As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.
O CRB resgata o pensamento crítico brasileiro que ajudou a compreender a formação econômica, social, cultural e política do país, em diálogo com autores e autoras que, em parte, haviam sido marginalizados, nomes como Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Caio Prado Jr., Paulo Freire, Lélia Gonzalez e Heleieth Saffioti. Entre os temas trabalhados, estão Colonização, Povo Brasileiro e Formação Nacional; Questões Agrária e Urbana; Escravismo, Abolicionismo e Formação Social; Universidade Pública, Ciência e Tecnologia e Formação Econômica, Classe Trabalhadora e Projeto Nacional.
Para Olivia Carolino Pires, membro da coordenação Político-Pedagógica do CRB Bahia e professora substituta do departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, o CRB Bahia cumpre o papel de oferecer instrumentos para que educadores e educandos leiam criticamente o Brasil nessa conjuntura.
“Estamos num ano eleitoral decisivo, em que se disputam projetos de país radicalmente distintos, e entender essa disputa exige compreender como as contradições que marcam a formação social e econômica brasileira — a herança do colonialismo e do escravismo, a dependência econômica, o racismo, o patriarcado — se desdobram concretamente no nosso país e especialmente na Bahia”, explica.
Pires, que também é diretora da Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes e militante do Movimento Brasil Popular, observa que o CRB é um processo formativo que é realizado há mais de 20 anos pelo campo político do Projeto Popular para o Brasil, com protagonismo dos movimentos populares, forjando uma ‘certa ideia de Brasil’ que fundamenta a Revolução Brasileira.
“Nessa edição em Salvador, vamos realizar uma versão intensiva. Ao longo de seis módulos, iremos construir coletivamente essa leitura, articulando o pensamento social brasileiro à realidade concreta e à ação coletiva. É um curso de formação política e também um espaço de fortalecer redes: sai gente mais preparada para atuar nos territórios e mais conectada entre si”, ressalta Pires.
De acordo com Marta Lícia Jesus, secretária de formação sindical da CUT-BA, o curso trará mais ferramentas de formação para o movimento sindical. “Formação, para nós da CUT, é toda reunião entre os trabalhadores, todo encontro, são as greves, momentos de reivindicação, momento em que escrevemos as nossas pautas, as nossas reivindicações, são os manifestos. Ou seja, toda a nossa forma de expressar a nossa indignação para a injustiça, para a necessidade de melhorar as condições de trabalho, para melhorar as instituições com as quais pertencemos. E essa relação do movimento sindical com o compromisso com esse projeto de nação soberano contra toda forma de autoritarismo, de fascismo, de preconceito étnico-racial, de gênero, e LGBTQIA+. Então o curso para nós é uma luz, um importante horizonte de organização”, afirma.
A coordenação da atividade ressalta ainda a importância do debate em ano de eleição. “Esperamos que o CRB Bahia seja um espaço de estudo e reflexões sobre o Brasil, mas também de encontro e de fortalecimento de vínculos entre pessoas de movimentos, sindicatos e da universidade que estão engajadas no frenesi das campanhas. Fazer o debate, reunir argumentos para dialogar com o povo brasileiro nesse momento de polarização pelo ódio que esvazia a eleição do debate político. Vamos politizar a eleição”, conclui Olivia.
Fonte: Brasil de Fato em 25/08/2026.

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