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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pra que faculdade se não tem emprego?

Em um passado não muito distante, antes de existirem jogadores de futebol com salários astronômicos, cantores com cachês deveras elevados, principalmente se levarmos em conta à qualidade da música que fazem (beijo pra galera do Sambô!), muitas crianças e adolescentes cresciam com um sonho bacana, um sonho maroto, um sonho bonito de crescer e se tornar um grande advogado.

Porém, como o mundo é movido pelo dinheiro, e por conta da nossa querida profissão estar pra lá de desvalorizada, as crianças sonhadoras vão crescendo, se deparando com a atual realidade da advocacia e “escolhendo” melhor os seus sonhos, e os futuros advogados se tornam médicos, engenheiros, arquitetos, e etc.


Nem mesmo a ânsia de mudar o mundo, de participar de audiências, no mais puro estilo hollywoodiano e gritar “EU PROTESTO” estão seduzindo os jovens de hoje a optarem pelo mundo da advocacia, pois quase ninguém quer estagiar por baixos salários e pouco aprendizado.


Não fossem motivos suficientes para espantar todo e qualquer pretenso postulante a uma cadeira na faculdade de direito, eles ainda descobrem que ao final do curso ainda têm que se submeter a uma prova que deixa muitos bacharéis à margem do mercado de trabalho, sendo relegados ao cargo de assistente jurídico e como bônus, ganham o singelo nome de “paralegal”.


Pois bem, com todos estes pontos negativos, ainda assim o Brasil é um dos países que mais formam advogados no mundo, não bastasse isso, o nosso pais verde e amarelo também tem o maior número de faculdades de direito do mundo. E ó, a diferença é abissal, vejam que a coisa fica pior, pois se a gente somar todas as faculdades de direito do mundo, ainda assim, no Brasil tem mais, obviamente que a grande parte é de qualidade no mínimo questionável, mas né, isso não é culpa dos estudantes.


Antigamente toda cidade por mais pequena que fosse tinha uma igrejinha, uma farmácia e um boteco com um cachorro vira-latas deitado na porta, hoje em dia, as coisas mudaram, hoje a igrejinha permanece, as farmácias também, os botecos obviamente lá ainda estão, mas ao lado da farmácia certamente tem uma faculdade de direito.


Chega a ser contraditório vivermos no país que possui mais faculdades de direito que o resto do mundo e as pessoas estarem cada vez menos interessadas em advogar, porém se analisarmos um pouco mais a fundo a questão, é fácil matar a charada.


Hoje em dia, aquele sonho que a galera tinha de advogar, migrou, não foi uma migração longa e cansativa, ela só deu um passinho pro lado, e hoje, as pessoas entram na faculdade não mais para advogar, eles entram na faculdade com o único intuito de “concursar”.


Assim, quando a gente assiste na televisão e nos jornais que os governos estão incentivando os jovens a ingressarem nas faculdades a gente acha bonito e pensa que vai ser uma baita de uma coisa boa, mas aí muitos se esquecem que tem a outra ponta da história, a ponta em que o cidadão ingressou na faculdade, deu um duro danado, só que a economia tá uma baita de uma porcaria, e o cara que se formou em direito, hoje tá trabalhando de vendedor em uma loja de sapatos.


Fonte: Última Instância/Conteúdo, Por Livan Pereira*, em 21/9/2013.

* Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.

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