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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Livro compara expectativas de universitários de Brasil e China

O livro Jovens Universitários em um Mundo em Transformação: uma pesquisa sino-brasileira traz os resultados da primeira pesquisa conjunta Brasil-China sobre as aspirações e expectativas, valores e modo de vida dos universitários dos dois países.

Em relação à estrutura familiar, a maioria dos universitários de Brasil e China residem em família cuja estrutura é completa. No entanto, o número de brasileiros que moram com pais solteiros é muito maior que o de chineses. Os chineses que residem com os amigos são relativamente mais numerosos do que os brasileiros.

O livro sintetiza as principais conclusões dos 2.429 questionários aplicados a universitários no Brasil e 1.729 respondidos na China. A publicação, fruto de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), pode ser baixada gratuitamente no Portal Ipea (www.ipea.gov.br).

Sobre os estudos e o planejamento após a graduação, o levantamento mostrou que os chineses são mais estudiosos que os brasileiros, tendo um número superior de horas de aulas e estudos fora da sala de aula, e que tanto os universitários brasileiros quanto os chineses manifestaram o interesse em continuar os estudos após a formação. No entanto, o índice de troca de curso por parte dos brasileiros é bem maior. Ao se tratar da postura política, tanto universitários chineses quanto brasileiros consideram-se observadores da política, mas não participantes.

Ao avaliar o ensino superior no Brasil, um ponto intrigante no sistema é que os homens não estão tendo bons resultados no ensino médio e estão encontrando dificuldade em adquirir qualificações superiores, ao mesmo tempo em que as mulheres estão avançando consideravelmente e ocupando espaços cada vez maiores no sistema.

A expansão do número de vagas na educação superior trouxe mais jovens para a universidade e introduziu maior diversidade em todos os âmbitos. A escolaridade de mães e pais aparece como um fator determinante para o ingresso dos filhos na universidade. No caso das mães brasileiras de estudantes participantes da pesquisa, observa-se que 44,6% adquiriram um diploma de graduação ou pós-graduação, enquanto que entre os pais dos estudantes esse percentual atinge 39,6%. Na China, contudo, o maior grupo de estudantes possui mães e pais com ensino médio completo ou superior incompleto, representando 49,7% e 46,6%, respectivamente.

Quando confrontados com aspectos gerais do mundo do trabalho, os brasileiros deram uma importância maior do que os chineses a temas relacionados à qualidade do trabalho ou ao emprego que almejam, além de alguns aspectos altruístas em relação à vida profissional. Já os chineses deram uma importância maior do que os brasileiros a aspectos relacionados à autonomia e à liberdade em relação ao trabalho.

No que diz respeito às perspectivas de futuro, surpreende que a maior parte dos jovens universitários chineses e brasileiros pretenda continuar na universidade após a graduação, a maioria para fazer uma pós-graduação e alguns para fazer outra graduação. Ingressar ou continuar no mercado de trabalho assim que concluir a graduação, com destaque para a tentativa de um emprego no setor público dos dois países, é a pretensão de mais da metade dos brasileiros e de quase a metade dos chineses.

A grande maioria dos jovens universitários brasileiros pretende construir uma carreira na sua área de graduação. Entre os chineses, é mais relevante do que no caso brasileiro o número de jovens universitários que pretende seguir carreira fora da área de graduação e até mesmo os que dizem não pretender trabalhar.

Para Eduardo Luiz Zen, um dos organizadores da publicação e técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, os dados levantados pelo estudo traçam um perfil bastante amplo da juventude universitária em ambos os países e buscam contribuir para melhorar a compreensão intercultural e identificar possíveis bases de cooperação sino-brasileira. "A pesquisa pode servir de subsídio para o avanço científico, para as políticas públicas de educação e de juventude e para conhecimento mútuo entre os dois países", destaca. 


Fonte: Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
www.ipea.gov.br
Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais – possibilitando a formulação de inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiro – e disponibiliza, para a sociedade, pesquisas e estudos realizados por seus técnicos.
Assessoria de Imprensa e Comunicaçãoascom@ipea.gov.br
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