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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Um exemplo de educadora


"Marva Collins
era professora em Chicago nos anos 70 e recebia as crianças que as outras escolas mandavam embora, as que tinham sido rotuladas como “burras”, “problemáticas”, sem futuro.

Ela não aceitou esses rótulos. Criou a própria escola no segundo andar da sua casa, com método rigoroso, afeto inabalável e uma crença simples: toda criança é capaz de aprender, desde que alguém acredite nela primeiro." @vivianborgespsicopedagoga

"Sua história inspirou o filme para televisão The Marva Collins Story, estrelado por Cicely Tyson.... Até porque os conceitos de "pobre" e "negro" ou seja qual for a classificação social que dão não definem quem uma pessoa é. Condições socioeconômicas e etnia não determinam caráter, capacidade ou valor humano, muitas dessas associações foram fortalecidas por uma lógica de opressão e por um pensamento colonizador que hierarquizou pessoas e naturalizou desigualdade e que perdura ainda nos tempos de hoje... superar esses rótulos também faz parte do amadurecimento social. e Marva Collin trouxe outra postura , com sua atitude perspicaz , eficazmente Collin fez. Isso nos leva a refletir: a necessidade de mais responsabilidade na gestão dos recursos públicos e um compromisso constante com uma educação e políticas públicas de qualidade." @silviapedneuro


Assista AQUI!

 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos em escola militar no RS


'Chora com vontade, senão vou te dar um tiro'

A psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.

Causou desconfiança na mãe o fato de a criança chorar rotineiramente no caminho para a Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre. Mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a instituição atende gratuitamente filhos dos brigadistas com idades entre 2 e 6 anos.

Ela conta que Pedro, cujo nome foi alterado para preservar a criança, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo. Desculpava-se, com insistência, diante de qualquer situação. "Se ele derrubasse uma água, ele me pedia desculpas várias vezes", diz. E começou a chorar muito ao se aproximar da escola.

Foi depois de mais um dia em que Pedro entrou pelo corredor da escola aos berros, pulando, "sendo levado", sem que ela pudesse acompanhá-lo, que a situação chegou ao limite para Shaiane.

No dia seguinte, ela colocou um gravador dentro da mochila da criança.

No início, Shaiane disse que não tinha razões para se preocupar com a instituição onde seu filho passava algumas horas do dia.

Para chegar ali, a família esperou que ele completasse dois anos — pré-requisito para a matrícula — e passou por um processo seletivo, do qual ela desconhece os critérios de aceitação.

Mas, como o pai é brigadista, e a proposta apresentada à família era de uma escola de educação infantil, a instituição parecia uma boa escolha, segundo ela afirma.

Passado o período comum de adaptação, Pedro foi se acostumando e começou a fazer amiguinhos.

Esporadicamente, algumas situações na escola incomodavam a mãe, como quando ele chegou com uma mordida no braço sem explicação.

"Perguntei se ele não avisou à professora [sobre a mordida] e ele disse que não, que ela estava ocupada cuidando de outros coleguinhas e por isso ele não quis falar", conta ela.

"Fiquei sem entender. Como ninguém viu aquela mordida?"

Ao perguntar à professora, a mãe ouviu que ninguém viu o ocorrido e que o menino não havia chorado.

"Achamos estranho. Uma mordida daquelas deve ter doído, e é normal que a criança chore."

Na mesma lista de situações que causaram estranheza à família do menino, está o dia em que ele voltou para casa com febre alta sem que ninguém houvesse avisado a mãe ou o pai, segue ela.

Um dia, Pedro chegou com uma assadura tão severa que ficou com dificuldade de caminhar pela casa.

Em nenhum desses episódios a escola demonstrou ter tomado conhecimento do ocorrido, de acordo com a mãe.

"Essas situações pequenas iam acontecendo e parecia que ninguém estava vendo", diz ela.

As tentativas de contato com a escola, segundo a mãe, eram todas frustradas.

"Eu tenho vários registros de mensagens que eu tentava mandar para a professora, e ela sempre minimizando", afirma. "Eu não tinha nenhum acolhimento da parte deles, era sempre 'ah, isso aí acontece, é normal'."

"Mandei mensagens para a sarjenta, que é como se fosse a coordenadora da escola, e não tive retorno", diz. "Eu ficava ali sendo ignorada."

Com o passar dos meses, a mãe diz ter percebido que a primeira coisa que o filho perguntava ao acordar era se ele teria de ir para a escola. Diante da resposta positiva, ela diz, o menino permanecia a manhã toda em casa calado.

"Ele não brincava, não tinha aquela energia, não tinha disposição. Parecia que ele ficava a manhã inteira só esperando aquela hora [de ir para a escola] que ia ser um sofrimento."

Sem diálogo com a escola e diante dos episódios duvidosos, Shaiane teve a ideia do gravador.

No dia em que ela colocou o aparelho na mochila do menino, ele voltou para casa rouco.

"Ele chegou quase sem voz, e eu lembro que naquele dia mandei mensagem para o meu esposo e falei 'olha, ele está resfriando'."

Em seguida, a mãe foi ouvir as gravações.

"Aí foi um choque."

A BBC News Brasil teve acesso a trechos da gravação. É possível ouvir o menino chorando, pedindo a chupeta e chamando pela mãe.

"Meu filho ficou cerca de 40 minutos berrando, e acaba se acalmando sozinho, porque tem um momento da gravação que ele volta e diz 'eu me acalmei'", conta. "Ele foi totalmente escanteado."

Em um trecho, é possível ouvir uma mulher dizendo para o garoto: "O que tu tá fazendo? Tu não vais pintar mais", e o menino responde: "Desculpa".

A mulher então diz "não, tu não vais pintar mais, acabou. Eu adoro pintar e vou". O menino então começa a chorar e pede pela mãe. A mulher responde: "Não me vem com mamãe".

Em outro trecho, o que deixou Shaiane mais assustada, ouve-se a voz de uma mulher dizendo: "Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro".

"Na gravação é possível ouvir barulhos o tempo inteiro, e eu escuto ele berrando, pedindo pela mamãe", conta Shaiane.

"Ou seja, naquele dia, ele chegou em casa rouco, não era por causa de um resfriado. Foi de tanto que ele chorou."

Legenda da foto, Shaiane procurou a professora de Pedro para perguntar sobre uma marca de mordida, mas ouviu que ninguém viu o que aconteceu e que a criança não chorou

'O que mais ele passou?'

Os episódios relatados ocorreram no ano passado. Shaiane e o marido recorreram ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que os orientou primeiro a realizar uma denúncia via Corregedoria da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

A BBC News Brasil procurou o departamento de imprensa da Brigada que afirmou, por meio de nota, que um inquérito foi aberto para apurar os fatos e que a professora de Pedro foi afastada durante o período de investigação.

No entanto, ela retornou à escola antes da conclusão do inquérito. Segundo Shaiane, famílias de outras crianças fizeram um abaixo-assinado pedindo a volta da servidora.

"Tentaram nos calar. Uma mãe inclusive colocou no grupo de WhatsApp um trecho do processo, que corria em sigilo", conta Shaiane.

Segundo a nota da Brigada, o laudo pericial feito pela própria Corregedoria concluiu que "os arquivos analisados não apresentaram elementos técnicos suficientes para confirmar integralmente o conteúdo divulgado, nem permitiram a identificação conclusiva da autoria vocal".

"Com base no conjunto de provas reunido, incluindo depoimentos e laudo pericial, não foram identificados elementos suficientes para comprovar ilícito penal ou transgressão disciplinar", diz a nota.

No entanto, depoimentos de duas servidoras da escola aos quais a BBC News Brasil teve acesso, e que constam no processo, mostram que elas reconheceram a voz e identificaram a professora de Pedro.

Mesmo com a Brigada alegando ausência de provas, a professora deixou a escola no fim do ano. Mas não houve uma explicação para a saída dela do cargo.


"Não cabe à instituição divulgar informações individualizadas sobre servidores ou empregados", afirmou a Brigada.

Perguntada se a professora reconhece o que diz nos áudios, a instituição afirmou que "não está autorizada a divulgar manifestações, declarações ou posicionamentos atribuídos a pessoas específicas envolvidas em procedimentos administrativos ou investigatórios".

Sobre as tentativas frustradas de diálogo de Shaiane com a escola, a Brigada afirmou que "mantém canais permanentes de comunicação com as famílias e trata com seriedade todas as demandas recebidas". No entanto, não confirmou ou comentou "fatos específicos" em razão da proteção de dados e informações.

Por fim, o inquérito aberto pela Corregedoria pediu pelo arquivamento na Justiça Militar do Rio Grande do Sul, mas o processo ainda não está encerrado.

Agora, a mãe espera que o MPRS realize sua própria investigação. Há um inquérito aberto na promotoria, mas a BBC News Brasil não conseguiu mais informações sobre a situação do processo nem com a assessoria de imprensa e nem com a promotora do caso.

Fonte: BBC News Brasil em 24/06/2026.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Por que o Ceará lidera o índice de alfabetização no Brasil?


Mudança na política educacional começou em 2004, em Sobral, que irradiou estratégia para outras cidades, e depois, para o estado. Governo federal tenta replicar experiência

O Ceará é o estado brasileiro com a maior proporção de crianças alfabetizadas na idade certa: 85,3% dos alunos matriculados no 2º ano do ensino fundamental sabem ler e escrever com autonomia em 2025, segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Ministério da Educação, divulgado em julho. A taxa supera a média nacional, que foi de 59,2%. A meta geral era de 60%. 

Para 2030, o objetivo do MEC é chegar aos 80%, taxa que só foi alcançada, desde já, pelas escolas cearenses. Por isso, as estratégias adotadas pelo Ceará inspiraram a política de alfabetização em regime de colaboração em 25 estados. Ainda que o ensino fundamental seja de responsabilidade dos municípios, os governos estaduais fornecem apoio técnico e financeiro às prefeituras para que melhorem os indicadores. 

"No Ceará, a secretaria estadual e os municípios aprenderam a alfabetizar. O Brasil ainda está em um estágio anterior", avalia o gerente de políticas educacionais da organização Todos Pela Educação, Ivan Gontijo. "Essa política já vem sendo implementada desde 2007, são quase 20 anos de expertise acumulada. Isso explica o sucesso em relação aos outros estados, e, ainda que já tenha alcançado patamares altos, consegue evoluir". 

Avanço gradual

Os bons resultados da alfabetização do Ceará em 2025 contrastam com a realidade dos municípios cearense de 20 anos atrás. Diante do baixo desempenho, a cidade de Sobral foi pioneira na transformação da política educacional.

Durante o mandato do então prefeito, Cid Gomes, hoje senador, a secretaria de Educação definiu metas para o letramento na idade certa (até 7 anos), além do aumento dos investimentos no setor, que levaram o município ao topo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as cidades com mais de 70 mil habitantes nos anos 2000. 

Em 2004, todo o estado acompanhou esse processo. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) daquele ano apontavam que 55% das crianças cearenses apresentavam desempenho ruim em leitura e escrita ao final da 4ª série.

Por conta dessa conjuntura, deputados da Assembleia Legislativa instituíram o Comitê Cearense para a Eliminação do Analfabetismo Escolar. Em seguida, a atuação dos parlamentares resultou na criação do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) pelo governo estadual. 

A partir de 2015, outros estados passaram a reproduzir essa estratégia, como Pernambuco, Espírito Santo e Piauí. Em 2022, com a nomeação do ex-governador do Ceará Camilo Santana para o Ministério da Educação, parte da equipe da secretaria de Educação do estado foi para o governo federal, entre eles a ex-secretária-executiva da pasta, Izolda Cela, que implementou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. 

Estratégia e incentivo 

Dessa forma, a experiência de Sobral foi ampliada e adotada nas demais cidades. O pilar da estratégia que fortaleceu o ensino fundamental foi a cooperação entre o estado e os municípios. As avaliações para monitorar a evolução da aprendizagem e a preparação do material didático são centralizadas pelo estado e distribuídas às prefeituras.

Inspirada no exemplo do Ceará, uma emenda constitucional de 2020 criou o ICMS Educacional. Essa medida estabelece que uma parcela do imposto estadual deve ser destinada aos municípios conforme indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem.

A ação serve como incentivo aos prefeitos, já que o dinheiro recebido por esse mecanismo não é vinculado, ou seja, os gestores podem definir livremente como o recurso será usado.

Alunos, pais e professores 

Mais uma medida foi o foco na capacitação de professores em práticas de alfabetização baseadas em evidências. Deusiran Nascimento é diretora da escola de ensino fundamental Joaquim José Monteiro, no município de Cruz (CE), que obteve a maior nota do país no Ideb em 2021 (9,1). Ela explica que, a cada bimestre, os professores passam por uma formação continuada. "Alguns professores são fragilizados na prática de sala de aula, e temos que atualizá-los".

Quanto aos alunos, Nascimento diz que o acompanhamento da aprendizagem é feito por etapas, desde o primeiro ano, quando os alunos já são leitores de frases curtas. "Nas turmas de alfabetização criamos projetos de leitura", afirma. Além disso, todos os meses, os alunos são avaliados para que os professores identifiquem falhas no processo de letramento. "Com isso, desenvolvemos atividades personalizadas dependendo do nível de escrita e leitura."

Além disso, os professores e coordenadores mantem contato direto com a família dos alunos. "Tem grupos das famílias no WhatsApp. Como aqui é um vilarejo, vamos às casas, todo mundo se conhece. Montamos cantinhos da leitura em casa com os pais, para que acompanhem a evolução das crianças", explica a educadora.

Para verificar a eficácia desse trabalho, o governo estadual faz uma avaliação periódica do PAIC, por meio do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (SpAece). Os testes traçam um diagnóstico da educação no estado e permite que sejam planejadas intervenções onde há defasagem de ensino. 

Quanto falta material, é a própria equipe da escola que tem de se virar para arrecadar material. "Fizemos campanhas para arrecadar livros, às vezes imprimimos, compramos material. Este ano entrou um recurso para a educação infantil que antes não tinha. Até então, a última vez que veio livro do governo federal foi em 2019. Agora que voltou a vir".

Resultados positivos 

Nascimento diz que antes do fim do ano letivo já vê resultado do esforço. "Hoje aqui na nossa escola, estamos em agosto, a maioria da turma já é de leitores de texto. "Já tivemos casos de alunos do segundo ano vindos de São Paulo que não sabia o alfabeto, nem conhecia as letras nem fazer o nome, mas aqui foi alfabetizado".

O desempenho na alfabetização do Ceará foi reconhecido pelo governo federal nesta segunda-feira (11/08), durante a entrega do Premio MEC da Educação Brasileira, na categoria de melhores resultados para essa prática. O prêmio de R$ 500 mil tem de ser aplicado na infraestrutura das escolas e valoriza.

Limitações 

Mesmo com a mobilização de toda essa política, ainda há limitações. Isso porque a estratégia das escolas no Ceará foca na alfabetização no âmbito institucional, ou seja, promove a aprendizagem para quem está matriculado em escolas. Quem está fora das instituições de ensino fica à margem da política, como é o caso dos analfabetos funcionais. 

De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 93% dos brasileiros com 15 anos ou mais são alfabetizados no Brasil e 7% são analfabetos. No entanto, apesar da alfabetização se aproximar da universalização, cerca de 29% desses adultos são analfabetos funcionais.

O nível de leitura e escrita desse grupo é considerado rudimentar, segundo a ONG Analfabetismo Funcional, o que significa que são capazes de compreender informações explícitas e números com os quais estão familiarizados, mas não conseguem decodificar textos mais longos ou operações matemáticas mais complexas.

"O que a gente precisa é fechar essa torneira, que é garantir que as pessoas sejam alfabetizadas na idade certa. E ser alfabetizado na idade certa, no Brasil, é no início do fundamental", argumenta Gontijo. "Se a pessoa não se alfabetizar na idade certa, ela vai tendo muita dificuldade ao longo da sua trajetória escolar e não só na disciplina de língua portuguesa, não consegue resolver uma questão de geografia, ou resolver um problema de matemática. Se a gente consegue garantir uma base muito bem feita, a trajetória dessas crianças vai ser muito mais fácil". 

Fonte: DW em Destaque, Educação Brasil, 15/08/2025.

sábado, 1 de junho de 2024

Censo 2022: Taxa de analfabetismo cai de 9,6% para 7,0% em 12 anos, mas desigualdades persistem


Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que, dos 163 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade, 151,5 milhões sabiam ler e escrever um bilhete simples e 11,4 milhões não sabiam. Assim, a taxa de alfabetização para esse grupo foi de 93,0% em 2022 e a taxa de analfabetismo foi de 7,0%. No Censo 2010, as taxas de alfabetização e analfabetismo eram de 90,4% e 9,6%.  

Essas e outras informações fazem parte da divulgação Censo Demográfico 2022 Alfabetização - Resultados do Universo. Os dados estão sendo apresentados hoje (17), a partir das 10 horas, na quadra da escola de samba Unidos de Vila Maria, no bairro Jardim Japão, na capital paulista. O evento será transmitido pelo IBGE Digital e nas seguintes mídias sociais do Instituto: Youtube, Instagram e Facebook. Os dados também podem ser acessados no SIDRA, no Panorama do Censo e na Plataforma Geográfica Interativa (PGI), onde poderão ser visualizados por meio de mapas interativos.  

O tema é investigado desde o primeiro Censo do país em 1872. Em 1940, menos da metade da população (44,0%) era alfabetizada. 

As pessoas de cor ou raça branca e amarela com 15 anos ou mais de idade tiveram as menores taxas de analfabetismo, 4,3% e 2,5%, respectivamente. Já as pessoas de cor ou raça preta, parda e indígena do mesmo grupo etário tiveram taxas de 10,1%, 8,8% e 16,1%, respectivamente. 

Ou seja, as taxas de analfabetismo de pretos e pardos são mais que o dobro das dos brancos, e a de indígenas é quase quatro vezes maior. No entanto, de 2010 para 2022, a diferença entre brancos e pretos caiu de 8,5 para 5,8 p.p e a vantagem também ficou menor em relação a pardos (de 7,1 p.p. para 4,3 p.p.) e indígenas (de 17,4 p.p. para 11,7 p.p).



Todos os grupos etários tiveram queda na taxa de analfabetismo 

A queda na taxa de analfabetismo ocorreu em todas as faixas etárias. Em 2022, o grupo mais jovem de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%) e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa de analfabetismo (20,3%), mas teve a maior queda em três décadas, passando de 38,0% em 2000, para 29,4% em 2010 e 20,3% em 2022, uma redução de 17,7 p.p. desde 2000 (queda de 46,7%). 

“Esse comportamento reflete, principalmente, a expansão educacional, que universalizou o acesso ao ensino fundamental no início dos anos 90, e a transição demográfica, que substituiu gerações mais antigas e menos educados por gerações mais novas e mais educadas”, explica Betina Fresneda, analista da pesquisa. 

Analisando-se as taxas por idade e cor ou raça, o analfabetismo para pretos e pardos atingiu valores acima de 2% a partir da faixa etária de 25 a 34 anos de idade, enquanto para brancos isso ocorreu a partir de 35 a 44 anos. A diferença entre brancos e pretos atinge seu valor máximo para o grupo de 65 anos ou mais (20,9 p.p.). 

“A elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação, tanto para escolarização das crianças, quanto para a garantia de acesso a programas de alfabetização de jovens e adultos por uma parcela das pessoas que não foram alfabetizadas nas idades apropriadas”, diz a analista da pesquisa. 



Apenas na faixa de 65 anos ou mais, alfabetização de homens é maior do que a de mulheres 

Em 2022, o percentual de mulheres que sabiam ler e escrever era de 93,5%, ante 92,5% dos homens. A vantagem é verificada em todos os grupos etários, exceto entre os de 65 anos ou mais de idade, com 79,9% para homens e 79,6% para as mulheres. A maior diferença foi no grupo de 45 a 54 anos, 2,7 p.p a mais para as mulheres. 

Taxa de analfabetismo em pequenos municípios é quatro vezes maior do que a de cidades acima de 500 mil habitantes 

A taxa de analfabetismo foi abaixo da média nacional somente nos municípios acima de 100.000 habitantes. Os 1.366 municípios com população entre 10.001 e 20.000 habitantes apresentaram a maior taxa média de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais (13,6%). Essa taxa é mais de quatro vezes maior do que aquela calculada para os 41 municípios cuja população era acima de 500.000 habitantes (3,2%). 

“A alfabetização é de responsabilidade dos municípios e está diretamente relacionada aos recursos que os municípios têm para investir em educação. A taxa de analfabetismo é menor nos municípios acima de 100 mil habitantes porque eles dispõem de mais recursos e infraestrutura para educação, além de outros fatores como localização, idade média e áreas urbanas ou rurais”, ressalta Betina Fresneda. 

Em todas as classes de tamanho, os cinco municípios com menor taxa de analfabetismo são da Região Sul ou de São Paulo. Na faixa de até 10 mil habitantes os destaques são: São Joao do Oeste/SC (0,9%), Westfália/RS (1,1%), Rio Fortuna/SC (1,2%), Águas de São Pedro/SP (1,2%) e São Vendelino/RS (1,3%). Entre os municípios acima de 500 mil habitantes destacam-se Florianópolis/SC (1,4%), Curitiba/PR (1,5%), Joinville/SC (1,6%), Porto Alegre/RS (1,7%) e Santo André/SP (2,0%). 

Já as maiores taxas de analfabetismo foram encontradas na Região Nordeste, que reuniu 22 dos 25 municípios selecionados. As maiores taxas estão nas classes de até 10 mil habitantes, todos do Piauí - Floresta do Piauí (34,7%), Aroeiras do Itaim (34,6%), Massape do Piauí (34,3%), Paquetá do Piauí (34,3%) e Padre Marcos (34,0%); e na faixa de 10 mil a 50 mil habitantes – Alto Alegre/RR (36,8%), Estrela de Alagoas/Al (34,2%), Traipu/AL (32,7%), Pedro Alexandre/BA (31,9%) e Amajari/RR (31,8%). 

Sul e Sudeste têm taxa de alfabetização acima de 96% 

A Região Sul continuou com a maior taxa de alfabetização, que aumentou de 94,9% em 2010 para 96,6% em 2022. Em seguida, está a da Região Sudeste, passando de 94,6% em 2010 para 96,1% em 2022. A taxa da Região Nordeste permaneceu a mais baixa, apesar do aumento de 80,9% em 2010 para 85,8% em 2022. A segunda menor taxa de alfabetização é a da Região Norte, cujo indicador seguiu a tendência nacional, aumentando de 88,8% em 2010 para 91,8% em 2022, ficando um pouco mais próxima da Região Centro-Oeste, que passou de 92,8% em 2010 para 94,9% em 2022.  

Taxa de analfabetismo do Nordeste continua sendo o dobro da média nacional 

O analfabetismo na Região Nordeste (14,2%) continuou sendo o dobro da média nacional (7,0%) – em 2010, as taxas eram, respectivamente, de 19,1% e 9,6%. As taxas de analfabetismo do Norte e do Nordeste tinham, em 2022, valores acima de 2% desde o primeiro grupo de idade. No Centro-Oeste, isso ocorreu a partir de 35 a 44 anos e para no Sul e Sudeste apenas a partir de 45 a 54 anos.  

Enquanto entre as pessoas com até 44 anos a taxa de analfabetismo era menor que 2% nas regiões Sudeste e Sul, o grupo mais novo, de 15 a 19 anos, sequer tinha alcançado percentuais de analfabetismo abaixo de 2% nas regiões Norte (2,2% de analfabetos) e Nordeste (2,4% de analfabetos). Pessoas com 65 anos de idade ou mais no Nordeste têm taxa de analfabetismo (39,4%) 3,5 vezes maior do que a registrada na Região Sul (11,3%) para o mesmo grupo etário. 

Santa Catarina tem a maior taxa de alfabetização, Alagoas, a menor 

Entre as unidades da federação, as maiores taxa de alfabetização foram registradas em Santa Catarina, com 97,3%, e no Distrito Federal, com 97,2%, e as menores, em Alagoas, com 82,3%, e no Piauí, com 82,8%. Em 2010, a diferença entre a maior e a menor taxa de alfabetização, isto é, entre o Distrito Federal e Alagoas, era de 20,9 p.p., enquanto, em 2022, esse diferencial caiu para 15,0 p.p. entre Santa Catarina e Alagoas. Entre os censos de 2010 e 2022, Alagoas foi a unidade da federação que mais aumentou o percentual de pessoas de 15 anos ou mais alfabetizadas, com uma expansão de 6,7 p.p., resultado que, no entanto, não foi suficiente para retirá-la da última posição. 



Taxa de alfabetização das pessoas indígenas foi 85,0% em 2022 

No Censo 2022, definiu-se como pessoas indígena aquela que reside em localidades indígenas e se declarou pelo quesito "cor ou raça" ou pelo quesito "se considera indígena", e, também, a pessoa que vive fora das localidades indígenas e se declarou no quesito "cor ou raça". Por isso, o total de pessoas indígenas pode ser superior ao total de pessoas de cor ou raça indígena. 

Os resultados do Censo Demográfico 2022 mostram que havia no país 1.187.246 pessoas indígenas de 15 anos ou mais de idade, das quais 1.008.539 sabiam ler e escrever um bilhete simples e 178.707 não sabiam. Ou seja, a taxa de alfabetização das pessoas indígenas foi de 85,0% em 2022, abaixo da taxa nacional, de 93,0%. A taxa de analfabetismo dessa população foi de 15,1%, acima da taxa nacional de 7,0%.  

As taxas de alfabetização mais elevadas das pessoas indígenas são encontradas no Sudeste (91,7%), Sul (89,4%) e Centro-Oeste (87,3%). As mais baixas no Nordeste (82,0%) e Norte (84,7%).   

Taxa de analfabetismo das pessoas indígenas caiu em todas as regiões e faixas etárias 

De 2010 para 2022, a taxa de analfabetismo das pessoas indígenas caiu de 23,4% para 15,1%. Houve redução em todas as grandes regiões, sendo a queda mais expressiva observada na Região Norte (de 31,3% para 15,3%), seguida da Região Centro-Oeste (de 20,8% para 12,7%) e da Região Nordeste (de 24,4% para 18,0%). A Região Sudeste teve a menor queda na taxa de analfabetismo das pessoas indígenas, que passou de 10,5% para 8,3%, e o Sul, a segunda menor, passando de 15,7% para 10,6%. 

A queda na taxa de analfabetismo das pessoas indígenas ocorreu em todas as faixas etárias, com as maiores reduções nas faixas de 35 a 44 (de 22,9% para 12,0%), 55 a 64 (de 38,3% a 27,4%) e 25 a 34 anos de idade (de 17,4% para 6,7%). “Isso é reflexo do investimento na educação diferenciada de crianças, jovens e adultos indígenas, no período intercensitário, e a ampliação do pertencimento étnico-indígena fora das Terras Indígenas, quando comparado com 2010”, diz Marta Antunes, coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE. 

Os homens indígenas de 15 anos ou mais têm taxa de alfabetização de 85,7%, 1,4 p.p. acima da taxa de alfabetização das mulheres indígenas (84,3%). A desagregação da taxa de alfabetização das pessoas indígenas por sexo e grupos de idade demonstra que as mulheres indígenas têm taxa de alfabetização ligeiramente superior entre os 15 e 34 anos de idade. A partir dos 35 anos, a taxa de alfabetização dos homens indígenas se torna superior, com diferenças maiores (4,7 p.p.) para o grupo de 65 anos ou mais, o que aponta para um possível maior acesso das mulheres indígenas à educação nas faixas de idade mais jovens.  

Mais sobre a pesquisa 

Com a pesquisa “Censo 2022 Alfabetização: Resultados do Universo”, o IBGE traz a público mais uma divulgação temática dos resultados do Censo Demográfico 2022, abordando as informações relativas à alfabetização da população brasileira.  Nesta divulgação, os dados disponibilizados contemplam os recortes Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e Municípios e estão desagregados, também, segundo a cor ou raça, pessoas indígenas, sexo e os grupos de idade dos moradores.

Destaques

* Em 2022, havia, no país, 163 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade, das quais 151,5 milhões sabiam ler e escrever um bilhete simples e 11,4 milhões não sabiam. Ou seja, a taxa de alfabetização foi 93,0% em 2022 e a taxa de analfabetismo foi 7,0% deste contingente populacional.

* No Censo 2010, as taxas de alfabetização e analfabetismo eram de 90,4% e 9,6%. Em 1940, menos da metade da população de 15 anos ou mais (44,0%) era alfabetizada.

* Os grupos de idade de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos tinham as menores taxas de analfabetismo (1,5%) e o de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa (20,3%). Porém o grupo de idosos teve a maior queda em duas décadas, passando de 38,0% em 2000, para 29,4% em 2010 e 20,3% em 2022, redução de 17,7 p.p. (queda de - 46,7%).

* As taxas de analfabetismo de pretos (10,1%) e pardos (8,8%) são mais do dobro da taxa dos brancos (4,3%). Para cor ou raça indígena (16,1%), é quase quatro vezes maior.

* A distância entre a população branca e as populações preta, parda e indígena era maior em 2010 (8,5; 7; e 17,4 p.p), caindo para 5,8; 4,5; e 11,7 p.p. em 2022. A vantagem da população branca ocorre em todos os grupos etários.

* Os 1.366 municípios entre 10.001 e 20.000 habitantes apresentaram a maior taxa média de analfabetismo (13,6%), mais de quatro vezes a taxa dos 41 municípios acima de 500.000 habitantes (3,2%).

* Apesar do aumento de 80,9% em 2010 para 85,8% em 2022, a taxa de alfabetização da região Nordeste permaneceu a mais baixa. Sul e Sudeste têm taxas de alfabetização acima de 96%.

* A taxa de analfabetismo do Nordeste (14,2%) permanece o dobro da média nacional (7,0%).

* Por unidade da federação, as maiores taxas de alfabetização foram registradas em Santa Catarina (97,3%) e no Distrito Federal (97,2%), e as menores, em Alagoas (82,3%) e no Piauí (com 82,8%).

* A taxa de alfabetização das pessoas indígenas, incluindo as que se consideram indígenas pelo critério de pertencimento, foi 85,0% em 2022, com alta em todas as grandes regiões e faixas etárias. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que, dos 163 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade, 151,5 milhões sabiam ler e escrever um bilhete simples e 11,4 milhões não sabiam. Assim, a taxa de alfabetização para esse grupo foi de 93,0% em 2022 e a taxa de analfabetismo foi de 7,0%. No Censo 2010, as taxas de alfabetização e analfabetismo eram de 90,4% e 9,6%.  

Fonte: Agência de notícias IBGE em 17/05/2024.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Como escrita à mão beneficia o cérebro e ganha nova chance em escolas


A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão novamente tendo de aprender a escrever em letra cursiva

Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de volta — movimento semelhante ao que ocorre em mais de 20 Estados americanos, em diferentes graus.

A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis do caderno — chegou a ser vista como uma técnica moribunda nos EUA.

Agora, a decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se essa técnica acabar caindo no esquecimento.

Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana (EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6 anos.

Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento da leitura.

Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger (Universidade de Washington), também mostrou que a escrita cursiva, os materiais impressos e a digitação usam funções cerebrais relacionadas, porém diferentes.

Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e dominarem a capacidade de escrever.

Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar as habilidades de leitura.

A despeito disso, o ensino da letra cursiva para crianças pequenas vinha se tornando mais raro. Em vários países, essa técnica não é mais obrigatória.

Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz desafios aos professores.

"Mais de 20 Estados acrescentaram a suas diretrizes educacionais a exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos", explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretora-executiva do Colaborativo de Escrita à Mão, organização que ensina boas práticas nessa área. "Mas essa exigência não é imposta nem recebe financiamento, então o ensino da escrita à mão não é endereçado de forma consistente."

Dessa forma, professores californianos terão agora de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.

Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como benéfica, num momento pós-pandemia em que se buscam formas de ensinar habilidades que reduzam a dependência das telas entre crianças.

"Temos visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos estão tendo dificuldades na escola, que não foram ensinados a escrever porque usam principalmente computadores e outros aparelhos", diz Kelsey Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).

A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na Europa Ocidental, em particular em países como Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França.

Já a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de suas escolas em 2016.

O Canadá tentou descartar a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023. O Ministério de Educação da província de Ontário restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora está virando uma espécie de laboratório para outras regiões que tentam entender quais as melhores práticas para esse ensino, quanto tempo devem durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.

Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas ressaltam que não há lado negativo em aprender letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente causais, alguns educadores temem que o abandono da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos em sua capacidade de ler textos.

Além disso, o mero ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado de palavras.

"É importante achar um equilíbrio para garantir que os alunos tenham habilidades que sejam obtidas sem o uso da tecnologia", opina a especialista Voltz-Poremba.

Fonte: BBC News Brasil em 29/01/2024.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Educadora do CEUB propõe medidas para fortalecer o ensino básico no Brasil

Docente sugere a implementação de métodos que garantam a educação de qualidade

Em 14 de novembro foi comemorado o Dia Nacional da Alfabetização no Brasil. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil 14.194.397 milhões de adultos não foram alfabetizados. Desde 2018, a taxa de analfabetismo aumentou em cerca de 3 milhões. A docente do curso de Pedagogia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Ana Gabriella Sardinha, comenta a importância da data e alternativas para aumentar o desempenho da educação básica no país.

Segundo a pedagoga do CEUB, a alfabetização é a base da educação e a data é um momento para educadores e governantes refletirem sobre o analfabetismo e a importância da alfabetização para o desenvolvimento social e econômico mundial. “A alfabetização de adultos e idosos amplia as oportunidades, sejam elas educacionais ou profissionais. Amplia as possibilidades de se viver em sociedade com autonomia e liberdade. Quem não lê espera ajuda!”, destaca.

Sobre o acesso ao ensino básico de qualidade no país, Ana Gabriella explica que, no Brasil, o conceito qualitativo se divide em sete dimensões: ambiente educativo, prática pedagógica, avaliação, gestão escolar democrática, formação e condições de trabalho dos profissionais da escola, espaço físico escolar e, por fim, acesso, permanência e sucesso na escola. “Tendo estes parâmetros como referência e os planos municipais, cabe dizer que ainda não estamos com bons resultados nos índices nacionais e internacionais, mas já conseguimos organizar e corrigir nossas rotas,” explica a educadora.

No combate às desigualdades sociais e educacionais, Ana Gabriella defende a necessidade de levar a educação para aqueles que não tiveram acesso, mas atender também com prioridade as classes populares, os pardos e negros, as mulheres, o idosos e os que passam por privação de liberdade.

Analfabetismo funcional

Outro desafio enfrentado na educação brasileira é o analfabetismo funcional. A escala de alfabetismo do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF) se subdivide em 5 níveis: analfabeto, rudimentar, elementar, intermediário e proficiente. Dentro dessa escala, é classificado como analfabeto funcional aquele que faz parte do nível analfabeto e rudimentar.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), 29% da população brasileira apresenta algum nível de analfabetismo funcional. Ana Gabriella Sardinha sugere a implementação de métodos e técnicas que façam todos alcançarem o domínio da leitura, ampliando o acesso aos gêneros textuais.

A professora sugere ainda iniciativas de informação e busca ativa, para que cada estudante possa ser acolhido em instituições de ensino próximas às suas residências ou trabalho. Ela destaca a dificuldade do processo de matrículas pelos não alfabetizados e a escassez de transporte público em regiões de baixo IDH. “Muitas vezes aquela visita porta a porta feita pelos professores, aviso na rádio comunitária ou o carro de som tem mais alcance. A formação de professores também é um desses pilares, mas precisamos fortalecer a formação inicial e ampliar a formação continuada para atender as demandas atuais e futuras”, finaliza.

Atendimento à Imprensa: ceub@maquinacw.com (61) 98427-2785 e 98112-2757