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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Demissão no Colégio Andrews tem motivação política e financeira

A diretoria do Colégio Andrews demitiu, no último dia 11 de setembro, de forma sumária, um de seus professores, causando perplexidade e indignação. Tal arbitrariedade deveu-se a uma questão de prova aplicada pelo mesmo, na qual comparava o massacre dos palestinos promovido pelo governo de Israel à barbárie desencadeada pelo nazismo, particularmente o holocausto, que vitimou cerca de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.

A demissão de um professor por trabalhar contextos sociais e históricos passíveis de debates e de diferentes opiniões em provas é um absurdo, na medida em que o mesmo não teve seus direitos preservados e teve sua figura exposta de forma constrangedora, ferindo sua integridade pessoal e profissional. Coube a direção arbitrar, demitindo sumariamente o professor sem problematizar ouvindo outros pontos de vista e, assim, desrespeitando sua cátedra na sua livre ação docente. Classificar a condenação ao massacre dos palestinos pelo atual governo do Estado de Israel como "antissemitismo" é um erro! Já são públicas as manifestações de vários intelectuais e setores da sociedade israelense com críticas ao governo de Israel, expressando livremente diferentes posicionamentos, especialmente no que se refere aos ataques a civis palestinos. 

Não há discriminação em identificar criticamente a agressão presente naquele Estado ao povo palestino. Condenar e censurar textos ou charges que expressem tal interpretação daquela realidade geopolítica, classificando-os como "inadequados", é manipulação da prática pedagógica e um ataque à liberdade de expressão e opinião dos professores, o que está acontecendo nesta escola, que se recusa ao debate e a enfrentar o contraditório. 

É inadmissível que uma escola reproduza a falta de liberdade dominante na grande mídia. Um professor, deve discutir com os estudantes os temas da atualidade, principalmente sob a ótica humanista, já que a guerra e os conflitos armados provocam inúmeras mortes injustificáveis. 

A diretoria eleita do Sinpro-Rio repudia veementemente a demissão arbitrária perpetrada pela direção do colégio, que, sob a égide de “respeitar as diferenças”, cedeu a uma pressão política e ideológica.Esse tipo de atitude patronal é significativa e representa a ponta de um iceberg. A censura e a arbitrariedade são contrárias a autonomia pedagógica tão necessária para romper a cultura dominante, notadamente voltada para as elites. 

Adotaremos todas as ações para garantir os direitos do professor e a liberdade de pensamento, imprescindível na construção da democracia e de uma nação soberana.

A Diretoria eleita do Sinpro-Rio

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