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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Faculdades pagas dizem que MEC deveria ter critérios diferenciados de avaliação

Exigência de alta titulação para professores em unidades do interior é injusta, diz representante.

Como o caso da Faculdade Itaboraí demonstra, nem todas as particulares têm colhido resultados positivos com a expansão. Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) revelou que, nos últimos cinco anos, enquanto o número de faculdades públicas e privadas cresceu 7,3%, as pequenas e médias instituições de ensino superior (PMIES) tiveram queda de 5%. Entre as menores de todas, a queda foi maior: 7,8%.

O estudo considerou uma PMIES aquela com menos de três mil alunos e que não pertence a um conglomerado financeiro.

Apesar da retração, as PMIES públicas e privadas ainda são quase 63% das instituições de ensino superior no Brasil, com mais de um milhão de estudantes, ou 23% dos universitários do país.

Mas o quadro tende a mudar. Enquanto as matrículas do ensino superior tiveram crescimento de 17% - sendo 11% no setor privado -, entre as pequenas e médias instituições a queda foi de 4%.


- Ao mesmo tempo em que vemos uma tendência de compra das faculdades pequenas por grandes corporações, sentimos uma pressão do MEC na forma de avaliações de qualidade de ensino excessivas e, muitas vezes, equivocadas - afirma Sólon Caldas, diretor do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular.


Para Caldas, o equívoco ocorre porque o modo como o governo avalia as instituições não leva em conta particularidades regionais. Ele cita o critério de número de professores com mestrado e doutorado para compor a nota da faculdade.


- Uma das maiores dificuldades das pequenas é contratar professores com maior qualificação, principalmente no interior. Aí vem o MEC e julga todo mundo com uma régua só, tanto a USP quanto uma faculdade lá do Amazonas. É justo?


O MEC crê que sim. O secretário de Regulação do Ensino Superior (Seres) do ministério, Jorge Messias, afirma que não pode haver padrões diferentes:


- Essa crítica das pequenas faculdades não procede porque a qualidade tem que ser a mesma. Não posso aceitar que uma universidade tenha conceito 4, e a outra, 1, e as duas funcionem do mesmo modo. O sistema de avaliação é único porque o destinatário do ensino é sempre o mesmo, o aluno.

Fonte: JC e-mail 4980, de 30 de junho de 2014.

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