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domingo, 13 de julho de 2014

Ex-Presidentes conclamam categoria à reconstrução do Sinpro-Rio

Em plena ditadura militar, no ano de 1978, teve início o processo de reconstrução e retomada do Sinpro-Rio como instrumento de defesa dos direitos de uma categoria profissional sofrida e explorada pelos empresários do ensino – a categoria das professoras e professores da rede particular do município do Rio de Janeiro. Sob a liderança do professor José Monrevi Ribeiro um grupo de novos e velhos professores derrotaram nas eleições de agosto a diretoria imobilista. Em quatro meses já estávamos em campanha por um abono salarial e decretando nossa primeira greve – dos Instrutores do Senai. Em abril de 1979 lideraríamos a greve salarial dos professores de 1º e 2º Graus que duraria mais de 20 dias, realizando assembleias que mobilizavam cerca de 3 mil colegas. Recuperava-se então a credibilidade da entidade como instrumento de luta na defesa dos interesses da categoria docente e no calor da luta organizava os docentes contra a ditadura militar e pelas liberdades democráticas. Lá estávamos nós e muitos outros professores e professoras, diretores ou ativistas sindicais, prontos para construir uma importante página da nossa história de vida.

Estiveram à frente do nosso Sindicato os professores José Monrevi (1978-1984), o saudoso Robespierre Martins Teixeira (1984-1987), Gilson Pupin (1987-1996) e Francilio Pinto Paes Leme (1996-2008). Nestes períodos destacamos a primeira greve da Educação Superior; a conquista do seu primeiro Contrato Coletivo de Trabalho; as campanhas salariais que buscavam a participação docente; a regularização do jornal do sindicato A Folha do Professor; a construção da primeira subsede do Sinpro, localizada em Campo Grande; a conquista da representação sindical dos professores do Ibeu, Cultura Inglesa e Aliança Francesa através dos seus respectivos movimentos de luta; a luta pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita; o “Fora Collor”; a organização do Departamento Jurídico preparando-o para defender com competência a nossa categoria; a inauguração da “Escola do Professor” como espaço de discussão da Educação e seu papel transformador na sociedade; a construção da moderna subsede da Zona Oeste (Campo Grande) e das subsedes da Barra (com imóvel próprio) e Madureira; além da ampliação e modernização da informática e da sede central, que passou a ocupar o 2º, 3º, 4º, 5º e 6º andares. Foi importante também nossa inserção política no movimento nacional de professores e trabalhadores com nossa participação na Feteerj, na Contee e na CUT, acompanhada da fundação da Copap que passou a reunir os aposentados da nossa categoria. A gestão financeira sempre foi tratada com transparência onde os balanços eram publicados no Jornal do Professor e no portal do sindicato.


 Após aprovação em assembleia, o atual presidente (eleito em 2008) recebeu a direção do sindicato com cerca de R$ 15 MILHÕES em caixa. Finalmente gostaríamos de chamar atenção dos colegas sobre a gestão democrática aprendida e praticada nos 30 anos do período 1978-2008. Campanha salarial era sempre aberta em fevereiro com assembleia da categoria. Sua função era discutir e elaborar a pauta de reivindicações a ser defendida pelo movimento, exercendo pressão nas negociações com os patrões. Assembleias eram convocadas durante o processo de negociação para o devido conhecimento da categoria e possíveis correções de rumo no processo de luta. Decisão de assembleia é para ser cumprida!


Professoras e Professores, o que está acontecendo hoje com o Sinpro-Rio? Será que a obra de tantos, erguida ao longo de 30 anos está sendo destruída pela incompetência, o aparelhamento e a falta de ética?


Assembleias salariais ou de prestação de contas são convocadas sorrateiramente para as vésperas do Natal. Estarão elas acobertando acordos inconfessáveis com os patrões e contratações de empresas com possíveis suspeitas de tráfico de influência? Ou desejam acobertar a situação falimentar a que conduziram a entidade que deverá fechar o ano com déficit superior a R$ 5 milhões. Uma vergonha para todos nós ao sabermos as dívidas contraídas e não pagas a outras entidades irmãs. Será que o atual Presidente acha que seremos nós professores que iremos pagar o pato da sua incompetência cobrando-nos 3% no próximo contracheque? Justamente quando não fez campanha salarial da educação básica em 2014 e terminou fechando Acordo lesivo aos nossos interesses, com reajuste salarial de 6% quando a totalidade das escolas reajustou as mensalidades em torno de 12%?


E a campanha salarial da Educação Superior? Esta então, ninguém sabe ninguém viu!


Colegas Professores, nós ex-presidentes do Sinpro-Rio, tivemos nossas divergências no passado. Estas, sempre em torno de diferenças na concepção de organização do sindicato, mas nunca em relação a questões de ordem ética ou moral. Assistimos com tristeza e pesar a estes fatos lamentáveis que estão destruindo a entidade. Em nome da sua tradição de luta, nós, ex-presidentes do Sinpro-Rio nos dirigimos à categoria convidando-a, como fizemos em 1978, para juntos salvarmos e reconstruirmos o nosso Sindicato. Para tanto votaremos nas eleições sindicais dos dias 12, 13 e 14 de agosto, na Chapa 2, de oposição, liderada pelo jovem professor e ativista sindical  desde 1988, Oswaldo Luiz Cordeiro Teles, que soube reunir um conjunto de colegas ligados política, ideológica e emocionalmente às lutas do Sinpro-Rio e levarão a sério o compromisso de respeitar as professoras e professores que sofrem, cada vez mais, a exploração do seu trabalho.

José Monrevi Ribeiro

Gilson Puppin

Francilio Pinto Paes Leme

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