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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Alunos mais pobres ampliam presença em universidades públicas

A participação dos 20% mais pobres da população brasileira na universidade pública aumentou quatro vezes entre 2004 e 2013, segundo a Síntese de Indicadores Sociais. De acordo com a pesquisa, esses alunos representavam 1,7% do total em 2004 e passaram a ser 7,2% em 2013.

Ao mesmo tempo, a participação dos 20% mais ricos caiu de 55% para 38,8% no período. O mesmo fenômeno ocorreu nas universidades privadas, em que a participação dos 20% mais ricos caiu de 68,9% para 43%, enquanto a dos mais 20% pobres cresceu de 1,3% para 3,7%.


“Houve políticas de ampliação de vagas e outras [medidas] como o ProUni [Programa Universidade para Todos] e as cotas, mas também houve aumentos da renda e da escolaridade média [do brasileiro]”, disse a pesquisadora do IBGE Betina Fresneda.


Houve ainda redução da distorção idade-série dos jovens de 15 anos a 17 anos, o que significa que um número maior de alunos está cursando a série adequada à sua idade, isto é, o ensino médio. Se em 2004 apenas 44,2% dos alunos dessa faixa etária estavam no ensino médio, em 2013, o percentual subiu para 55,2%.


Aqueles, nessa idade, que ainda estão no ensino fundamental caíram de 34,7% para 26,7% no período. O número de jovens que não estudam também diminuiu de 18,1% para 15,7%. “Ainda há atraso, que é reflexo do problema que vem desde o ensino fundamental”, explica Betina.


Os alunos de 13 anos a 16 anos que ainda estavam fora da série adequada eram 41,4% em 2013, apesar de o número ter caído, já que em 2004, esse percentual chegava a 47,1%.


Fonte: Agência Brasil, em 17/12/2014.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cúpula Ibero-Americana aprova aliança para estimular intercâmbio estudantil

A constituição de uma aliança para a mobilidade acadêmica, que promova o intercâmbio de 200 mil estudantes em cinco anos, foi uma das conclusões da 24ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. 

Na reunião, que terminou no dia 9/12, na cidade mexicana de Veracruz, ficou decidido que a próxima cúpula ocorrerá na Colômbia, em 2016 – concretizando-se assim a passagem da periodicidade desses encontros, até agora anuais, para de dois em dois anos.


Entre os documentos aprovados na 24ª Cúpula Ibero-Americana está também o apoio a um plano de alfabetização e aprendizagem ao longo da vida.


O encontro também aprovou novamente um comunicado pelo fim do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba – posição já assumida em cúpulas anteriores.


Fonte: Agência Lusa, em 10/12/2014.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

TRT fecha acordo de R$ 150 milhões com professores da Uerj

Um acordo de quase R$ 150 milhões pôs fim a um processo trabalhista movido por professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que já durava 25 anos. A solução mediada foi homologada pela Coordenadoria de Apoio à Efetividade Processual do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região na quarta-feira (3/12) e beneficiará 1,5 mil docentes.

Na audiência presidida pelo desembargador Cesar Marques Carvalho, as partes acertaram que o pagamento será feito mediante a expedição de precatórios, sendo R$ 131.140.522,73 em favor dos substituídos pelo Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro, que assina a ação em nome dos professores, e R$ 18.496.647,74 referente à multa processual que deverá ser paga em favor da entidade sindical.

Até a promulgação da Lei 8.112/1990, que instituiu o regime jurídico único dos servidores civis, os professores da Uerj eram contratados pelo regime celetista, e por essa razão os docentes ingressaram na Justiça do Trabalho, por meio do sindicato, para pleitear verbas trabalhistas. Iniciado em 1989, o processo finalmente chegou ao fim. O valor total do acordo, de quase R$ 150 milhões, chama a atenção. Só na Semana Nacional de Conciliação, o TRT-1 homologou R$ 65 milhões em acordos.

A Coordenadoria de Apoio à Efetividade Processual abriga as atividades do juízo auxiliar de conciliação em 1º e 2º graus, instituído pelo TRT-1 para incentivar a conciliação nos processos em andamento nas varas do trabalho, no tribunal ou ainda pendentes de julgamentos no Tribunal Superior do Trabalho. Trabalhadores e empresas com processos em andamento no TRT-1 que tenham interesse em conciliar, devem enviar um e-mail com os nomes das partes e com o número do processo para conciliar@trt1.jus.br.


Fonte: Conjur, com informações da assessoria de imprensa do TRT-1, em 8/12/2014.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Professor consegue férias de 60 dias com base em estatuto mais benéfico

Um professor de ensino superior admitido em 1974, quando o estatuto da universidade em que lecionava previa o direito a férias de 60 dias para o corpo docente, conseguiu na Justiça do Trabalho o direito de ser indenizado por todos os anos em que não usufruiu das férias como previsto. A decisão se deu em processo contra a Fundação Universidade de Passo Fundo (RS).

O professor foi admitido na vigência do Estatuto do Professor da universidade de 1972 e, no curso do contrato, suas férias foram alteradas para 30 dias anuais. Em 2007, ele buscou em juízo o direito ao reconhecimento das férias mais amplas, alegando que o regra anterior era mais benéfica que as atuais. A Fundação Universidade de Passo Fundo afirmou que o professor havia aderido ao novo Regimento Geral da Universidade, cujo artigo 131 estabelecia férias de 30 dias.


A 2ª Vara do Trabalho de Passo Fundo destacou que o estatuto de 1972 estava vigente quando da contratação, e o de 1979 manteve o direito a férias de 60 dias. Por tal razão, deferiu o pagamento do período complementar, com acréscimo de um terço e em dobro, relativo a vários períodos aquisitivos.


O Tribunal Regional do Trabalho manteve a sentença. O entendimento foi o de que, por consistirem em normas menos benéficas, as alterações estatutárias implicariam afronta à Súmula 51, item I, do TST, que afirma que as cláusulas que alterem vantagens anteriores só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento, assim como ao artigo 468 da CLT, que proíbe modificações unilaterais em prejuízo do empregado.


O TST, ao examinar recurso da Fundação, entendeu que a decisão do Regional está de acordo com a Súmula 51, e não conheceu (não entrou no mérito) da matéria. A decisão, unânime, foi tomada com base no voto da relatora, ministra Kátia Magalhães Arruda.



Fonte: Buscajus com TST, em 9/12/2014.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Apenas 54,3% dos jovens concluíram ensino médio até os 19 anos em 2013

Levantamento divulgado pelo movimento Todos pela Educação mostra que, em 2013, apenas 54,3% dos jovens brasileiros conseguiram concluir o ensino médio até os 19 anos. O indicador foi calculado com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013.

O índice, no entanto, vem apresentando melhora ao longo dos anos. Em 2007, 46,6% dos jovens concluíram o ensino médio até os 19 anos. Em 2009, foram 51,6% e, em 2012, 53%.
Uma das metas propostas pelo Todos pela Educação para que se garanta educação de qualidade é que até 2022 pelo menos 90% dos jovens concluam o ensino médio até os 19 anos.

A coordenadora-geral do movimento, Alejandra Meraz Velasco, diz que os dados mostram que as melhorias feitas no ensino fundamental não se traduziram em melhoria automática no ensino médio. Ela defende a reformulação do ensino médio, de forma a tornar essa etapa mais atrativa aos jovens.


“Temos a necessidade de reformular o ensino médio, ter um ensino médio que converse mais com os jovens. Temos hoje, na maioria dos estados, um número exagerado de disciplinas”, acrescenta.

No ensino fundamental, a conclusão até os 16 anos foi alcançada por 71,7% dos jovens. 


A meta definida pelo Todos pela Educação é que até 2022 pelo menos 95% dos jovens completem o ensino fundamental até essa idade.
 
O levantamento mostra ainda que ao se levar em conta a raça, a parcela de jovens negros que concluem os ensinos fundamental e médio mais tarde é maior que a dos jovens brancos. Os declarados brancos que concluíram o ensino fundamental aos 16 anos são 81% e os que concluíram o ensino médio aos 19 anos são 65,2%. Em relação aos negros, esses percentuais são 60% e 45%, respectivamente.


“O indicador tem grande impacto e mostra que ainda há grande disparidade. Vemos um abismo entre raças, entre o meio urbano e o rural e de faixa de renda. Vemos a brecha do acesso se fechando”, diz Alejandra Velasco.


A distorção entre a idade e a série vem diminuindo gradualmente desde 2007. Apesar da redução contínua, no ano passado 33,1% dos alunos do ensino médio estavam com atraso escolar já no 1° ano, segundo o levantamento. A diferença de dois anos entre a idade do aluno e idade prevista para a série em que ele deveria estar matriculado é o parâmetro utilizado no cálculo da distorção idade-série.


“Essa distorção é provocada, em boa medida, pela reprovação. E esse histórico de fracasso escolar vai, no longo prazo, contribuir para o abandono escolar” diz a coordenadora-geral do Todos pela Educação, Alejandra Velasco. Uma alternativa para o problema, segundo ela, é o reforço escolar ao longo do ano letivo para que o estudante chegue ao final da série com o conhecimento adequado e não seja reprovado.


Fonte: Agência Brasil, em 8/12/2012.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Publicidade AC/DC (Antes e Depois do Computador)

O livro “Publicidade AC/DC (Antes e Depois do Computador) – Entrevistas, casos e curiosidades narrados por quem viveu esse marco divisório da profissão” trata da revolução silenciosa, sem precedentes, ocorrida há vinte e poucos anos, e que trouxe completa mudança na estrutura e também no status do mercado publicitário. Os autores são o publicitário Edson Scorcelli e a jornalista Cristina Vaz de Carvalho.
 
A motivação deste livro foi mostrar, tanto para a nossa quanto para as gerações posteriores, que trabalham ou pretendem trabalhar na área de comunicação, um registro do antes e do depois da chegada da computação e da internet ao mercado da propaganda e, por que não dizer, às nossas vidas. Os casos mostrados neste livro, às vezes curiosos, às vezes engraçados, de períodos AC e DC, são reais e foram pinçados da memória de um dos autores. A ordem dos fatos não é cronológica, para demonstrar que são flashes, lembranças de momentos da história pessoal de um profissional de criação. Mesmo os estudos de caso, sob o ponto de vista dos negócios, são tratados de maneira leve e coloquial.
 
O livro traz ainda depoimentos, sob a forma de entrevistas, de nomes representativos de diversas áreas da publicidade. Eles contam como ocorreu, na vida profissional, a passagem do trabalho analógico para o digital, e o que isto significou, em termos de conteúdo, para cada função exercida em uma agência, além de algumas reflexões acadêmicas dos que hoje se dedicam ao magistério. Para quem está chegando ao mercado, há também exemplos de trabalhos da época e quadros explicativos das principais atividades nas empresas de comunicação.
 
Os três estilos de texto o testemunhal e estudo de casos, o jornalístico das entrevistas, o descritivo e ilustrado das atividades se alternam e complementam no decorrer da narrativa. O livro tem memória para os saudosistas, e História descontraída para as novas gerações.
 
Lançamento:
Dia 17 de dezembro, 4ª feira, às 19h
Blooks Livraria, Espaço Itaú de Cinema
Praia de Botafogo, 316
(Estacionamento gEpark Praia de Botafogo, 348)
Carmen Pereira

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Alunos de inglês da rede pública obtêm certificado da Universidade de Cambridge

Cinquenta crianças da rede municipal de ensino do Rio receberam (2/11) da secretária municipal de Educação, Helena Bomeny, certificados de proficiência em inglês da Universidade de Cambridge, da Inglaterra. Segundo a secretária, o Programa Criança Global foi criado para cada vez mais qualificar alunos das escolas. “Os estudantes fizeram a prova e passaram. Eles obtiveram o primeiro diploma e passarão por outros exames até receberem o certificado geral de Cambridge”.

A entrega dos certificados da Universidade de Cambridge faz parte do programa que tem como objetivo universalizar e intensificar o ensino de inglês na rede pública. De acordo com a prefeitura, os alunos do 1° ao 3º ano do ensino fundamental têm uma aula semanal do idioma, enquanto que os estudantes do 4º ao 9° ano têm dois tempos semanais, com ênfase na comunicação oral.


A secretária afirmou que isto é um motivo de muito orgulho. “O interessante é que quando abrimos o concurso, exigimos prova oral dos professores para que pudessem dar aula. As maiores notas dos alunos foram justamente nessa área. As crianças estão realmente falando a língua inglesa”, afirmou.


Serão contemplados 1.138 estudantes do 5°e 6° anos, dos Ginásios Experimental Olímpico Juan Antonio Samaranch , Felix Mielli Venerando, e  de outras escolas municipais. A avaliação foi dividida em duas fases: prova oral e escrita, para verificar  os níveis de conhecimento das crianças na língua inglesa.


O aluno Miguel Ângelo Costa Cabral, de 12 anos explicou a razão que motivou sua preparação para a prova. “Desde que era mais novo, gostava de assistir a uma série  científica pela TV britânica, Doctor Who e queria conhecer os atores. A importância do inglês para mim é ter um conhecimento a mais, evoluirmos. Isso não é importante somente para mim, mas para todo mundo, porque muitas pessoas têm esta paixão que  tenho pelo inglês”, explicou.


A dona de casa Andreia Francisca dos Santos, de 40 anos disse que o filho, de dez anos já demonstrava interesse em aprender inglês por meio de jogos e ao assistir filmes pela  televisão. “Em casa, o que ele não sabe procura no tradutor utilizando a internet. É um incentivo para ele, acredito que com o certificado, ele vai se dedicar, se empenhar mais, até fazer um cursinho de inglês daqui por diante”.


A secretária Helena Bomeny disse, que foram implantados o ensino bilíngue de língua inglesa em quatro escolas, localizadas em diversas regiões da cidade (Complexo do Alemão, Pavuna, Jacarepaguá e Campo Grande), objetivando a introdução de metodologias e práticas de ensino desde a educação infantil até o 6° ano. A estimativa é  implantar até 2016 em outras seis comunidades.


A coordenadora do Programa Criança Global no Complexo do Alemão, Glaucia Moraes, que nasceu na região, disse que vários eventos foram feitos para motivar os alunos a usar o inglês na maior parte do tempo.


“ Tivemos peça teatral, como Romeu e Julieta em homenagem aos 450 anos de William Shakespeare, torneios de Futsal bilíngue para soletrar as palavras em inglês. Para mim, é importante que esses alunos tenham as mesmas oportunidades que tive, independente de terem nascidos  numa comunidade. Temos uma escola bilíngue com uma equipe de professores  competentes, que busca a formação continuada, se atualizar, conseguindo agregar conhecimento e qualidade para alunos da escola pública”, disse.


Fonte: Agência Brasil, em 2/11/2014.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Ministério Público do Rio faz campanha de combate ao bullying nas escolas

As práticas positivas das escolas em relação ao bullying foram discutidas no segundo Encontro Estadual do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pela Paz nas Escolas. A cartilha Bullying 2014 foi lançada em evento (28/11) que mostrou algumas medidas de prevenção nas escolas, análise pedagógica e jurídica, além de apresentações da experiência de grupo de estudo que lida diretamente com os casos.

O encontro é focado na prevenção, para diminuir e evitar o bullying. A proposta é abordar o tema e mostrar para os profissionais de educação a necessidade de abrir cada vez mais o espaço para ouvir os alunos e os pais.


De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Promotoria de Educação do Ministério Público, Bianca Mota de Moraes, o assunto tem ganhado visibilidade cada vez mais. No entanto, destacou, ele sempre existiu.


"A difusão é maior, então, talvez por isso a nossa sensação seja de que esses casos aumentaram. Na verdade, eles sempre existiram e foram tratados de forma diferente ao longo do tempo, tanto pelas famílias quanto pelas escolas”, disse Bianca.


A promotora de Justiça disse, ainda, que tem visto muitas pessoas interessadas em tratar do tema de com uma abordagem mais moderna. Segundo ela, a situação tem sido encarada como uma questão que envolve a escola e a família dos estudantes. "A gente já começa um movimento que não é mais de se eximir das responsabilidades. As pessoas têm tomado consciência do quanto isso repercute na vida de todos nós e têm se mostrado dispostas a colaborar”.


A prevenção do bullying requer conhecimento para dar limites, fazer escolhas seguras e algumas habilidades necessárias para diminuir a vitimização. De acordo com a psicóloga Juliana Schweidzon Machado, as pessoas têm habilidades para saber se comunicar melhor, se defender melhor e se posicionar melhor frente aos problemas que surgem, diminuindo as chances de ser vitimizada.




Fonte: Agência Brasil, em 28/11/2014.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Estudo mostra perfil de estudantes de programas de iniciação científica

Pouco mais de um terço – 37,4% – dos estudantes de ensino superior participam de programas de iniciação científica no Brasil e, desses, 74,2% consideram que eles oferecem grande contribuição à formação do aluno. Os dados fazem parte do estudo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp), que será divulgado no dia 28/11, no 14º Congresso Nacional de Iniciação Científica.

A pesquisa foi baseada nas respostas dadas pelos concluintes de cursos e participantes do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) no período de 2010 a 2012. O levantamento traça um perfil dos estudantes que participam de programas de iniciação científica. Eles são majoritariamente brancos, grande parte tem renda familiar até 4,5 salários mínimos e mais da metade são filhos de pais com formação até o ensino médio.

Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o índice ainda está aquém do desejável. “A iniciação científica tem papéis muito importantes. Um deles é o de estimular um caminho ainda pouco desenvolvido no Brasil, que é a carreira acadêmica – faz o aluno pegar gosto pela pesquisa e precisamos de pesquisadores no país”, diz.

Além disso, segundo Capelato, ajuda a reduzir o nível de evasão, quando a teoria começa a fazer sentido, quando o estudante faz pesquisa de campo, de laboratório. Ele acrescenta que a iniciação permite uma integração com a comunidade e o enfrentamento de problemas locais.

Dos participantes, 77,6% estão matriculados em instituições privadas e 22,4%, em públicas, percentuais semelhantes às matrículas em cada um dos sistemas de ensino. Cerca de 61,6% dos estudantes –   pesquisadores na rede privada – e 59% na rede pública são brancos. Mulatos e negros, seguindo a classificação do estudo, somam 36% na rede privada e 38,1% na pública. De acordo com o estudo, a expectativa é que, com a política de cotas nas instituições públicas, o índice de negros aumente.

Praticamente a metade dos alunos que participam de programas de iniciação científica, tanto na rede privada quanto na rede pública, tem renda familiar até 4,5 salários mínimos. A faixa de renda familiar em que há maior concentração de alunos fica em torno de 1,5 a 3 salários mínimos, sendo 26,1% na rede privada e 24,6% na pública. Em segundo lugar vem a faixa de 3 a 4,5 salários mínimos, 21,6% na rede privada e 17,9% na pública.

No estado de São Paulo, detalhado no estudo, 59,6% são filhos de pais que têm o ensino médio completo. “Isso mostra que além de ser a primeira geração a ingressar no ensino superior, os estudantes estão ainda na iniciação científica, imagina o quanto isso pode transformar uma realidade. Historicamente, esse aluno nem chegaria ao ensino superior”, diz Capelato.

Na rede privada, 39,4% disseram receber algum tipo de bolsa de estudo ou financiamento para custear as mensalidades do curso. A maioria deles, 29,3%, recebe auxílio oferecido pela própria instituição de ensino superior. Um total de 16,1% é formado por bolsistas integrais do Programa Universidade para Todos (ProUni), 14,7% recebem outro tipo de bolsa oferecida pelo governo estadual, distrital ou municipal e 13,4% têm o Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies.

Em relação aos cursos, o de administração (17,3%) foi o que apresentou o maior número de alunos de iniciação científica na rede privada, seguido das carreiras de direito (12%), pedagogia (10,3%), enfermagem (6,1%) e ciências contábeis (5,7%). Na rede pública, o curso de pedagogia foi o mais procurado (9,8%), seguido dos de biologia (7,1%), letras (6,1%), medicina (4,8%) e administração (4,5%).

Fonte: Agência Brasil, em 28/11/2014.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Aplicativos em sala de aula: evolução ou modismo?*

Lousa, giz, caderno e caneta. Alunos sentados e professores de pé conduzindo a aula. Já parou para pensar de onde surgiu esse método de ensino que utilizamos até hoje desde as mais tradicionais até as mais inovadoras escolas? Pelo que se sabe, o modelo educacional que conhecemos surgiu na Europa, em meados do século XII. Antes disso, sabe se que existiram outros métodos de estudo, alguns mais informais, como na Grécia antiga, onde os alunos eram educados sem divisão em séries e salas de aula, e outros mais ligados a divisões sociais, como acontecia na Europa medieval, onde só estudava quem era ligado à igreja.

Fato é que não podemos negar que o ensino hoje é um dos modelos mais democráticos já conhecidos, pois permite ao aluno expor suas dúvidas e participar de discussões sobre os mais variados assuntos. Essa “liberdade” que permeia a sala de aula também é relativamente nova, e pelo menos no Brasil, não era vista até há algumas décadas. Ou seja, já passamos por muitas mudanças para chegar até o método de ensino que conhecemos hoje.

Considerando todo o trajeto histórico que percorremos para popularizar o sistema educacional que é vigente na maioria dos países, podemos concluir que a educação, assim como todas as outras esferas sociais, também é passível de mudanças. E isso se deve principalmente às transformações sociais, ou seja, ela precisa atender às expectativas das novas gerações que obviamente têm necessidades de aprendizado diferentes das antigas. É claro que certas coisas dificilmente mudarão. É bem provável que os nossos bisnetos ainda estudarão a Língua Portuguesa e frações matemáticas, mas a metodologia adotada até lá com certeza será mais tecnológica do que a praticada hoje. E não estou falando apenas do uso de lousas digitais e tablets em sala de aula.

Um exemplo de novos recursos que estão sendo adotado por algumas escolas são os aplicativos voltados ao ensino de matérias ou temas específicos. Infelizmente as escolas que as utilizam ainda são minoria, já que é preciso ter certa infraestrutura para que todos os alunos possam interagir com essas novidades. Mas elas estão ampliando, e acredito que em um futuro não muito distante elas serão maioria. Como era de se esperar, o surgimento dessas tecnologias também refletiu em discussões sobre o tema, que abordam basicamente os benefícios e malefícios do seu uso pelos alunos.

Alguns especialistas acreditam que as tecnologias em geral podem mascarar a reflexão sobre os conteúdos transmitidos nas aulas, já que distraem os alunos que ainda não estão prontos para lidar de forma didática com dispositivos móveis e aplicativos, pois os associam a entretenimento. Em contrapartida, outros especialistas afirmam que a tecnologia pode até mesmo contribuir para o aumento da atenção dos estudantes. Inseridos nesse fogo cruzado, muitos profissionais do ensino, como diretores, acadêmicos, professores e pedagogos ficam em dúvida sobre o que é melhor para seus alunos.

Se pararmos para pensar em todas as mudanças que o sistema pedagógico já sofreu nos últimos anos, vamos ver que a maioria delas foi para benefícios dos alunos. O ensino de idiomas é um bom exemplo. Se há alguns (muitos!) anos o latim era a prioridade nas salas de aula, hoje com certeza é o inglês. Isso se deve a mudança de prioridades, já que este idioma tem sido muito mais exigido pelo mercado que o outro. Seguindo essa linha de raciocínio, como o aprendizado através de tecnologias seria prejudicial quando a tendência é exigir cada vez mais que os jovens sejam heavy users delas? Não seria contraditório manter os recursos digitais afastados da educação quando os alunos estão totalmente adaptados ao seu uso?

Certa vez o ex-presidente norte americano John Kennedy disse que “a mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro”. Acredito que não podemos subestimar o papel do professor em sala de aula e tornar a tecnologia o centro de tudo. Mas no atual contexto do crescimento da mobilidade no mundo todo, não podemos ignorar os benefícios que alguns recursos podem trazer para o âmbito escolar. Tapar os olhos para isso pode significar uma grande perda em termos de capacitação para o mercado de trabalho.

Venho acompanhando algumas escolas que usam aplicativos em dispositivos móveis para estimular o interesse dos alunos por conteúdos e matérias que antes eram vistas como “chatas” pela maioria, como o inglês por exemplo. Os resultados têm sido majoritariamente positivos, não só para os estudantes como para o corpo docente, que têm nas mãos ferramentas que não só os ajudam a fixar o conteúdo durante as aulas, como também apresentam um feedback quanto ao aprendizado da turma.

Em suma, acredito que ainda teremos um longo caminho pela frente até que todos tenham acesso e bom aproveitamento de recursos como esses. Entretanto, não podemos desistir de oferecer às crianças e aos jovens de hoje, que serão nada mais, nada menos que o futuro de amanhã, uma educação de qualidade que respeite as suas mudanças de comportamento.

Quem tem filho em casa sabe que o tempo que ele passa em frente ao celular é muito maior do que o tempo na frente da TV. Estamos assistindo a uma transformação e o sistema pedagógico precisa saber se comunicar com esse novo perfil de estudante. Isso não implica a quebra das relações humanas que há entre professor, aluno, pais e comunidade. Mas sim em adaptá-los, em torná-los hábeis para saber lidar com os desafios que lhe serão colocados lá na frente, quando se tornarem profissionais aptos a protagonizarem as próximas mudanças sociais.


Por Marcos Abellón, diretor geral da Q2L - ferramenta multiplataforma de aprendizado, que utiliza conceitos de gamification para apresentar seu conteúdo ao jogador. Mais informação em: www.q2l.com.br

* Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.