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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Professora universitária demitida na ditadura receberá R$ 50 mil de indenização

Os crimes de violação de direitos fundamentais da pessoa praticados por agentes do Estado na época da ditadura são imprescritíveis. Com esse entendimento, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região condenou a União a pagar R$ 50 mil de indenização a uma professora da Universidade Federal de Rio Grande (Furg) demitida por motivos políticos durante o regime militar.

A autora do processo era professora na Furg em 1974, quando foi, segundo o processo, despedida devido aos seus posicionamentos político-ideológicos contrários à direção da instituição. Em 1988, ela recebeu anistia política e foi reintegrada à universidade.
A professora ajuizou ação solicitando reparação por danos materiais e morais e teve seu pedido deferido pela Justiça Federal de Rio Grande (RS), que estipulou em R$ 100 mil o valor da indenização. A União apelou da decisão ao TRF-4.

A Advocacia-Geral da União defendeu a prescrição do processo e acrescentou que já há uma ação administrativa cuidando do caso e, portanto, não há necessidade de demanda no Poder Judiciário.
A relatora do processo, desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler, considerou “imprescritíveis as ações em que se discute a violação de direitos fundamentais da pessoa, como o direito à vida, à dignidade e à integridade física, decorrente de atos abusivos praticados por agentes repressores do Estado após a instauração do regime militar em 1964”.

Conforme a desembargadora, a existência de requerimento na via administrativa não impede que o caso seja apreciado pela Justiça.
A 3ª Turma avaliou a gravidade do caso e reduziu a indenização para R$ 50 mil. “Em casos em que ocorreram prisões prolongadas, torturas físicas e psicológicas, exílio e até morte, se tem fixado o valor de R$ 100 mil. Portanto, não seria razoável fixar este mesmo montante em decorrência de afastamento de emprego por razões político-ideológicas”, concluiu Marga.

Fonte: Conjur, em 18/8/2015.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Universidade do Rio de Janeiro terá de pagar R$ 50 mil por reter diploma de aluno

Uma universidade fluminense foi condenada a pagar R$ 50 mil de danos morais a um ex-aluno que se formou em administração em 2004, mas até hoje não recebeu o diploma. A decisão é da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que considerou que a atitude da instituição trouxe sérios prejuízos ao estudante.

Na ação, o autor alegou que a UniverCidade, onde se formou, negou-se a disponibilizar o diploma após ele concluir o curso, por “haver pendência relativa à sua documentação, especificamente por não ter comprovado a sua conclusão no ensino médio”. Ele contou que a falta do documento o levou a perder oportunidades de emprego, assim como de fazer um mestrado em uma instituição de renome.


A faculdade argumentou que não pode entregar o diploma porque o autor não comprovou ter concluído o ensino médio, “um pré-requisito necessário para prosseguir na formação acadêmica”.
A primeira instância julgou o pedido do ex-aluno improcedente por entender que “não há como responsabilizar a UniverCidade pelo fato de não ter entregue o referido diploma, pois, se o tivesse feito, teria ferido ditames legais, muito embora estivesse o autor ciente das pendências existente, sem tê-las sanado”.

O autor recorreu e o caso foi parar na 22ª Câmara Cível. O relator, desembargador Marcelo Buhatem, não aceitou os argumentos da instituição de ensino. Na avaliação dele, “diante da situação consolidada pelo tempo, inviabilizar o aluno de receber a graduação no curso que concluiu, durante quatro anos, com ingresso em subsequente pós-graduação e mesmo mestrado é algo de uma insensibilidade atroz”.


Buhatem verificou que o certificado de conclusão do ensino médio não foi entregue porque a escola onde o autor estudou fechou, e todos os documentos foram encaminhados para a Secretaria de Educação. Segundo o relator, ele errou ao não informar o problema para a universidade, mas isso não isenta a instituição de ter agido com omissão.


Para o relator, a análise da documentação necessária para o ingresso na universidade, em razão da aprovação no vestibular, deveria ter sido feita no momento da matrícula. “Tenho que a recorrida foi omissa em averiguar o reconhecimento oficial do ensino médio cursado pelo demandante, limitando-se, seguindo a lógica fria do mercado, a aceitar a matrícula e, subsequentes renovações, até o término do curso ministrado, chegando mesmo a desempenhar o papel de orador de turma”, destacou.


E emendou: “Repita-se, agindo desse modo visou apenas a obtenção de lucro na prestação dos serviços educacionais em flagrante prejuízo ao estudante [...]. E é justamente em momentos como esse que o Poder Judiciário deve intervir, de modo a não deixar o consumidor ao léu, e fazendo prevalecer o princípio da boa-fé que norteia as relações jurídicas, cabendo ao julgador pautar-se na prudência e no bom senso, evitando-se assim, que seja tido como de todo inútil o tempo do curso já realizado”.


Fonte: Conjur, em 16/8/2015.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Melhores escolas públicas do Brasil estão no Nordeste

O Instituto de Pesquisas e Estudos Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou no dia 5/8 as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 por escola e revelou que as dez melhores escolas públicas do Brasil estão no Nordeste. Ao todo, 15.640 instituições de ensino tiveram os dados divulgados, nas quais 1.295.954 estudantes fizeram o Enem.

A Escola Estadual de Educação Profissional Padre João Bosco de Lima, de Mauriti, no Ceará, está no topo do ranking. Segundo o Inep, são escolas de grande porte – com mais de 90 alunos – que tem indicador de permanência alto, onde mais de 80% dos alunos cursaram todo o ensino médio, e têm alunos de nível socioeconômico baixo ou muito baixo.


Segundo o ministro da Educação, Renato Janine, o Inep está propondo pela primeira vez rankings alternativos à listagem pelas maiores notas. “A primeira da lista não é necessariamente melhor, porque existem fatores externos que podem determinar isso. E do ponto de vista da prestação de serviço, se você quer mostrar às famílias qual a melhor escola para o seu filho, às vezes a primeira da lista pode ser muito pequena, e não ter vaga, ou ter uma política restrita de aceitação de alunos. Então, não é uma informação de serviço muito boa. Queremos aproximar o resultado do mundo real e ver a contribuição efetiva das escolas”, disse.


Janine explicou que o Ministério da Educação está valorizando três fatores nesse ranking. O primeiro é o porte das escolas. “Elas têm geralmente uma nota menor porque lidam com uma complexidade de alunos, que é o mundo real. A escola grande prepara melhor o aluno para o mundo real, mesmo que ela pontue abaixo. Não podemos ignorar que uma escola pequena facilita o trabalho do professor, mas também forma um aluno menos apto a lidar com a complexidade crescente do mundo atual”, disse o ministro.
O Inep divide as escolas de um a 30 alunos, de 31 a 60 alunos, de 61 a 90 alunos e com mais de 90 alunos.

O segundo fator determinante é o de permanência do aluno na instituição. Segundo Janine, há escolas que excluem alunos que não apresentam bom rendimento e absorvem os bons alunos por processos de seleção para o 3º ano. “Você excluir um aluno que está tendo notas ruins aumenta a nota da escola, mas também não é verdadeiro. Não está dando um desenho real de como a escola formou seus alunos, porque ela subtraiu informação”, explicou.


O instituto divide as escolas pelo fator de permanência, entre aquelas que têm menos de 20% dos alunos que fizeram todo o ensino médio na instituição, e as que têm de 20% a 40%, de 40% a 60%, de 60% a 80% e de 80% ou mais.


O fator determinante para o ministro é o nível socioeconômico. “Uma escola com alunos mais pobres, ou mesmo miseráveis, vai ter uma nota inferior. Mas essa escola pode estar fazendo um trabalho educativo mais importante. Ela pode talvez melhorar esses alunos mais do que aquela que  já recebeu o aluno com muita formação e com nível socieconômico alto, apenas dando um pequeno avanço nele”, explicou.

 
O sistema de divulgação do Enem por escola está disponível no site do Inep.


Veja abaixo o ranking das dez melhores escolas públicas dentro dos critérios do Inep - grande porte, indicador de permanência de mais de 80% e que atendem alunos de nível baixo ou muito baixo:


Escola Estadual de Educação Profissional Padre João Bosco de Lima, do Ceará
Escola de Ensino Fundamental e Médio Dep. Cesário Barreto Lima, do Ceará
Escola de Referência em Ensino Médio Coronel João Francisco, de Pernambuco
Escola de Referência em Ensino Médio João Pessoa Souto Maior, de Pernambuco
Escola de Referência em Ensino Médio Barão de Exu, de Pernambuco
Escola de Referência em Ensino Médio Padre Antônio Barbosa Júnior, de Pernambuco
Colégio Estadual Pedro Calmon, da Bahia
Colégio Estadual Dr. Milton Dortas, de Sergipe
Escola de Referência em Ensino Médio Senador Nilo Coelho, de Pernambuco
Escola de Referência em Ensino Médio Manoel Guilherme da Silva, de Pernambuco


Fonte: Agência Brasil, em 5/8/2015.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CNE definirá diretrizes para educação de jovens em atendimento socioeducativo

O Conselho Nacional de Educação (CNE) vai definir diretrizes nacionais específicas para educação de jovens em atendimento socioeducativo. Esta é a primeira vez que isso é feito no CNE. O documento está em fase final de discussão e a intenção é que seja enviado ao Ministério da Educação (MEC) para homologação até novembro deste ano, segundo o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, conselheiro Luiz Roberto Alves. O documento foi discutido no dia 5/8, durante audiência pública na Reunião Ordinária Itinerante do Conselho Nacional de Educação (CNE), que ocorreu em Maceió.

De acordo com a proposta, os jovens devem ter matrícula garantida, independente do tempo que cumprirão a medida. Os egressos também têm direito à educação, não podendo ser recusados pelos sistemas de ensino. O aprendizado deve ser acompanhado, de modo que as dificuldade sejam superadas. Os que estiverem em liberdade assistida ou semiliberdade também deverão frequentar escolas e ter atendimento em turmas regulares, com direito ao anonimato da situação judicial.


"Esses jovens estão em um dos setores da sociedade menos lembrados. Eles têm o direito de estudar. A Constituição não faz distinção de ninguém", disse Alves. Segundo ele, as normas deverão padronizar o atendimento no país.


No Brasil, os últimos dados, de 2013, indicam que 23 mil adolescentes cumprem medidas socioeducativas, seja em internações, em regime de semiliberdade ou internação provisória, conforme o Levantamento Nacional sobre o Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei.


Segundo o CNE, atualmente esses jovens representam 0,04% do total de matrículas no ensino básico no Brasil. "É uma parcela ínfima, mas simbólica. Se fizermos mal com eles, se educarmos mal esse grupo, não posso garantir que estamos educando bem os demais jovens", explicou Alves.
Entre as questões demandas pelos que participaram da audiência, uma das principais é maior clareza sobre a formação dos professores que atuarão com esses adolescentes. 

"Tenho adolescentes que começam a aprender o próprio nome na unidade. Adolescentes que recebem o primeiro 'não' da vida, porque têm famílias desestruturadas, porque não foram atendidos no sistema de educação", informou o superintendente de Assistência Socioeducativa de Alagoas, Elizabeth Kümmer Sales. No estado, funcionam oito unidades socioeducativas, sendo sete em Maceió. Em todo o sistema, são atendidos 268 adolescentes, quase o dobro da capacidade, que são 144 jovens.


Segundo Elizabeth, há jovens que querem fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular. "O adolescente sem acesso à educação também não terá ao trabalho. Consequentemente, ele terá de realizar outros atos infracionais para se manter vivo. Com educação, conseguiremos descartar essa possibilidade dele voltar a cometer infrações", esclareceu.


Quatro jovens que cumprem medidas socioeducativas em Maceió participaram da audiência pública. Para L.B., 18 anos, a educação mudou sua vida. M.K., 16 anos, pediu mais investimentos. "Encontrei pessoas que acreditam em mim. Quero mudar."


Na audiência também foi lembrada a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crime hediondo."Estamos em um momento que preocupa", afirmou o conselheiro José Fernandes de Lima. A Câmara dos Deputados ainda não tem data para votar a PEC em segundo turno. Caso aprovada, o texto seguirá para análise do Senado Federal.


Os conselheiros pretendem levar a discussão da educação para jovens que cumprem medidas socioeducativas  ao Senado Federal. Querem também parceria de outras pastas e assinar normas em conjunto com os ministérios da Justiça, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Saúde e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.


Fonte: Agência Brasil, em 5/8/2015.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Escola de teatro Martins Pena enfrenta crise

No ano do bicentenário do dramaturgo e percursor da comédia no teatro brasileiro, Martins Pena, a escola que leva o seu nome, no Rio de Janeiro, gratuita e uma das mais antigas da América Latina, enfrenta uma crise. No local onde se formaram Denise Fraga, Joana Fomm e, mais recentemente, o dramaturgo-revelação Jô Bilac, faltam professores, funcionários e as instalações estão com problemas de infraestrutura, que ameaçam quem circula pelo local.
Nem as atividades de comemoração dos 100 anos entusiasmaram turmas que voltaram às aulas na última semana. Sem professores, muitos correm o risco de se juntar àqueles que deveriam ter se formado em julho, mas não puderam por falta de professores. “Eu sou uma delas”, disse Rebecca Leão, ex-integrante do Grêmio Estudantil, que não conseguiu cursar aulas de voz.


Segundo a estudante, todos os contratos com os professores dessa cadeira venceram e não foram renovados. Sem o diploma, ela diz que não é possível obter a licença para trabalhar. “Quem se forma na escola, obviamente consegue o registro. Que não tem diploma, precisa provar que tem larga experiência profissional e pagar uma taxa de R$ 300”, informou.


Técnico de iluminação da Martins Pena, Leopoldo Barbato diz que além da falta de professores para dar aulas de Iluminação e figurino, trabalhar na Martins Pena é correr risco de morte. “A parte estrutural do prédio está bem degradada, principalmente o casarão”, disse. “São paredes rachadas, janela caindo, madeira [de pilastras e móveis] com cupim, a parte elétrica com problema, enfim, há risco de acidentes que podem ser até fatais”, acrescentou.


Para chamar a atenção, em maio a comunidade escolar fez uma série de manifestações. Na ocasião, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio anunciou a criação de um grupo de trabalho, incluindo as secretarias estaduais de Educação e Cultura. No entanto, quase três meses depois, a própria escola não indicou representantes para o grupo, que não começou a trabalhar.

“A escola precisa participar para a gente saber o que precisa fazer e, depois, poder cobrar o que foi pactuado”, diz o deputado Zaqueu Teixeira (PT), presidente da Comissão de Cultura.


Vinculada à a Fundação de Apoio à Escola Técnica e à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, a Escola Martins Pena passou agora por uma troca de diretores. Saiu Roberto Lima, que fica como professor, substituído na direção por Marcelo Reis. A Agência Brasil solicitou uma entrevista com o gestor, mas após de três dias ainda não foi atendida.


Quem acompanha a cena teatral no país lamenta a situação. O premiado dramaturgo Jô Bilac -- laureado com um Prêmio Shell, um dos mais importante do país – ex-aluno da Martins Pena, disse que a escola foi um divisor de águas em sua carreira. “Tinha o desejo muito grande pela escrita, descobri o teatro, mas não sabia onde poderia aprender dramaturgia”, afirmou ele, que pode desenvolver suas habilidades na escola de teatro, sob várias perspectivas.


“A Martins pena é fundamental, além de ser de graça, ela fomenta a arte com os alunos, forma o artivista (artista + ativista), que tem a chance de conviver com grandes profissionais da cena e promotores do teatro pelo Brasil, como professores. Não adianta ter só uma cidade cheia de salas de teatro e não investir em quem vai ocupar esses espaços”, acrescentou Bilac.


Fonte: Agência Brasil, em 11/8/2015.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TRF proíbe UFF de estipular idade para candidato cotista

A 7ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) proibiu a Universidade Federal Fluminense de estabelecer no edital do vestibular a idade mínima de 25 anos para candidatos de cota social que tenham obtido o certificado de conclusão do ensino médio pelo exame supletivo. Segundo o colegiado, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diferencia a formação regular e a supletiva.

A decisão foi proferida no julgamento de um recurso da UFF que questionava a decisão de primeiro grau em favor de um estudante que havia prestado vestibular para o curso de Direito. O programa de ações afirmativas da universidade prevê a bonificação de 20% na nota final da seleção para os candidatos que atendam aos critérios de cotas da instituição.


Segundo a universidade, a fixação de idade mínima pretende valorizar alunos do ensino médio, que estariam mais bem preparados para a vida acadêmica, assim como evitar que candidatos com idade escolar compatível com o ensino regular obtenham o certificado de centro supletivo apenas para ter direito às ações afirmativas.


Em razão da limitação, o estudante ajuizou ação na Justiça Federal de Niterói. Na época, ele tinha 20 anos e fez o preparatório para o exame supletivo em uma escola pública estadual de Belém. A decisão de primeira instância foi favorável ao autor e, por causa disso, a UFF apelou ao TRF-2.


Para o relator do processo, desembargador federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, a Lei 12.711/12, que dispõe sobre o ingresso nas universidades, não faz qualquer diferenciação entre candidatos em razão da idade ou de serem certificados por curso regular ou supletivo. Segundo o desembargador, o que a sentença judicial fez foi adequar "a exigência editalícia às disposições legais sobre o tema". 


Fonte: Conjur, em 4/8/2015.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Dificuldades para utilizar a tecnologia dentro da sala de aula

Utilizar a tecnologia para auxiliar o ensino dentro da sala de aula já é visto como algo bom por 92% dos professores brasileiros. Mesmo percentual, considera positiva a capacitação profissional para a aplicação dessas tecnologias em sala, segundo pesquisa realizada pela Fundação Lemann. De acordo com os dados divulgados, os professores, em sua maioria, consideram positivo o uso de recursos tecnológicos e defendem a formação para melhorar o trabalho em sala de aula. No entanto, a TIC Educação, divulgada em 2013 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil – entidade oficial que coordena serviços da web no país - mostrou que apenas 2% dos professores brasileiros usam a tecnologia como suporte em sala de aula.

O Brasil tem 190 mil escolas de ensino básico, das quais 150 mil são públicas. Já foi constatado que o número de computadores nas escolas públicas é insuficiente, além do que, eles costumam ser instalados em locais inadequados ao uso pedagógico e a conexão à internet tem baixa velocidade. De acordo com o Censo da Educação Básica de 2013, realizado anualmente pelo Ministério da Educação, 48% das unidades públicas ainda não têm computadores para uso discente; 50,3% têm acesso à internet e há um computador para cada 34 alunos. A banda larga está presente em 40,7% das unidades. Além disso, falta capacitação aos professores para usar pedagogicamente as tecnologias dentro da sala de aula.

Como já falei diversas vezes em outros artigos, acredito que para falar a mesma língua das crianças e adolescentes, os educadores precisam saber explorar o potencial dos novos recursos tecnológicos. Porém, os números mostram que a tecnologia ainda não faz parte da escola pública no país. Os principais obstáculos são o precário acesso a equipamentos e a falta de um olhar específico para a tecnologia nas políticas de formação de professores.

Existem escolas com infraestrutura básica extremamente ruim, sem energia elétrica, por exemplo, o que impossibilita o uso de aparelhos eletrônicos. Além disso, o uso das novas tecnologias no ensino ainda é pouco abordado nos cursos de pedagogia e licenciaturas. Apenas 44% dos professores entrevistados no estudo do Cetic.br cursaram alguma disciplina sobre uso do computador e internet na graduação.

Na tentativa de levar as tecnologias digitais para as escolas públicas, o Ministério de Educação e Cultura (MEC) até criou projetos, como o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), que leva computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais às escolas, o projeto Um Computador por Aluno (UCA), que distribui netbooks para os estudantes e, mais recentemente, a distribuição de tablets para os professores do ensino médio. Para promover o acesso à internet há ainda o Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE) e outras ações, como o Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado), que orientam os educadores sobre o uso dessas tecnologias.

Os projetos podem até estar na direção certa, mas é fato que a qualidade e a quantidade de recursos para que eles alcancem bons resultados ainda são insuficientes. O governo federal reforça a necessidade das escolas estarem conectadas e das tecnologias pedagógicas serem disseminadas na rede pública de ensino. A ideia é boa, mas de nada vão adiantar bons projetos, se ainda faltam investimentos em infraestrutura e suporte técnico.


* Por Marcos Abellón, diretor geral da W5 Solutions que criou o Q2L - ferramenta multiplataforma de aprendizado, que utiliza conceitos de gamification para apresentar seu conteúdo ao aluno/jogador e tem disponível: os idiomas inglês e espanhol, além das disciplinas do Ensino Médio. Mais informações em: www.q2l.com.br

 * Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Fábrica de Escolas: legado olímpico na educação

Há um ano do início dos jogos, a construção de escolas na Zona Oeste do Rio segue acelerada com 75% dos terrenos em construção
A Olimpíada não só traz benefícios para as cidades sedes na área de mobilidade urbana e infraestrutura. Ela gera um investimento que pode ser aplicado em outras áreas da sociedade. No Rio de Janeiro, o programa Fábrica de Escolas do Amanhã entra nesse escopo e deixará como legado olímpico 136 novas unidades escolares e a reforma e ampliação de 77 prédios já existentes. O objetivo do programa é, até 2016, ter 35% dos alunos estudando em turno único, com sete horas de aulas por dia.


Moradores da zona oeste do Rio de Janeiro, região mais beneficiada pelo programa, começam a visualizar como ficarão as 28 unidades escolares do Fábrica de Escolas, que atenderão crianças e adolescentes da região. Em 15 terrenos as estruturas estão montadas e em outros seis a construção das escolas encontra-se na etapa final, o que significa que as obras avançam em 75% dos terrenos.


As novas unidades escolares pertencem ao terceiro lote do projeto que atenderá os bairros de Realengo, Bangu, Campo Grande, Inhoaíba, Santíssimo e Cosmos. A Construtora Norberto Odebrecht foi contratada pela Rio-Urbe, por meio de concorrência pública, para construção dessas unidades, que terão 456 salas de aulas e atenderão 13.260 alunos da rede pública. O cronograma da obra prevê que, até o final de 2015, nove escolas sejam entregues à população. As unidades restantes serão finalizadas no primeiro semestre de 2016.


Entre as 136 unidades escolares, 48% serão Espaço em Desenvolvimento Infantil (EDI), 35% de Ca-Pri (Primário) e 17% para o Ginásio.


As escolas são fabricadas em quatro espaços distintos, localizados nas Zonas Norte e Oeste do Rio, que são responsáveis pelo armazenamento, logística e construção das unidades escolares. O programa homenageia o ex-governador Leonel de Moura Brizola que, de 1983 a 1987 e entre 1991 e 1994, construiu 515 Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) em todo o Estado, 101 dos quais estão atualmente sob administração do município.


* Gabrielle Campos
* Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Matemático premiado pede cuidado nos cortes de recursos para pesquisa

O pesquisador do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Artur Ávila, disse que entende o momento de dificuldade econômica do Brasil, mas defendeu que haja cuidado nos cortes de recursos destinados à pesquisa no país, em especial na área de matemática. Artur ganhou no ano passado a Medalha Fields, considerada no meio acadêmico o Prêmio Nobel de Matemática, e foi o primeiro brasileiro a conquistar a premiação.

O pesquisador, que participou da cerimônia de entrega de medalhas da edição 2014 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), no Theatro Municipal (20/7), no centro do Rio, é inspiração para os alunos que se destacaram na competição e fez uma palestra, pela manhã, no Rio, para os medalhistas.


Para ele, esses jovens estão aproveitando as oportunidades, sem deixar de se divertir: “A olimpíada ajuda muito na motivação porque o aluno está em um ambiente que estimula mais a criatividade e a imaginação. Isso deixa a coisa mais divertida e saudável”.


O matemático diz que, por desconhecimento, muitas pessoas sentem repulsa pela matéria e isso pode prejudicar o entendimento. Ele ressalta que existem dificuldades educacionais no Brasil que impedem o aproveitamento de talentos, mas fica satisfeito em ver tantos jovens incentivados para o estudo da matemática.
“Todos esses garotos que estão aqui entusiasmados certamente vão continuar aprendendo e vendo que o objetivo está sendo alcançado aos poucos. Ainda tem muito a ser feito, mas isso aqui é uma parte importante”, avalia.

O professor Geraldo Amintas, da Escola Estadual Teresinha Pereira, de Dores do Turvo, na zona da mata de Minas Gerais, foi um dos dez professores homenageados na cerimônia pela participação dele nos dez anos da Obmep. Segundo ele, houve evolução dos alunos neste período e as competições, além de gerarem medalhas e prestígio para professores e  escola, fizeram com que o ensino de matemática ganhasse uma nova dimensão. “Hoje, temos um número muito maior de alunos interessados em matemática e também dos que deixaram a escola após concluírem o ensino médio e estão em universidades, grande parte cursando a área de exatas”, explica Amintas.


O professor, de 55 anos, acrescenta que, de acordo com um ranking divulgado no ano passado pelo Impa até a nova edição da Obmep, a cidade de Dores do Turvo, proporcionalmente era o primeiro lugar do Brasil em número de premiações na olimpíada. A Obmep representou uma mudança na forma de Amintas trabalhar o conteúdo escolar, garante ele.


“Desde que eu comecei a trabalhar com as olimpíadas, nós não deixamos as práticas tradicionais que são necessárias, como algumas coisas de memorização, das quais não se pode abrir mão, mas incorporei muitas coisas novas para mostrar ao aluno que matemática pode ser divertida, mais do que resolver uma equação”, diz Amintas.


O professor disse, no entanto, que a medalhas conquistadas só têm sentido e importância quando ela gera no aluno o desejo de continuar e de melhorar: “Se aquela medalha você guardou na gaveta e no futuro não conseguiu dar sequência aos estudos, com o tempo será um objeto velho, perdido dentro de uma gaveta”.


De acordo com Geraldo Amintas, o grande problema ainda do aluno de escola pública é ele não acreditar no potencial que tem. Na avaliação dele, é costume se fazer tanta crítica à escola pública brasileira que o aluno passa a ter o sentimento de que não é bom. O professor diz que, após participar da Obmep, o jovem começa a ter outro comportamento: “Quando o menino consegue medalha de ouro, entre quinhentos alunos em um universo de mais de 18 milhões de crianças, é óbvio que a autoestima dele aumenta. Começa a perceber que a escola em que ele estuda não é o que falam dela. Essas vitórias nas olimpíadas geraram alunos mais confiantes”.


Entre os premiados, muitos comprovam o que o professor destacou. Gabriel Fazoli participou sete vezes da olimpíada e ganhou medalha de outro de 2008 a 2014. Agora faz o primeiro ano do curso de matemática na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto. “Sempre gostei de matemática e acho que é um campo em que posso me dar bem. Pretendo ficar na área científica, de pesquisa, dar aula na própria universidade”, afirma Gabriel.


Fonte: Agência Brasil, em 21/7/2015.

sábado, 1 de agosto de 2015

MEC vai financiar pesquisas de história de personagens e de conflitos no Brasil

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) vai lançar dois editais para incentivar a pesquisa histórica: um sobre biografias de personagens e outro sobre conflitos históricos. Os editais serão para pesquisadores de pós-graduações recomendadas pela Capes e os projetos começarão a ser financiados no ano que vem.

O edital sobre biografias será voltado a pesquisas sobre pessoas ou grupos que tenham influenciado a história do Brasil republicano, a partir de 1889. Esse edital é voltado para todas as áreas do conhecimento, tanto para pesquisadores individuais quanto para grupos de pesquisa.


O edital sobre conflitos históricos vai incentivar a produção de livros que enfoquem revoltas, rebeliões populares, lutas armadas, manifestações populares, entre outros conflitos, também a partir de 1889. O edital será para grupos de pesquisa das áreas de ciências humanas e sociais, como antropologia, artes, ciências políticas, ciências sociais aplicadas, educação, história, literatura e linguística e sociologia. Os grupos deverão envolver mais de uma instituição de diferentes regiões brasileiras.


Os projetos selecionados pelos dois editais poderão financiar, com recursos da Capes, bolsas de iniciação científica e mestrado no valor de R$ 1,5 mil, e de pós-doutorado, com R$ 4,1 mil mensais, além de passagens aéreas e diárias para missões de pesquisa no Brasil e despesas com material bibliográfico, entre outras.


Os editais serão lançados em um contexto de ajuste fiscal. Pelo Facebook, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, esclareceu que os desembolsos com os editais serão feitos a partir do primeiro semestre de 2016.


Este ano, somente a educação teve corte de R$ 9,4 bilhões, e a Capes foi uma das instituições atingidas pelo contingenciamento. Em nota publicada no final da semana passada, a Capes diz que o repasse para os programas de pós-graduação será de 90% do previsto para 2015, o que totaliza R$ 1,65 bilhão.


Também pelo Facebook, Janine disse que apesar do corte, o número de bolsas será mantido. Segundo ele, "os programas continuarão a poder atender novos alunos e a dar-lhes bolsas. Onde está ocorrendo redução é no custeio, e é bom lembrar que toda universidade tem seu orçamento próprio, de modo que a Capes não é a fonte única para seu custeio".


Janine ressalta ainda que "se a situação não é ideal, nem por isso se justifica pânico ou alarme".


Fonte: Agência Brasil, em 13/7/2015.