milhão de assinantes.

“Quero despertar nas pessoas a mesma paixão que eu tenho por ciências. Quando estava na escola, ciências era uma matéria como qualquer outra. Um dia, entendi que não é apenas uma disciplina, mas a forma como o ser humano entende o mundo ao redor e do qual faz parte”, diz. “Se as pessoas se importassem e tivessem um conhecimento mínimo de ciências poderíamos mudar questões como o aquecimento global.”

Para McDonnell, o segredo para conquistar seguidores e despertar o interesse dos espectadores é primeiro estar apaixonado pelo que se está explicando. “Se eu entendo e tenho interesse, esse é o primeiro passo para fazer com que os outros também se interessem. Depois eu tenho simplificar e explicar de uma forma que eu mesmo entenderia”, resume.

McDonnel não foi o único a ganhar fama com conteúdos educacionais no Youtube. Entre os canais da plataforma mais populares no Brasil está Manual do Mundo, com mais de 7,4 milhões de seguidores. O canal se descreve como um lugar para aprender de tudo. Os vídeos ensinam desde fazer uma melancia ter a forma de um tubarão a entender como se faz um skate elétrico.

O BETT Show ocorreu em Londres de 25 a 28 de janeiro. O evento é um dos maiores encontros de educação e tecnologia do mundo, onde diversas empresas e educadores se reúnem para discutir educação e apresentar as tendências de mercado. Conta também com a participação de políticos e ministros da Educação de diversos países.


Fonte: Agência Brasil, em 29/01/2017.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar

Em 2009, o filme "Entre os Muros da Escola", dirigido por Laurent Cantet, expôs ao mundo as dificuldades de um professor para lecionar a língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. No final do filme, ele pergunta aos alunos o que eles aprenderam no ano letivo. Para a surpresa do professor, entre depoimentos sobre terem aprendido as proporções da matemática, sobre vulcões e até mesmo expressões em espanhol, uma aluna diz que não aprendeu nada. Segundo ela, o material oferecido pela escola era inútil, mas ela havia lido livros interessantes por conta própria, como "A República", de Platão. O professor parece aliviado, mas quando a aula acaba, outra jovem se aproxima dele e revela: "Comparado aos meus colegas, eu realmente não aprendi nada (...) não entendo o que fazemos aqui."

Essa situação não é muito distante da realidade de um professor brasileiro nos dias de hoje. "O professor prepara a aula, ensina o conteúdo, passa exercício, prova, recuperação e percebe que o aluno aprendeu o básico do básico, às vezes, nem isso", conta o professor Fábio Ribeiro Mendes, formado em Filosofia e Direito, e especialista em desenvolvimento da autonomia no aprendizado, que desenvolveu um método de aprendizagem ativa, baseado em Oficinas de Estudo.

Há dez anos, Fábio empreende uma cruzada contra o ensino chato, a desmotivação dos alunos e a frustração e cansaço dos professores na prática na sala de aula. Segundo ele, o diagnóstico compartilhado por profissionais de educação mundo afora é que o modelo de aula expositiva tradicional está falido, pois ensina pouco, e não desenvolve as habilidades necessárias para o século XXI. "Os alunos em geral não sabem estudar. Passamos doze anos na educação básica e não temos uma aula de como estudar. E somos cobrados por uma tarefa que não aprendemos a fazer", conta o professor.

Com base em sua experiência como aluno, Fábio desenvolveu o Método de Estudo das Quatro Etapas, que norteia as oficinas. "Mesmo sendo um aluno que tirava notas boas no colégio, eu sabia que não era em função do estudo em casa. Eu achava chato estudar. Mas quando fiz o segundo vestibular para Direito e fui rever o conteúdo do ensino médio, notei que já não achava mais tão chato, pois tinha aprendido a estudar sozinho."

As quatro etapas de estudo: 1ª leitura panorâmica; 2ª seleção e marcação de trechos relevantes; 3ª anotações; 4ª exercícios

O método se baseia em quatro etapas: 1ª leitura panorâmica (rápida e superficial) do material de estudo; 2ª seleção e marcação dos trechos mais relevantes no texto; 3ª anotações das informações mais importantes; 4ª exercícios (formulados pelo professor ou mesmo com base nas dúvidas dos estudantes), que vão testar o conteúdo aprendido e ajudar os estudantes a levantar dúvidas. A vantagem do método, afirma Fábio, é que por meio de um roteiro de oficina de estudos os alunos acompanham as etapas de ensino, e sabem se estão avançando ou não.

Em seu livro "A Nova Sala de Aula", Fábio demonstra como funciona o método na prática. Primeiramente, o professor apresenta aos alunos o material que servirá de base para o estudo, e em seguida, traz as ferramentas (método de estudo), explicando passo a passo cada uma das etapas a serem seguidas. O professor acompanha a prática dos alunos, orientando-os no percurso, porém, é o aluno, em seu próprio ritmo que toma as rédeas de seu aprendizado, lendo e relendo o conteúdo, e mesmo avançando se já o tiver compreendido, até chegar à fase de produção de anotações e elaboração de exercícios. "Estudar não é aquilo que fazemos no colégio, aquilo é receber conteúdo. Estudar é aprender por conta própria com conteúdo inédito. É um mito de que sem um professor não se consegue aprender", diz Fábio.

A principal mudança em relação ao método tradicional, é que as Oficinas de Estudo são centradas no aluno e não no professor. Fábio, no entanto, é enfático em afirmar que seu método não tem como objetivo acabar com a função da escola ou do professor. Ele explica que, enquanto o ensino tradicional é pensado de forma unidirecional, com alguém que sabe o conteúdo passando para alguém que quer aprender, o que ele propõe é trabalhar com um método que possa ser aplicado dentro das instituições de ensino como elas estão estruturadas, com custo praticamente zero, início imediato e protagonismo dos estudantes nas aprendizagem.


Depoimento

"Meu nome é Sandra Hoffmann e sou professora de Matemática em Santa Cruz do Sul (RS), e sou formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Em 2013 assisti a uma palestra do professor Fábio Mendes e fiquei encantada com a proposta de trabalhar com Oficinas de Estudo. Li o livro A nova sala de aula do autor e decidi aplicar a metodologia em duas turmas de 7º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Petituba.

Para isto, fiz pequenas adaptações em relação a proposta do livro. O primeiro passo foi a preparação do material para alunos do 7º ano. Organizei cópias de um livro didático sobre equações do 1º grau e distribui aos alunos. Com a minha orientação, eles realizaram as etapas de leitura panorâmica e marcações.

Na matemática é muito importante ter conhecimento prévio de determinados assuntos. Pensando nisso, propus aos alunos a criação de um glossário matemático. Por isso, levei para a aula outros livros didáticos e dicionários, para que os alunos elaborassem o glossário com as definições dos termos que eles desconheciam. Após a elaboração do glossário, foi proposto que os alunos fizessem suas anotações, seja na forma de um esquema, resumo ou tabela, sem se preocupar com certo ou errado.

Com todas as anotações reunidas realizamos um momento de debate. Foi muito enriquecedor, pois fomos além dos conteúdos propostos inicialmente. Por exemplo, foi debatido sobre a diferença entre as dimensões 2D, 3D e 4D, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse adotado uma aula tradicional. Não foi necessário que eu explicasse o conteúdo para os alunos, mas apenas esclarecer alguns pontos do material e auxiliá-los a fazer as ligações necessárias entre os conteúdos e o material produzido.

Depois disso, os alunos realizaram exercícios diferenciados usando como consulta as suas anotações. Foi muito interessante acompanhar os alunos fazendo as relações das questões com as suas anotações. Muitos quando tinham dúvidas formularam perguntas melhores do que as levantadas nas aulas tradicionais. Ou até mesmo quando faziam a pergunta já percebiam a relação com o conteúdo trabalhado nas anotações, chegando muitas vezes ao raciocínio da resolução sem o meu auxílio direto.

Uma semana após as aulas, eu me reuni com os alunos para avaliar o método. Eles gostaram e pediram que as oficinas fossem realizadas novamente.
"

Fábio admite que é recebido com ceticismo nas escolas em que tem implementado o método. "Chego para fazer formação dos professores e encontro profissionais acoados, que escutam que terão de dar aula diferente do que estão acostumados. É tanto peso que o professor carrega, que eles pensam que terão mais uma carga em seus ombros. Eu mostro que estou ciente com as dificuldades e que trabalhar com as Oficinas de Estudos é um método menos desgastante e com mais resultados", explica.

A principal dúvida dos docentes (e dos pais) é por que o método de aula expositiva tradicional, que educou várias gerações, deixou de funcionar? Fábio explica que alguns anos atrás, antes da massificação da informação, a escola era o único local onde as pessoas tinham a chance de aprender alguma coisa. "Agora com YouTube, Google, Wikipedia, o aluno tem acesso à informação quando quiser. A diferença é que ele não tem ainda a habilidade de saber qual informação é relevante. E é aqui que entra o professor como orientador no percurso de transformar informação em conhecimento."

O método criado pelo professor Fábio vem apresentando bons resultados. Entre abril e maio de 2015, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo testou as Oficinas de Estudo em dez escolas da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste, da cidade de São Paulo, com a participação de 1.102 alunos de diferentes etapas de ensino e 97 professores. O projeto, batizado de Aprendizado ativo no cotidiano escolar - Capacitação de Professores em Oficinas de Estudo, mostra que 89,8% dos alunos avaliaram positivamente as oficinas, superando a meta de 75% de avaliações positivas esperadas. Do total, 97,2% constataram aprendizado sem orientação do professor. E apenas 0,6% dos alunos tiveram uma avaliação negativa do método.

Em relação aos professores, 93,8% avaliaram positivamente a formação. Quanto à capacidade da didática ser replicada pelos professores, os dados mostram que, após uma formação de apenas 3 horas/aula, os professores formados alcançaram resultados similares (86,7% de aprovação, 95,9% de percepção de aprendizado e 2,5% de rejeição) aos do professor-instrutor.

Em 2016, outro estudo foi realizado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com 138 alunos regulares do curso de Filosofia. "Apliquei questionários anônimos na primeira aula ministrada como Oficina de Estudo e também no final do semestre", explica Fábio. O resultado das avaliações positivas (bom ou excelente) caíram levemente (de 95,7% para 93,7%) entre o começo e o fim do curso, com rejeição nula na primeira aplicação e de apenas 0,2% ao final do semestre. "Além disso, após um semestre e aplicações das Oficinas de Estudo intercaladas com debates ou outras atividades, 93% dos alunos afirmaram terem aprendido a estudar melhor por conta própria e 69% afirmaram usar o método das 4 etapas para estudar outras disciplinas".


Fonte: El País Brasil, em 25/01/2017.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Quase 50% dos professores não têm formação na matéria que ensinam

Quase a metade dos professores do ensino médio do país dá aulas de disciplinas para as quais não tem formação específica. O problema atinge redes públicas e escolas privadas e é mais grave em algumas matérias, como física.

Dos 494 mil docentes que trabalham no ensino médio, 228 mil (46,3%) atuam em pelo menos uma disciplina para a qual não têm formação. O número de professores com formação adequada em todas as aulas dadas representa 53,7% do total.

Quase um terço (32,3%) só dá aulas em matérias para as quais não tem formação específica. Outros 14% se desdobram entre a área em que são titulados e outras para as quais não são habilitados. Os dados são do Censo Escolar de 2015 e foram tabulados pelo Movimento Todos Pela Educação. Na comparação com 2012, o quadro praticamente não se alterou.

Esse cenário pode representar um desafio para a diversificação prevista na reforma do ensino médio, em trâmite no Congresso Nacional por medida provisória. Pela reforma proposta, as redes e escolas terão que criar linhas de aprofundamento por área de conhecimento.

Os alunos deverão escolher a área de interesse (entre Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens, Matemática e ensino técnico). Essa parte flexível deve responder por 40% da grade. "Essas linhas de aprofundamento exigem um conhecimento além do trivial, o que vai demandar um professor que entenda das disciplinas e seja bem formado", diz a presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

Sociologia, filosofia e artes registram os piores resultados. Física e química aparecem na sequência, com um número maior de docentes sem habilitação para a área. Somente 27% dos professores que lecionam física no Brasil, por exemplo, têm a formação na área. Há mais licenciados em matemática dando essas aulas: são 29,8%. Em todo o país, 67,5% dos professores de matemática têm formação na área.

Mato Grosso e Bahia têm os menores percentuais de adequação, na média de todas as disciplinas. Na outra ponta, Paraná e Distrito Federal contam com as melhores condições. A situação de titulação adequada não é muito melhor na rede particular. As escolas privadas têm, na média, 58% dos professores com formação em todas as disciplinas que lecionam.

A rede federal, onde estuda somente 1,9% dos alunos do ensino médio, apresenta os melhores resultados, com 73% dos professores nessas condições. Nas escolas estaduais, o percentual é de 53%. As redes ligadas aos Estados concentram 84% das matrículas da etapa.

Segundo Luís Carlos de Menezes, professor da USP e pesquisador de formação docente, os dados são preocupantes. "As aulas ficam muito comprometidas, porque esses professores não dominam os conteúdos mais interessantes das disciplinas."

O principal motivo para essa situação é a baixa atratividade da carreira, diz Menezes. "Os profissionais de todas essas áreas existem, mas eles decidem fazer outra coisa da vida, e não dar aulas."

Um estudo de 2014 do professor José Marcelino de Rezende Pinto, também da USP, concluiu que há profissionais titulados em número suficiente para todas as áreas (com exceção de física). As condições da carreira, entretanto, afastam essas pessoas da docência.

Um professor recebe até 39% a menos do que a média das pessoas de outras carreiras com o mesmo nível de escolaridade. A docência atrai, por consequência, os jovens com os piores desempenhos no ensino médio.

No ensino fundamental, 41% dos professores dão aulas em matérias para as quais não têm formação. "É importante ressaltar que essa é uma visão quantitativa, e não dá conta de explicar a qualidade do docente e das aulas", completa Priscila Cruz.

O MEC (Ministério da Educação) não tem um plano específico de formação de professores para atender as linhas de aprofundamento previstas na reforma. A pasta ressalta, entretanto, que a situação pode ser melhorada com um esforço dos Estados e dos municípios, com apoio da União, e com cursos de complementação pedagógica.

"Isto resolve, em grande medida, questões ligadas ao conteúdo que os professores precisam dominar, assim como a didática que eles precisam conhecer para poder ensinar", afirmou, por meio de nota, a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro.

O PNE (Plano Nacional de Educação) prevê que todos os professores da educação básica possuam formação específica, de nível superior, até 2024. Dos 2,2 milhões de professores do país, aproximadamente 24% dos professores sequer possuem formação de nível superior.

Para monitorar essa meta, o Movimento Todos pela Educação fez a análise a partir das disciplinas dadas nas escolas -e não só da titulação dos professores. Considerou, assim, o número considerável de docentes que dá aulas em mais de uma matéria.

Encarar o desafio de ter professores com formação adequada envolve não só melhorias nos salários e na carreira docente, de forma a atrair estudantes para os cursos de licenciatura. Mas também a qualidade e formato das formações inicial e continuada desses profissionais.

"A gente tem de caminhar para uma formação de professores por áreas [de conhecimento]", defende Priscila Cruz, do Todos pela Educação. "Isso garante que esse professor tenha certa flexibilidade e também favorece a abordagem por projetos".

Já há algumas experiências de cursos de formação de professores por área no país, como na Faculdade Sesi de São Paulo. O aluno entra para se formar em ciências da natureza, ciências humanas, linguagens ou matemática.

O PNE descreve a formação ideal como "curso de licenciatura na área de conhecimento". Os dados do Todos Pela Educação também consideram como adequado o bacharelado com complementação pedagógica na área. Aprovado em 2014, o PNE traça metas para a educação a serem alcançadas no prazo de dez anos.

O professor da rede estadual paulista Marcos Brites, 50, é formado em biologia e em matemática, mas lecionou física nos últimos três anos. Não foi uma escolha de carreira, mas uma necessidade. Com falta de professores da área na rede estadual, o professor decidiu assumir aulas de física para não ter de se dividir em quatro escolas ao longo da semana. Ele já trabalha em três unidades da rede estadual na região metropolitana de São Paulo.

"Preferia dar aulas na minha área, mas peguei as aulas por necessidade. Tive que voltar a me atualizar, rever vários conceitos para que eu pudesse dar o melhor de mim para os alunos", diz ele, que atua em salas dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Brites chegou a cursar aulas de física no curso superior de biologia, o que o habilita a pegar aulas da matéria pelas regras vigentes. Mas, mesmo com a experiência de 31 anos de docência na rede pública, ele mesmo avalia que não é a melhor opção. Sobretudo para seus alunos.

"Há vários assuntos da física, como acústica, eletromagnetismo, a parte de ótica, que eu sequer tive no meu curso superior", diz. "Tem sido grande desafio, mas dou o máximo de mim."

No Estado de São Paulo, levando-se em conta rede pública e privada, 45% dos professores do ensino médio não têm formação específica na área em que atuam. Em física, por exemplo, 71% não têm formação específica.

As aulas têm sido dadas por profissionais com outras formações, como é o caso do professor Brites. Sociologia e filosofia apresentam os piores indicadores. Professores sem a titulação adequada representam 88% e 77% dos docentes nas duas disciplinas, respectivamente. Por outro lado, as aulas de educação física no Estado têm 90,4% dos professores com formação adequada. Em língua portuguesa, esse percentual é de 86,4%.

A secretaria de Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu que uma indicação do Conselho Estadual de Educação permite que docentes com 160 horas de formação em disciplinas correlatas assumam a função em caso de "necessidade". "A prioridade é que os docentes assumam as aulas de sua formação", informou, em nota, a pasta.

Segundo a secretaria, mais de 97% dos professores da rede estadual têm formação superior completa. No entanto, não necessariamente atuam nas disciplinas para a quais são formados. O governo Alckmin autorizou em outubro a convocação de 20,9 mil professores. Eles haviam sido aprovados em um concurso realizado em 2013, mas ainda estavam na fila de espera.

A rede conta atualmente com 210,9 mil docentes, de acordo com dados de dezembro. Os professores da rede estadual paulista não recebem reajuste salarial desde meados de 2014. A regra do Conselho Estadual de Educação com relação à formação adequada dos professores também vale para as escolas particulares. 


Fonte: Folha UOL Educação, em 23/01/2017.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Técnico bancário pode acumular cargo de professor

A acumulação de emprego público nos cargos de técnico bancário e professor da rede estadual é lícita. O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP) ao condenar a Caixa Econômica Federal a pagar indenização por danos morais e materiais a uma trabalhadora que foi obrigada pelo banco a pedir exoneração do cargo de professora. O valor total das indenizações é de R$ 400 mil.

De acordo com o processo, a mulher foi admitida pelo banco em 1989, para o cargo de escriturária, atualmente denominado técnico bancário. Atualmente, ela ocupava a função gratificada de avaliadora de penhor. Em 2009, foi nomeada para o cargo de professora estadual, após ser aprovada em concurso público.

Na petição inicial, alegou que, apesar do exercício do magistério ser em horário compatível com seu trabalho no banco, foi obrigada pela instituição financeira a pedir exoneração do seu cargo de professora, em decorrência da suposta acumulação ilegal de cargos públicos.

Em seu voto, a relatora, desembargadora Suzy Elizabeth Cavalcante Koury, explicou que o caso se enquadra na hipótese prevista no artigo 37, inciso XVI, alínea b, da Constituição Federal, que permite a acumulação de um cargo de professor com outro técnico ou científico. Isso porque, explica a relatora, apesar de exigir nível superior, o cargo ocupado no banco é de caráter técnico, considerando as peculiaridades das funções a ele inerentes.

“De fato, é equivocada e superada a previsão do Decreto 35.956/1954, de utilização, como parâmetro, da formação de nível superior para assim reconhecê-lo, estando, na verdade, relacionado à exigência de conhecimentos específicos e especializados, cuja complexidade esteja acima do domínio das pessoas comuns, embora com igual formação educacional”, explicou a relatora.

Diante destas considerações, foi reconhecida a existência de dano moral a ser indenizado, “na medida em que a situação experimentada pela autora, sem dúvida, provoca vários sentimentos negativos, dentre os quais profunda frustração, o que, como se sabe, compromete o equilíbrio psicoemocional do ser humano”.

Na decisão, o valor estipulado para o dano moral foi de R$ 100 mil. Com relação ao dano material, que objetiva reparar o prejuízo sofrido pelo patrimônio do trabalhadora, o valor foi fixado em mais de R$ 300 mil, calculado considerando o valor mensal que receberia no cargo de professor até completar 75 anos de idade.


Fonte: Revista Consultor Jurídico, em 23/01/2017.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Curso em dia de folga deve ser remunerado como hora extra

O tempo que um trabalhador passou, durante sua folga, fazendo cursos de reciclagem profissional deve ser remunerado como hora extra. Com esse entendimento, a 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou uma empresa de vigilância a pagar pelo tempo gasto por um vigilante patrimonial. A decisão teve fundamento na jurisprudência do TST no sentido de que o período dos cursos obrigatórios feitos fora da jornada normal de trabalho tem de ser pago como serviço extraordinário, pois representa tempo à disposição do empregador. Relator do caso, ministro João Oreste Dalazen, aplicou o artigo 4º da CLT.

Na ação judicial, o vigilante relatou que participava de uma capacitação por ano, e pediu o pagamento das horas por acreditar ser a empresa a única beneficiária da atividade de aperfeiçoamento profissional. Por outro lado, a companhia afirmou que a reciclagem ocorria a cada dois anos, por cerca de quatro horas, e apresentou convenções coletivas da categoria que excluíam do cálculo da jornada extra o período no qual o trabalhador participava do curso.

O juízo da 2ª Vara do Trabalho de Vitória (ES) julgou improcedente o pedido. A sentença esclareceu que a reciclagem está prevista para ocorrer a cada biênio, nos termos do artigo 32, parágrafo 8º, alínea "e", do Decreto 1.592/1995. Como o curso de capacitação é requisito para o exercício da profissão e o funcionamento da empresa, o juiz entendeu que tanto o vigilante quanto a empresa têm de contribuir para o treinamento — o empregador com o custeio das aulas e o empregado com a disponibilidade de tempo, inclusive durante as folgas. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES).

Já no TST, o relator do recurso, ministro João Oreste Dalazen, aplicou ao caso o artigo 4º da CLT, que considera como de atividade efetiva o tempo em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial devidamente registrada.


Fonte: Revista Conjur, 19/01/17.