quarta-feira, 8 de julho de 2026

'Educação sem propósito vira distração.'


No Arco Day 2026
, Débora Garofalo trouxe uma reflexão importante sobre inovação na educação: tecnologia, por si só, não transforma a aprendizagem.

É a intencionalidade que transforma ferramentas em oportunidades, estudantes em protagonistas e informação em reflexão.

Porque, no fim, quando falamos de educação, estamos falando de pessoas.

@arcoeducacao

Só nós professores sabemos dessas histórias. O mundo não tem noção dos gênios que chegam até nós, e às vezes não temos como dar o encaminhamento que eles merecem.

@fabianoazevedo333

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Um exemplo de educadora


"Marva Collins
era professora em Chicago nos anos 70 e recebia as crianças que as outras escolas mandavam embora, as que tinham sido rotuladas como “burras”, “problemáticas”, sem futuro.

Ela não aceitou esses rótulos. Criou a própria escola no segundo andar da sua casa, com método rigoroso, afeto inabalável e uma crença simples: toda criança é capaz de aprender, desde que alguém acredite nela primeiro." @vivianborgespsicopedagoga

"Sua história inspirou o filme para televisão The Marva Collins Story, estrelado por Cicely Tyson.... Até porque os conceitos de "pobre" e "negro" ou seja qual for a classificação social que dão não definem quem uma pessoa é. Condições socioeconômicas e etnia não determinam caráter, capacidade ou valor humano, muitas dessas associações foram fortalecidas por uma lógica de opressão e por um pensamento colonizador que hierarquizou pessoas e naturalizou desigualdade e que perdura ainda nos tempos de hoje... superar esses rótulos também faz parte do amadurecimento social. e Marva Collin trouxe outra postura , com sua atitude perspicaz , eficazmente Collin fez. Isso nos leva a refletir: a necessidade de mais responsabilidade na gestão dos recursos públicos e um compromisso constante com uma educação e políticas públicas de qualidade." @silviapedneuro


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domingo, 5 de julho de 2026

Sem barba, bigode ou brinco: alunos denunciam preconceitos em escolas cívico-militares de São Paulo


Baseadas em regimento experimental do governo estadual, normas de padronização visual geram atrito e ameaçam diversidade

Estudantes de uma escola cívico-militar de São Paulo denunciaram, à direção escolar, militares que estariam agindo de forma preconceituosa com os alunos. Um deles teria afirmado que “cabelo comprido e brinco não é coisa de menino”. Em resposta, o diretor afirmou aos estudantes, durante uma formação, que a permanência deles na escola é uma escolha dos responsáveis legais, sugerindo que os descontentes busquem outras unidades de ensino. Na declaração, à qual o Brasil de Fato teve acesso, o administrador anuncia a implementação de um regime disciplinar mais rígido a partir da semana seguinte.

“Já acabou a paciência. Vocês têm que entender o que vocês têm que fazer aqui dentro dessa escola. Eu já falei: não são obrigados a estarem aqui. Estão aqui porque os pais escolheram aqui. A mesma coisa que eu falei nas duas turmas: quem manda ainda em vocês são os responsáveis de vocês, porque vocês são todos menores”, afirmou o diretor. “Querem reclamar? Reclamem em casa. Não está feliz aqui, seja feliz em outro lugar. Só que quem estiver aqui vai seguir as regras do Círculo Militar, e que fique entendido para todos. A partir de segunda-feira, vai ser uma nova escola.”

As escolas cívico-militares do estado de São Paulo, implementadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seguem um regimento interno “experimental”, que define, entre outros tópicos, regras de comportamento e estilo. De acordo com a Secretaria de Educação estadual, ainda não há um regimento finalizado publicado, e as escolas se baseiam no documento descrito como experimental. Ainda segundo a pasta, o documento final trará alterações.

As normas determinam que o cabelo dos meninos seja mantido no estilo conhecido como meia cabeleira, com formato considerado discreto e harmonizado em toda a cabeça. O documento também define limites para as costeletas, que devem terminar na altura das incisuras laterais das orelhas. Além disso, orienta os alunos a não adotarem cortes raspados, desenhos com letras, símbolos ou riscos, pinturas coloridas, topetes e penteados do tipo moicano.

As regras proíbem ainda o uso de bigode, barba e cavanhaque. O regimento também veta alterações nas sobrancelhas por meio de cortes ou riscos, conhecidos como talhos, para evitar mudanças em sua forma natural. Segundo o texto, as orientações têm como objetivo padronizar a apresentação pessoal dos estudantes dentro do ambiente escolar. Adereços como brincos, colares, pulseiras, relógios e anéis são permitidos somente para as meninas e devem ser utilizados “de forma discreta”.

Questionado se possui algum documento com diretrizes para esse modelo escolar, o Ministério da Educação informou que descontinuou o Programa de Fomento às Escolas Cívico-Militares (Pecim), por meio do Decreto 11.611/23 que estabeleceu um processo de transição para seu encerramento de forma cuidadosa, de maneira a não prejudicar as escolas que haviam aderido. Desde 1º de janeiro de 2024, portanto, todas as escolas cívico-militares criadas pelo Decreto 10.004/19 deixaram de existir. Com o fim do Programa de Fomento às Escolas Cívico-Militares (Pecim) não existe incentivo por parte do MEC para iniciativas de escolas cívico-militares.

Autoritarismo ligado ao modelo

As imposições reclamadas condizem com o regimento do governo estadual. Ainda que experimentais, as regras demonstram o aspecto autoritário do modelo das escolas cívico-militares. 

Catarina Santos, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora associada da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), afirma que as restrições relacionadas ao cabelo, às vestimentas e aos comportamentos não surgem do ambiente escolar, mas são transferidas do modelo militar para dentro das salas de aula.

“Quando você pega as regras e como os monitores estão implementando isso na escola, você pode pegar os regimentos dos quartéis e eles vão ter as mesmas proibições. O que acontece quando a escola é militarizada? Leva-se para a escola as mesmas regras do quartel. Não por acaso, a gente cunhou isso muito da pedagogia do quartel. Você imprime aos estudantes as regras que são impostas aos militares ou aos soldados”, diz. 

Santos, no entanto, defende que essa transposição descaracteriza a escola como espaço de convivência entre diferentes formas de expressão e identidade. “A escola não é um quartel, os estudantes não são soldados. Essas regras que são definidas para uma categoria profissional, no caso dos militares, ao levar isso para a escola, destituem-na da sua característica de diversidade. A escola pública é essa escola de convivência com as diferenças, com quem tem o cabelo comprido, com quem tem o cabelo colorido, com quem tem cabelo curto, com quem raspa a cabeça, com quem usa brinco, com quem usa cabelos diferentes.”

A professora afirma ainda que a estrutura militar é baseada em hierarquia e cumprimento de ordens, o que seria incompatível com a construção de um ambiente democrático. “No quartel, você tem regras muito rígidas e muito definidas. O militarismo é um espaço autoritário, é um espaço que funciona a partir de regras estabelecidas hierarquicamente. Isso na escola não cabe. Quando você leva para a escola a lógica desse militarismo, você destitui a escola de ser um espaço de construção de democracia”, diz. 

Catarina também questiona os fundamentos utilizados para sustentar a constitucionalidade dos programas de militarização das escolas. Segundo Santos, os próprios manuais que orientam o funcionamento do modelo entram em conflito com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A pesquisadora diz que a padronização imposta aos estudantes contraria princípios de respeito à diversidade e às diferenças garantidos pela legislação brasileira.

Para a pesquisadora, os relatos apresentados por estudantes reforçam críticas já registradas em outras regiões do país. “Tudo isso que vocês vão trazendo, que vocês ouvem, mas que eu vivencio das denúncias, mostra o quão é furada essa tese da constitucionalidade da militarização.”

A professora avalia ainda que a expansão das escolas cívico-militares está associada à construção de uma narrativa segundo a qual esse modelo garantiria segurança, disciplina e melhores resultados educacionais. A pesquisadora argumenta, porém, que a disciplina e a convivência social não dependem da lógica militar.

“Há um processo de convencimento desta sociedade. Constrói-se um entendimento de que a escola militar será a escola segura, a escola ordenada. Vai se dizer que as escolas não militarizadas são escolas indisciplinadas, desordeiras e que não entregam resultados. Mas a disciplina não tem a ver com a disciplina militar. A convivência precisa ser pautada no respeito e não no medo”, afirma.

Sobre a expansão das escolas, Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, afirma que a militarização é apresentada como uma solução para problemas históricos da educação pública, como falta de investimentos, infraestrutura insuficiente e carência de professores. Segundo o docente, a proposta se apoia na percepção de parte da população de que a escola pública está abandonada pelo Estado e oferece a militarização como um caminho para melhorar a qualidade do ensino.

No entanto, Cássio avalia que a expansão dessas escolas não pode ser explicada apenas pelo conservadorismo. Segundo o professor, embora existam demandas conservadoras em determinadas regiões, a procura pelo modelo também está relacionada à expectativa de melhoria das condições das escolas. “Não é a militarização necessariamente, é a melhoria da qualidade da escola. A escola vai ser pintada, a escola vai ter professor com dedicação exclusiva, a escola vai ter climatização nas salas”, diz. 

O pesquisador destaca ainda que, em São Paulo, a maioria das escolas militarizadas está localizada no interior do estado e que grande parte delas já funcionava em tempo integral. Segundo Cássio, essas unidades costumam receber mais recursos e apresentar melhores condições de funcionamento, o que dificulta atribuir eventuais resultados à militarização.

Ele também chama atenção para municípios pequenos que passaram a concentrar todas as matrículas do ensino médio em escolas militarizadas. “Não tem escola de ensino médio que não seja militarizada. Então não tem nem opção.” Segundo Cássio, a ausência de alternativas limita a escolha das famílias e amplia os impactos do modelo sobre todo o sistema de ensino.

Para Cássio, embora a proposta seja apresentada como um instrumento para melhorar a disciplina e a qualidade do ensino, os efeitos observados nas escolas seguem outra direção. “Ela piora a vida dos alunos, porque estimula o bullying, o assédio, uma série de violências que supostamente a militarização desejaria combater. Ela, na verdade, reforça tudo isso”, afirma. 

Até maio de 2026, as escolas militarizadas estavam presentes em 862 municípios brasileiros, o equivalente a 15,5% das 5.571 cidades do país. O levantamento, do grupo de estudos Direito à Educação, Economia e Políticas Educacionais (Deep) da USP, aponta a existência de 1.578 unidades com esse modelo de gestão. Desse total, 1.047 são estaduais, o que representa 66,3% das escolas militarizadas. Outras 499 pertencem às redes municipais, correspondendo a 31,6%, enquanto 32 são privadas, ou 2% do total.

O número de escolas militarizadas cresceu 595% em relação a 2019, ano em que o governo de Jair Bolsonaro criou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), descontinuado em 2023, e passou a incentivar a adoção do modelo nas redes públicas de ensino.

Entre os municípios com maior número de escolas estaduais militarizadas estão Cuiabá, com 42 unidades, Curitiba, com 35, Manaus, com 29, Brasília, com 25, Londrina, com 21, e Boa Vista, com 20. Nas redes municipais, os maiores números foram registrados em Maracanaú, no Ceará, com 13 escolas militarizadas, seguido por Paço do Lumiar, no Maranhão, com nove, e Mirador, também no Maranhão, com oito. 

Fonte: Brasil de Fato em 23/06/2026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Rio: Escola da Maré está entre as melhores e recebe prêmio internacional


O reconhecimento internacional é só uma parte dessa história

Por trás dele, existem alunos que sonham, profissionais que acreditam, famílias que caminham juntas e uma comunidade que faz da educação um espaço de transformação todos os dias.

Conheça um pouco mais do GET IV Centenário, escola finalista do Prêmio Melhores Escolas do Mundo 2026 na categoria “Superação de Adversidades”.

Assista o vídeo AQUI!

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos em escola militar no RS


'Chora com vontade, senão vou te dar um tiro'

A psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.

Causou desconfiança na mãe o fato de a criança chorar rotineiramente no caminho para a Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre. Mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a instituição atende gratuitamente filhos dos brigadistas com idades entre 2 e 6 anos.

Ela conta que Pedro, cujo nome foi alterado para preservar a criança, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo. Desculpava-se, com insistência, diante de qualquer situação. "Se ele derrubasse uma água, ele me pedia desculpas várias vezes", diz. E começou a chorar muito ao se aproximar da escola.

Foi depois de mais um dia em que Pedro entrou pelo corredor da escola aos berros, pulando, "sendo levado", sem que ela pudesse acompanhá-lo, que a situação chegou ao limite para Shaiane.

No dia seguinte, ela colocou um gravador dentro da mochila da criança.

No início, Shaiane disse que não tinha razões para se preocupar com a instituição onde seu filho passava algumas horas do dia.

Para chegar ali, a família esperou que ele completasse dois anos — pré-requisito para a matrícula — e passou por um processo seletivo, do qual ela desconhece os critérios de aceitação.

Mas, como o pai é brigadista, e a proposta apresentada à família era de uma escola de educação infantil, a instituição parecia uma boa escolha, segundo ela afirma.

Passado o período comum de adaptação, Pedro foi se acostumando e começou a fazer amiguinhos.

Esporadicamente, algumas situações na escola incomodavam a mãe, como quando ele chegou com uma mordida no braço sem explicação.

"Perguntei se ele não avisou à professora [sobre a mordida] e ele disse que não, que ela estava ocupada cuidando de outros coleguinhas e por isso ele não quis falar", conta ela.

"Fiquei sem entender. Como ninguém viu aquela mordida?"

Ao perguntar à professora, a mãe ouviu que ninguém viu o ocorrido e que o menino não havia chorado.

"Achamos estranho. Uma mordida daquelas deve ter doído, e é normal que a criança chore."

Na mesma lista de situações que causaram estranheza à família do menino, está o dia em que ele voltou para casa com febre alta sem que ninguém houvesse avisado a mãe ou o pai, segue ela.

Um dia, Pedro chegou com uma assadura tão severa que ficou com dificuldade de caminhar pela casa.

Em nenhum desses episódios a escola demonstrou ter tomado conhecimento do ocorrido, de acordo com a mãe.

"Essas situações pequenas iam acontecendo e parecia que ninguém estava vendo", diz ela.

As tentativas de contato com a escola, segundo a mãe, eram todas frustradas.

"Eu tenho vários registros de mensagens que eu tentava mandar para a professora, e ela sempre minimizando", afirma. "Eu não tinha nenhum acolhimento da parte deles, era sempre 'ah, isso aí acontece, é normal'."

"Mandei mensagens para a sarjenta, que é como se fosse a coordenadora da escola, e não tive retorno", diz. "Eu ficava ali sendo ignorada."

Com o passar dos meses, a mãe diz ter percebido que a primeira coisa que o filho perguntava ao acordar era se ele teria de ir para a escola. Diante da resposta positiva, ela diz, o menino permanecia a manhã toda em casa calado.

"Ele não brincava, não tinha aquela energia, não tinha disposição. Parecia que ele ficava a manhã inteira só esperando aquela hora [de ir para a escola] que ia ser um sofrimento."

Sem diálogo com a escola e diante dos episódios duvidosos, Shaiane teve a ideia do gravador.

No dia em que ela colocou o aparelho na mochila do menino, ele voltou para casa rouco.

"Ele chegou quase sem voz, e eu lembro que naquele dia mandei mensagem para o meu esposo e falei 'olha, ele está resfriando'."

Em seguida, a mãe foi ouvir as gravações.

"Aí foi um choque."

A BBC News Brasil teve acesso a trechos da gravação. É possível ouvir o menino chorando, pedindo a chupeta e chamando pela mãe.

"Meu filho ficou cerca de 40 minutos berrando, e acaba se acalmando sozinho, porque tem um momento da gravação que ele volta e diz 'eu me acalmei'", conta. "Ele foi totalmente escanteado."

Em um trecho, é possível ouvir uma mulher dizendo para o garoto: "O que tu tá fazendo? Tu não vais pintar mais", e o menino responde: "Desculpa".

A mulher então diz "não, tu não vais pintar mais, acabou. Eu adoro pintar e vou". O menino então começa a chorar e pede pela mãe. A mulher responde: "Não me vem com mamãe".

Em outro trecho, o que deixou Shaiane mais assustada, ouve-se a voz de uma mulher dizendo: "Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro".

"Na gravação é possível ouvir barulhos o tempo inteiro, e eu escuto ele berrando, pedindo pela mamãe", conta Shaiane.

"Ou seja, naquele dia, ele chegou em casa rouco, não era por causa de um resfriado. Foi de tanto que ele chorou."

Legenda da foto, Shaiane procurou a professora de Pedro para perguntar sobre uma marca de mordida, mas ouviu que ninguém viu o que aconteceu e que a criança não chorou

'O que mais ele passou?'

Os episódios relatados ocorreram no ano passado. Shaiane e o marido recorreram ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que os orientou primeiro a realizar uma denúncia via Corregedoria da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

A BBC News Brasil procurou o departamento de imprensa da Brigada que afirmou, por meio de nota, que um inquérito foi aberto para apurar os fatos e que a professora de Pedro foi afastada durante o período de investigação.

No entanto, ela retornou à escola antes da conclusão do inquérito. Segundo Shaiane, famílias de outras crianças fizeram um abaixo-assinado pedindo a volta da servidora.

"Tentaram nos calar. Uma mãe inclusive colocou no grupo de WhatsApp um trecho do processo, que corria em sigilo", conta Shaiane.

Segundo a nota da Brigada, o laudo pericial feito pela própria Corregedoria concluiu que "os arquivos analisados não apresentaram elementos técnicos suficientes para confirmar integralmente o conteúdo divulgado, nem permitiram a identificação conclusiva da autoria vocal".

"Com base no conjunto de provas reunido, incluindo depoimentos e laudo pericial, não foram identificados elementos suficientes para comprovar ilícito penal ou transgressão disciplinar", diz a nota.

No entanto, depoimentos de duas servidoras da escola aos quais a BBC News Brasil teve acesso, e que constam no processo, mostram que elas reconheceram a voz e identificaram a professora de Pedro.

Mesmo com a Brigada alegando ausência de provas, a professora deixou a escola no fim do ano. Mas não houve uma explicação para a saída dela do cargo.


"Não cabe à instituição divulgar informações individualizadas sobre servidores ou empregados", afirmou a Brigada.

Perguntada se a professora reconhece o que diz nos áudios, a instituição afirmou que "não está autorizada a divulgar manifestações, declarações ou posicionamentos atribuídos a pessoas específicas envolvidas em procedimentos administrativos ou investigatórios".

Sobre as tentativas frustradas de diálogo de Shaiane com a escola, a Brigada afirmou que "mantém canais permanentes de comunicação com as famílias e trata com seriedade todas as demandas recebidas". No entanto, não confirmou ou comentou "fatos específicos" em razão da proteção de dados e informações.

Por fim, o inquérito aberto pela Corregedoria pediu pelo arquivamento na Justiça Militar do Rio Grande do Sul, mas o processo ainda não está encerrado.

Agora, a mãe espera que o MPRS realize sua própria investigação. Há um inquérito aberto na promotoria, mas a BBC News Brasil não conseguiu mais informações sobre a situação do processo nem com a assessoria de imprensa e nem com a promotora do caso.

Fonte: BBC News Brasil em 24/06/2026.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Rio fica em penúltimo em ranking de educação mesmo liderando gastos por aluno


Rio aplica R$ 19,5 mil, anuais por estudante, mas amarga a penúltima posição no Ideb

Líder do ranking nacional de investimentos por aluno, o estado do Rio de Janeiro amarga a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O Rio aplica R$ 19,5 mil anuais por estudante, valor 83% maior do que o investido por Goiás (R$ 10.704), que lidera o ranking de qualidade do Ideb.

Os dados foram revelados por um levantamento do Movimento EducAçãoRio, baseado em dados oficiais do Siope e do FNDE.

O levantamento revela ainda que as despesas correntes, informadas pelo estado do Rio, avançaram em mais de 110% em cinco anos. “Esse investimento não chegou na valorização dos professores e nem na sala de aula”, afirmou Carla Jucá, diretora-executiva do Movimento EducAçãoRio, ao jornal “O Globo”.

Marcada por escândalos

A educação enfrentou escândalos ao longo dos últimos anos. No mês passado, um diretor denunciou à Polícia Federal que o deputado estadual Thiago Rangel, atualmente preso, o pressionava para desviar R$ 200 mil de uma escola no Noroeste Fluminense para financiar a campanha eleitoral de sua filha em 2024.

Recentemente, o governador interino, Ricardo Couto, confirmou a existência de funcionários fantasmas recebendo salários na rede pública. Além disso, professores estaduais relatam que enfrentam anos de defasagem, sem qualquer reajuste significativo no salário-base.

Alunos da rede pública também citam problemas, sobretudo na segurança e estrutura. Professores relatam que receberam livros em volume superior às necessidades dos alunos.

A Secretaria Estadual de Educação informou ao jornal “O Globo” que a distribuição do material didático contempla, além do atendimento aos alunos matriculados, uma reserva técnica destinada a novas matrículas, transferências e reposições ao longo do ano letivo.

A Secretaria afirma, ainda, que foi iniciada uma auditoria administrativa “de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual”.

O Executivo diz ainda que passa a adotar medidas como “a definição de um teto de R$ 130 mil, em conformidade com a Lei de Licitações 14.133, para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. Quaisquer obras que ultrapassem esse limite passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas (Emop-RJ)”.

Outros estados

No país, o Piauí foi o único estado a registrar melhorias consecutivas, tendo hoje o sexto maior indicador no ensino médio estadual.Já o Rio, que chegou a ocupar a quarta colocação em 2013, despencou para a penúltima posição nos resultados mais recentes.

Fonte: ICL Notícias em 01/06/2026.

domingo, 21 de junho de 2026

Cidades usam dinheiro do Fundeb para pagar militares que atuam em escolas


Estudo da USP identificou uso de verba do Fundeb para pagar militares em escolas cívico-militares, prática que pode gerar sanções e é considerada irregular pela legislação educacional

Ao menos 22 municípios brasileiros usaram recursos do Fundeb, o principal mecanismo de financiamento da educação básica, para pagar salários de militares que atuam em escolas militarizadas.

A legislação nacional impede que os recursos da educação pública sejam gastos para a contratação de policiais militares e outros agentes de segurança. Ou seja, o uso do fundo da educação básica para essa finalidade pode acarretar em sanções a esses municípios.

A utilização da verba para o pagamento de militares que atuam em escolas militarizadas foi identificada por um estudo feito pelo DEEP (Estudos em Direito à Educação, Economia e Políticas Educacionais) da USP.

Responsável pelo cálculo e repasse dos recursos do Fundeb, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão ligado ao Ministério da Educação, não respondeu se já identificou irregularidades nos gastos desses municípios. Informou apenas que “eventuais irregularidades e sanções cabíveis são apuradas pelos órgãos de controle competentes”.

Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, mesmo sem haver uma definição sobre a constitucionalidade da militarização da educação básica, o número de escolas com esse modelo sextuplicou no Brasil nos últimos sete anos. Hoje, 6,2% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental e 4,1% do ensino médio estudam em unidades do tipo.

Apesar da explosão da militarização das escolas pelo país, não há atualmente nenhum acompanhamento oficial sobre a implementação desse modelo. Assim, não há levantamento sobre o quanto já foi gasto de recurso público para pagar militares para atuar na educação pública.

O estudo da USP identificou o uso indevido do Fundeb para a remuneração direta ou indireta de militares em 22 municípios. O recurso da União, que por lei é exclusivo para despesas com educação, foi usado para pagar pela atuação dos agentes de segurança em 36 escolas municipais nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão e Rondônia.

Segundo o estudo, os municípios usaram tanto a porção de 70% do fundo, que é destinada à remuneração de profissionais da educação básica em exercício, quanto os 30% destinados às despesas de MDE (Manutenção e Desenvolvimento do Ensino).

A lei do Fundeb e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) definem que os recursos do fundo não podem ser usados para custear a remuneração de militares.

“Diversos modelos de militarização se disseminaram pelo país e, com isso, surgiram arranjos irregulares. Os recursos da educação, tão escassos para a necessidade que temos no país, estão sendo desviados para pagar os militares que vão atuar nas escolas”, diz Fernando Cássio, responsável pelo estudo e professor da Faculdade de Educação da USP.

Segundo o pesquisador, o número de municípios que usam recursos da educação para custear esses agentes pode ser ainda maior. A Bahia é o estado com mais cidades em que foi identificado o uso do Fundeb: Bom Jesus da Lapa, Coaraci, Dias D’Ávila, Filadélfia, Guanambi, Itacaré, Itambé, Itapetinga, Monte Santo e Valença.

Em seguida, aparece Goiás, com oito cidades: Cachoeira Alta, Caiapônia, Cidade Ocidental, Jaupaci, Nova Veneza, Quirinópolis, Uruana e Vicentinópolis. Há ainda os municípios de Capinzal do Norte e Mirador, no Maranhão, Cajueiro, em Alagoas, e Vilhena, em Rondônia.

A reportagem tentou contato com as prefeituras por e-mail, mas não obteve resposta.

Na última sexta-feira (22), o STF (Supremo Tribunal Federal) retomou o julgamento que analisa a constitucionalidade do modelo de escolas cívico-militares de São Paulo, defendido pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A análise foi suspensa nesta terça (26), após um pedido de vista do ministro Cristiano Zanin.

Até o momento, apenas o relator do caso, Gilmar Mendes votou. Ele se manifestou pela pela constitucionalidade do modelo proposto pela lei paulista, mas impôs regras, entre elas a de que seria irregular o pagamento de policiais militares com recursos da educação e o cômputo dos gastos com esse modelo para o cálculo do mínimo aplicado na área.

Fonte: ICL Notícias em 28/05/2026.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O Brasil quer salvar a escola sem pagar quem a sustenta. Por Valter Mattos da Costa*


O problema não é apenas falta de mão de obra futura. É perda progressiva do desejo social de ensinar

Parte da grande imprensa passou finalmente a reconhecer algo que há muito já se tornou evidente dentro das escolas brasileiras: o professor virou alvo.

Crescem reportagens, editoriais e análises sobre agressões, intimidações, perseguições políticas e violência simbólica contra docentes (tem político com mandato chamando os professores de vagabundos).

O problema, agora visível demais para continuar sendo ignorado, começa lentamente a ocupar o debate público nacional.

O diagnóstico, porém, frequentemente permanece incompleto.

Descreve-se o incêndio, mas evita-se discutir quem espalhou gasolina sobre a escola brasileira nas últimas décadas.

Há algo de sintomático nisso.

Durante anos, diferentes setores políticos, econômicos e midiáticos ajudaram a consolidar a imagem do professor como suspeito ideológico permanente. Falou-se em “doutrinação”, “marxismo cultural”, “inimigo da família” e “ameaça aos valores nacionais”.

A figura do professor crítico foi lentamente transformada em inimigo público.

Hoje, quando a violência explode nas salas de aula e nas redes sociais, surge um espanto seletivo. Como se a degradação simbólica da autoridade docente tivesse surgido espontaneamente, como fenômeno inevitável da vida contemporânea.

Não surgiu.

Foi produzida.

A palavra “polarização”, frequentemente utilizada para explicar o cenário atual, muitas vezes funciona como cortina semântica confortável. Dilui responsabilidades históricas concretas e coloca agressor e agredido dentro da mesma abstração genérica.

A escola brasileira tornou-se arena de guerra cultural organizada.

O professor passou a ocupar, para determinados grupos, o lugar simbólico do inimigo a ser vigiado, filmado, denunciado e humilhado publicamente.

Mas existe outro silêncio ainda mais grave nesse tipo de abordagem.

Fala-se da hostilidade simbólica, porém quase nada se discute sobre a violência econômica estrutural contra o magistério brasileiro.

Não existe valorização docente sem valorização material.

Não existe vocação que sobreviva indefinidamente à precarização.

Não existe defesa séria da educação pública sem discutir salário, carreira e condições concretas de trabalho.

O Brasil possui um piso salarial nacional do magistério. Em tese, uma conquista histórica. Na prática, frequentemente descumprido, relativizado ou distorcido por estados e municípios.

O Estado brasileiro homenageia o professor em discursos e o desvaloriza no contracheque.

A contradição tornou-se obscena.

Discute-se inovação pedagógica enquanto milhares de docentes trabalham em múltiplas escolas para sobreviver. Exigem-se resultados sofisticados de profissionais exaustos, adoecidos e submetidos à intensificação permanente do trabalho.

A pedagogia da métrica transformou a escola em ambiente de pressão contínua.

Avaliações, plataformas, metas, formulários, relatórios, índices e produtividade burocrática passaram a consumir o tempo psíquico do professor. Ensinar tornou-se apenas uma parte da profissão.

A outra parte é sobreviver administrativamente.

As análises sobre violência escolar normalmente destacam agressões físicas e verbais, mas raramente percebem que existe também uma forma institucionalizada de violência cotidiana produzida pela própria estrutura educacional contemporânea.

Adoece-se pela humilhação pública, mas também pela exaustão crônica.

Adoece-se pela ameaça ideológica, mas igualmente pela insegurança financeira.

Adoece-se pela violência dos alunos, mas também pela violência burocrática do sistema.

Há algo ainda mais profundo ocorrendo.

A sala de aula deixou de ser apenas espaço pedagógico. Tornou-se ambiente de vigilância social permanente. O professor contemporâneo trabalha sob a possibilidade constante da exposição digital.

Um celular escondido pode transformar uma aula em espetáculo algorítmico.

O fenômeno recente do teacher-baiting, amplificado pelas redes sociais, revela isso com brutal clareza. Alunos provocam emocionalmente docentes, enquanto outros gravam clandestinamente reações para posterior viralização.

A autoridade pedagógica converte-se em entretenimento digital.

A humilhação vira conteúdo.

O sofrimento docente vira engajamento.

Nesse cenário, o apagão no magistério já começou.

Não se trata apenas de futura falta quantitativa de professores. O colapso já ocorre subjetivamente dentro das escolas brasileiras.

Muitos permanecem fisicamente presentes, mas emocionalmente esgotados.

Outros abandonam silenciosamente a profissão.

Outros sequer desejam entrar nela.

O problema não é apenas falta de mão de obra futura. É perda progressiva do desejo social de ensinar.

Paulo Freire compreendia que ensinar nunca foi simples transmissão mecânica de conteúdos. A educação envolve presença humana, reconhecimento simbólico e dignidade.

Nenhuma pedagogia resiste à destruição sistemática da dignidade docente.

Não há tecnologia capaz de substituir completamente aquilo que desaparece quando a autoridade pedagógica entra em colapso: o vínculo humano.


Talvez o ponto mais frágil dessas análises esteja justamente aí.

Parece existir a crença de que políticas pontuais de proteção poderão resolver o problema. Como se bastasse conter agressões isoladas sem enfrentar a engrenagem histórica que produz a degradação do trabalho docente.

O professor brasileiro não enfrenta apenas alunos hostis.

Enfrenta uma sociedade que exige resultados educacionais sofisticados enquanto normaliza salários insuficientes, precarização estrutural e erosão simbólica permanente.

Quer-se uma escola forte sem professor forte.

Quer-se excelência educacional sem valorização material concreta.

Quer-se inovação pedagógica sustentada pela exaustão humana.

Não funciona.

Nenhum país salva sua educação destruindo lentamente aqueles que sustentam diariamente a existência da escola.

O apagão docente não será evitado apenas com campanhas institucionais de conscientização ou discursos ocasionais de valorização.

Será evitado quando o professor deixar de ser tratado como custo operacional descartável e voltar a ser reconhecido como fundamento estratégico da própria democracia brasileira.

Darcy Ribeiro talvez tenha sintetizado o problema décadas atrás: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.”

O problema é que, agora, o projeto começa a cobrar sua conta histórica.

*Professor de História, especialista em História Moderna e Contemporânea e mestre em História Social, todos pela UFF, doutor em História Econômica pela USP e editor da Dissemelhanças Editora.

Fonte: ICL Notícias em 21/05/2026.


sábado, 6 de junho de 2026

Bolsa Familia leva Brasil a maior desenvolvimento humano de sua história


Índice avalia os parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda

O Brasil ingressou, pela primeira vez, na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”.  Em 2024, o país alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800.

A informação é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil que divulgou, na terça-feira (26/5), a pesquisa Radar IDHM.

O marcador avalia os parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda, de acordo com a cor (negro e branco) e o sexo (mulher e homem). A publicação considera os últimos 13 anos – de 2012 a 2024.

Quando o programa das Nações Unidas começou a calcular esse índice, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM baixo, ou seja, menor que 0,555.

Educação

O parâmetro que mais impulsionou o IDHM neste período foi a educação, ao passar de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou, nesse contexto, a concessão do Bolsa Família.

“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”

Betina Barbosa lembrou que o programa, criado em 2003, começa a produzir efeitos cerca de dez anos depois, justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental e médio.

Famílias negras

Segundo ela, a melhoria dos indicadores de educação nesse período é mais significativa entre famílias de renda mais baixa, em especial, as negras.

“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente.”

A especialista ressalta que não existe alternativa para a melhoria do desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra na agenda de políticas públicas. O mesmo vale para as mulheres. “Esses são dois entraves sérios para o Brasil, a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero.”

Saúde e renda

A coordenadora explicou que, dos subíndices, a política pública de saúde é a que mais produz resultados positivos para o país, com performance de “muito alto desenvolvimento” já em 2012 (0,829), em razão da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da Constituição de 1988. Mesmo assim, é o que apresenta crescimento mais lento, chegando a 0,860 em 2024.

Já o parâmetro da renda cresce em baixa velocidade, de 0,732 em 2012, para 0,760 em 2024, no patamar de alto desenvolvimento.

Regiões metropolitanas

De acordo com os dados do Pnud, as regiões metropolitanas são os locais onde os brasileiros vivem melhor e puxam o IDHM do país para cima.

Alguns estados, sobretudo das regiões Sul e Sudeste, já têm IDH altíssimo, mas a média do Brasil é acompanhada por regiões metropolitanas que antes eram consideradas regiões da periferia brasileira.

Como exemplo, Betina cita a Grande Teresina, no Piauí, com índices muito altos de desenvolvimento humano: 0,809.

“Esses territórios que antes puxavam a média Brasil para baixo, porque não acompanhavam o ritmo de crescimento, agora são unidades que ajudam o país a alcançar a média ‘muito alta’.”

Entre os nove estados da Região Nordeste, sete regiões metropolitanas já apresentam o IDH muito alto. “Isso é algo inédito nos trabalhos que nós realizamos no Pnud.”

Veja lista dessas regiões:

Natal – 0822

Aracaju – 0,809

Grande Teresina – 0,809

Recife – 0,806

São Luís – 0,806

Salvador – 0,803

João Pessoa – 0,803

Negação

Para o Pnud, nos anos de 2020 a 2022, o país enfrentou uma crise sistêmica devido à pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM do país chegou a 0,757. A especialista pondera que o mais preocupante para o Brasil foi a negativa de que esse colapso iria produzir efeitos negativos sobre o desenvolvimento.

“Essa negação e esse não envolvimento rápido com a criação de políticas públicas que combatam crises sistêmicas, isso é muito grave”, explicou. “Ainda não nos recuperamos aqui, em termos de esperança de vida, do baque da covid-19”, acrescentou.

Nesse aspecto, a mortalidade infantil é o indicador que mais preocupa o Pnud e que está atrelado a políticas públicas que precisam de uma resposta rápida. “E não houve no país uma resposta suficientemente rápida no sentido dos impactos da covid-19.”

Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

Fonte: Agência Brasil com ICL Notícias em 27/05/2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Problemas na Secretaria de Educação em Minas: falta de licitação favorece corrupção


De um lado temos o descaso com a educação pelos estados e municípios: escolas sem manutenção, goteiras, falta de estrutura física e pedagógica; por outro orçamentos milionários com serviços e materiais adquiridos sem licitação.

Não adianta a direita pregar o falso moralismo. Mencionam valores que não seguem. Acusa os outros de corruptos e ladrões para distrair o povo e assim aplicar o favorecimento aos corruptos. 

Assista o vídeo AQUI!