A chamada “reestruturação administrativa e acadêmica” na Facha (Faculdades Integradas Hélio Alonso), entregue à empresa Comatrix, provoca descontentamento entre os estudantes.
Após a demissão de 14 professores e dois coordenadores, no fim do mês passado, eles temem pela qualidade de ensino e por mudanças que possam comprometer o modelo democrático de participação nas decisões da instituição que se fortalece há praticamente 40 anos.
Na carta-compromisso assinada em conjunto com a Organização Hélio Alonso de Educação e Cultura (Ohaec), em resposta a uma série de reivindicações dos estudantes, a Comatrix garante que vai respeitar todos os contratos firmados com os alunos.
Também se compromete, entre outros outros itens, com a manutenção das bolsas de estudo, a livre organização estudantil na instituição e a certeza de que os professores contratados terão titulação igual ou superior aos demitidos.
Carta-compromisso
Responsável pela reformulação administrativa e acadêmica em universidades como a Estácio de Sá e Unicarioca, a Comatrix informa que manterá as aulas presenciais e descarta mudanças na estrutura de ensino, como a introdução de disciplinas semipresenciais ou on-line.
Também fala que as mensalidades só serão aumentadas de acordo com a lei e que manterá todas as as regras para dar continuidade aos projetos existentes.
Reunidos em assembleia nesta quarta-feira, os estudantes concluíram que a carta-compromisso da instituição não atende às suas reivindicações iniciais, principalmente para que as demissões sejam reavalidas e que seja apresentado um relatório detalhado sobre o trabalho da Comatrix e as mudanças administrativas e acadêmicas implantadas nas instituições de ensino em que atuou, incluindo a Estácio de Sá e a Unicarioca.
Greve nas mensalidades
Os estudantes exigem que a Ohaec e a Comatrix registrem em cartório um documento no qual garantam que não haverá mais demissões e que a indenização dos demitidos seja paga na forma da lei. Ficou decidido que os alunos farão uma greve nas mensalidades se a indenização dos professores não for paga integralmente.
“Existem fortes rumores de que haverá novas demissões no final deste ano e que o pagamento das indenizações não será feito de uma só vez, mas dividido em 10 parcelas, ou o equivalente, o que é inaceitável”, criticou José Roberto Medeiros, presidente do DCE da Facha.
Mobilização e solidariedade
Entre os professores demitidos está o jornalista Cid Benjamin que participou da assembleia desta quarta-feira. Ele considerou “surpreendente” a mobilização dos estudantes em solidariedade aos professores afastados, justamente aqueles que mais têm resistido ao modelo de mercantilização do ensino no Brasil. “Mais de 60 alunos participaram da assembleia que foi realizada no período de férias. Muitos poderiam estar viajando ou se divertindo. Realmente surpreende ver esse número significativo de estudantes, todos dispostos a lutar para que a faculdade em que estudam não se transforme em uma empresa interessada apenas no lucro”, avaliou. Fonte: site do SJPMRJ, em 7/7/2011.
Mais notícia e comentários sobre as demissões na Facha
O peso de umnome, a leveza de uma marca
ResponderExcluirQuem não temcolírio usa óculos escuros. Em educação, quem não tem nome usa uma marca.
Ao,deliberadamente, trocar o nome que conquistou em 40 anos de atuação por ummodelo mercadológico de geração de diplomas, a Facha cometeu, na percepçãodeste publicitário, um grave erro de avaliação. O tempo colocou a Facha numposicionamento que, mesmo sem ser pensado, era muito inteligente. Éramos umafaculdade privada com jeitinho de pública. Estabilidade do corpo docente,salários em dia, liberdade de cátedra. Tínhamos lá nossos problemas, é claro.Mas até estes eram resolvidos na base da política, da negociação que, entretapas e beijos, causava crises esporádicas de maior ou menor intensidade. Quasesempre, entre mortos e feridos salvavam-se todos.
Isso semfalar nos alunos. Ah, os alunos. Eles nunca foram clientes. Sempre seconstituíram de um grupo heterogêneo de gente das mais diversas classes eorigens. Com formações variadas, perfis diferenciados, uma miscelânea de tiposque só quem deu aula na Facha pode descrever. E isso só foi possível porque, denovo, meio sem querer, acabamos criando uma relação de custo/benefício para oaluno das mais interessantes.
Na base doboca a boca seguíamos em frente. Aluno trazia aluno e, no fim de cada semestre,lá estávamos nós com as turmas cheias. Mas como não há bem que sempre dure, detanto “sem querer”, de tanto “não fazer”– em termos de marketing e comunicação – nossa maionese começou a desandar.
Demoramospara acordar. Custamos a nos equipar. Enrolamos demais para fazer gradativasmudanças que, se tomadas a tempo, não teriam nos roubado tantos alunos.Baseados apenas na força do nosso corpo docente e na capacidade de inserção nomercado de nossos formandos não poderíamos resistir.
E veio acrise. Sucessivos semestres de perda levaram à decisão de colocar a Facha nasmãos de uma empresa gestora. Provavelmente o briefing passado não foi bom. Ouentão não foi bem compreendido. Isso não importa. O que interessa é que, de passoem passo, a gestora Comatrix foi cometendo erros que a pressa e a pressão podematé justificar, mas a história não vai perdoar.
Sorte que aFacha ainda tem seus alunos. Essa gente que se recusa a trocar o peso de umnome pela leveza de um diploma, de uma marca. Ouça a voz desses jovens, donaComatrix. Talvez eles sejam o único e verdadeiro briefing ao qual vocês devam prestaratenção. Quem sabe assim vocês ainda consigam salvar a imagem de uma empresagestora que, a cada gesto, tem que admitir que ainda não sabe onde fica obanheiro da Facha.
De quebraainda ganharemos uma escola novinha. A Facha Original.