quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A polêmica das escolas cívico-militares


"Tenho alertado e sendo contra a implantação de escolas cívico-militares. Isso não é educação, é militarização. Colocar policiais sem formação pedagógica em sala de aula, que cometem erros básicos de escrita, enquanto eles ensinam outras coisas, não é o correto. 

Isso não forma cidadãos críticos, acaba formando soldados. Em São Paulo, o governo desmonta o ensino médio, retira disciplinas fundamentais e destrói a antiga educação para impor uma visão autoritária e conservadora de sociedade. 

Educar não é treinar para a guerra e criar soldados, educar é ensinar a pensar."

José Dirceu

Assista AQUI os comentários a respeito da polêmica.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Nikolas não entende nada de Educação

 


Nikolas Ferreira finalmente admitiu que votou contra o gás para a população pobre. Para tentar justificar essa ação, ele resolveu atacar a educação brasileira, mas os dados do PISA, o ranking internacional de educação, mostram uma realidade que ele tenta esconder. O gráfico é claro: os níveis de ciência, matemática e leitura subiram de forma consistente durante os governos Lula, mas despencaram no período liberal e militarizado de Temer e Bolsonaro. 

Assista ao vídeo AQUI! 

Samuel Braun 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Como fica o novo piso salarial dos professores e o Leão

 


Café com Seu Professor

Maneira didática de entender como fica o aumento do Piso Nacional e o desconto no Imposto de renda. Assista ao vídeo aqui.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Receita nega aumento de imposto para professores com novo piso


Fisco esclarece que reajuste vem acompanhado de redução de tributos


A Receita Federal rebateu, na noite da quinta-feira (22/1), informações falsas que circulam nas redes sociais sobre uma suposta elevação da tributação sobre professores em razão do reajuste do piso salarial do magistério. Segundo o órgão, as alegações ignoram as regras legais de apuração do imposto e levam à conclusão equivocada de que os profissionais da educação passariam a pagar mais IR após o aumento salarial.

Em nota, o Fisco destaca que a reforma do Imposto de Renda faz com que mais contribuintes deixem de pagar IR e outros passem a pagar menos, tornando a tributação mais progressiva. Sancionada no fim do ano passado, a Lei 15.270/2025 ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e reduziu o imposto devido sobre rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

“Não procede a afirmação de que o reajuste do piso do magistério levaria automaticamente os professores a pagar mais Imposto de Renda. Os profissionais da educação são diretamente beneficiados pela redução prevista na Lei nº 15.270/2025”, destacou a Receita no comunicado.
De acordo com a Receita, a categoria está entre as diretamente beneficiadas pelas novas regras.

Em 2025, com o piso salarial de R$ 4.867,77, um professor pagava cerca de R$ 283,14 por mês de Imposto de Renda retido na fonte, considerando o desconto simplificado. Já em 2026, com o piso reajustado para R$ 5.130,63, esse mesmo profissional passará a pagar aproximadamente R$ 46,78 mensais de IR.

Segundo o Fisco, o efeito combinado do reajuste salarial e da redução do imposto garante ganho real no salário líquido, ao mesmo tempo em que corrige distorções na tributação sobre a renda dos profissionais da educação.

Fonte: ICL Notícias com Agência Brasil em 23/01/2026.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Agora é pra valer, o professor está abaixo do mínimo. Por Valter Mattos da Costa*


Quando ensinar vira sobrevivência: o salário do professor no Rio de Janeiro como síntese de um projeto de abandono da educação pública

Em plenas férias escolares, os professores do ensino básico e público do Estado do Rio de Janeiro, ao se depararem com o novo salário-mínimo nacional, R$ 1.621,00, estipulado pelo Governo Federal e em vigor desde 1º de janeiro deste ano, verificaram, agora oficialmente, que com seus R$ 1.588,41, ganham menos que um salário-mínimo.

Não se trata de retórica inflamada, nem de figura de linguagem. Trata-se de um dado objetivo, verificável, matemático. O vencimento base de um professor da rede estadual fluminense está abaixo do mínimo legal para a sobrevivência do trabalhador brasileiro.

O fato novo não veio do Palácio Guanabara. Veio de Brasília. Foi o reajuste do salário-mínimo nacional que escancarou, sem maquiagem possível, o rebaixamento salarial imposto aos docentes do Rio de Janeiro ao longo de anos.

O governo estadual, por enquanto, nada fez. Nada corrigiu. Nada recompôs. Apenas manteve congelada uma estrutura salarial corroída pela inflação, pelo custo de vida e pela deliberada política de desvalorização da carreira docente.

Convém insistir: não foi um acidente administrativo. Não foi erro de cálculo. Não foi um lapso técnico. Foi uma escolha política reiterada, sustentada por sucessivos governos estaduais, aprofundada pelo atual.

Quando um professor passa a ganhar menos que um salário-mínimo, algo muito mais grave está sendo dito. Diz-se que ensinar vale menos que sobreviver. Diz-se que a educação pública é descartável.

O governo Cláudio Castro precisa ser citado nominalmente, porque governos não são abstrações. Governos têm rosto, projeto, orientação ideológica e prioridades muito bem definidas. E a prioridade do atual governo do Estado do Rio de Janeiro — como os demais — jamais foi a educação pública. Basta observar a ausência de política de valorização docente, de carreira estruturada e de respeito ao piso nacional.

O piso do magistério, vale lembrar, não é teto. É referência mínima. Ainda assim, o Estado insiste em cumpri-lo apenas de maneira formal, por meio de abonos, penduricalhos e artifícios contábeis.

Esses mecanismos não integram o vencimento base, não repercutem na carreira, não incidem na aposentadoria. Servem apenas para simular cumprimento legal, enquanto esvaziam o sentido da valorização profissional.

O resultado é perverso: uma carreira achatada, sem atratividade, sem perspectiva e sem dignidade. Um convite permanente à evasão docente, ao adoecimento e ao abandono da sala de aula (um apagão da profissão docente aproxima-se).

Nenhuma sociedade que se pretenda minimamente civilizada pode tratar seus professores dessa maneira. Quando o professor é empurrado para a pobreza, a escola inteira adoece junto.

A retórica oficial costuma dizer que educação é prioridade. Mas prioridade que não se traduz em orçamento, salário e carreira é apenas propaganda vazia, típica de governos que governam por slogans.

No Rio de Janeiro, a contradição é gritante. Enquanto professores lutam para fechar o mês, o Estado mantém isenções, renegocia dívidas seletivamente e protege interesses que jamais passam pela escola pública.

O salário do professor não é um detalhe administrativo. Ele expressa o lugar simbólico que a educação ocupa no projeto de Estado. Hoje, esse lugar é marginal — e o sentido do que é a Educação pública está em disputa: que Educação queremos pagando tão mal aos seus professores?

Ganhar menos que um salário-mínimo não é apenas um problema financeiro. É uma violência simbólica. É o recado de que o trabalho intelectual, pedagógico e formativo não merece reconhecimento.

Esse quadro não afeta apenas os professores. Afeta estudantes, famílias, comunidades inteiras. Afeta a qualidade do ensino, a permanência dos profissionais e o futuro do próprio estado.

Sem professor valorizado, não há escola pública forte. Sem escola pública forte, não há desenvolvimento, não há cidadania, não há democracia que se sustente. A tentativa de naturalizar essa situação revela um projeto de sociedade profundamente desigual, em que educação pública de qualidade não é direito, mas privilégio de poucos.

Por isso, é fundamental recolocar essa pauta no centro do debate público. Não como favor corporativo, mas como questão estrutural, social e política. A luta por recomposição salarial, carreira e piso real é uma luta pela própria existência da escola pública. Não se trata de aumento, mas de recomposição mínima do que nos foi retirado ao longo do tempo.

É preciso exigir audiência pública, transparência orçamentária e compromisso político real. Não apenas a categoria docente, mas a sociedade civil organizada, seus representantes, entidades, movimentos e instituições precisam lutar, exigir e propor ações concretas.

O Legislativo estadual não pode continuar fingindo que não vê, nem a sociedade aceitar que o futuro da educação seja tratado como assunto corporativo ou secundário. Valorização não é discurso emocionado em data comemorativa. Valorização é salário digno, carreira estruturada e respeito institucional cotidiano.

Enquanto o professor for tratado como custo e não como investimento, o Rio de Janeiro — e o país — continuará aprofundando seu próprio atraso social. O salário-mínimo subiu. O salário do professor ficou. Esse contraste não é casual. É pedagógico. Ensina, cruelmente, qual é o valor atribuído a quem educa.

Em 2026, essa realidade precisa ser enfrentada sem eufemismos. Professor não pode ganhar menos que o mínimo. Isso não é ideologia. É decência. Se o governo estadual insiste em ignorar esse limite civilizatório, caberá à sociedade cobrar. Porque precarizar o professor é precarizar o futuro. E um estado que despreza seus professores está, no fundo, desistindo de si mesmo.

*Professor de História, especialista em História Moderna e Contemporânea e mestre em História social, todos pela UFF, doutor em História Econômica pela USP e editor da Dissemelhanças Editora.

Fonte: ICL Notícias em 19/01/2026.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Professores municipais do Rio de Janeiro estão sendo obrigados a aprovar alunos sem critérios


Na cidade do Rio de Janeiro os professores estão praticamente proibidos de reprovar aluno, não importa se estão ou não alfabetizados. Aqueles que se opõem as diretrizes da Secretaria Municipal de Educação são pressionados. Se insistir na reprovação, as notas são alteradas no sistema à revelia do professor e a coordenadoria regional de educação manda a direção das escolas alterar notas e conceitos visando a aprovação.

Assista ao vídeo AQUI!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Como escola pública brasileira virou uma das melhores do mundo


A Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão (SP), vivia enfrentando invasões, furtos e episódios de violência. Mas, neste ano, ganhou um prêmio internacional com o reconhecimento do trabalho feito para mudar essa realidade.

A escola pública venceu na categoria "Superação de Adversidades". Em 15 de novembro, o diretor foi a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para a cerimônia do Prêmio Melhor Escola do Mundo 2025 (World's Best School Prize), realizado pela organização britância T4 Education.

A repórter Rute Pina da BBC News Brasil foi até Cubatão entender como a escola, que já foi conhecida como "Parque dos Pesadelos", conseguiu mudar a sua imagem e ser reconhecida internacionalmente. Confira assistindo ao vídeo:
https://youtu.be/G1pY404I7kU

Fonte: BBC News Brasil no Youtube em 14/12/2025. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Decisão do STF redefine a jornada do professor


O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a ADPF 1058 e decidiu que, como regra geral, o recreio escolar e os intervalos entre aulas integram a jornada de trabalho dos professores e devem ser remunerados.

Isso vale porque, na prática, os docentes permanecem à disposição da escola ou faculdade durante esses momentos, ajudando alunos, supervisionando espaços ou planejando atividades.

Mais detalhes AQUI! 


 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Violência e censura afetam nove em cada dez professores brasileiros


Constata pesquisa do ONVE da Universidade Federal Fluminense


Nove em cada dez professores e professoras da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país já foram perseguidos diretamente ou presenciaram perseguições e censura contra profissionais da educação.

O dado consta da pesquisa inédita A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática, realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Participaram do levantamento 3.012 profissionais da educação básica e superior do ensino público e privado de todo o país.

O coordenador da pesquisa, professor Fernando Penna, da UFF, explicou à Agência Brasil que o trabalho teve como foco principal violências ligadas à limitação da liberdade de ensinar, tentativa de censura, perseguição política, embora tenha envolvido também a possibilidade de o professor registrar caso de violência física, embora esse não fosse o foco do relatório.

De acordo com Penna, o objetivo do trabalho foi identificar violências no sentido de impedir o educador de ensinar uma temática, de usar um material, ou seja, perseguição política.

“É mais uma censura de instituições em relação aos professores. E não são só instituições. Entre os agentes da censura, estão tanto pessoas dentro da escola, quanto de fora, figuras públicas”, informou.


Censura

Segundo o professor, um primeiro “dado preocupante” constatou que a censura se tornou um fenômeno disseminado por todo o território brasileiro e em todos os níveis e etapas da educação, englobando não só o professor, em sala de aula, mas todos que trabalham com educação.

A pesquisa mostrou um percentual alto de professores vítimas diretas da violência. Na educação básica, o índice registrou 61%, e 55% na superior. “Na educação superior, foi 55%, um pouquinho menor, mas, ainda assim, está acima de 50%”, destacou Penna.

Entre os educadores diretamente censurados, o levantamento constatou que 58% relataram ter sofrido tentativas de intimidação; 41% questionamentos agressivos sobre seus métodos de trabalho; e 35% enfrentaram proibições explícitas de conteúdo.

Os educadores também relataram casos de demissões (6%), suspensões (2%), mudança forçada do local de trabalho (12%), remoção do cargo ou função (11%), agressões verbais e xingamentos (25%), e agressões físicas (10%).
 

Temáticas

Fernando Penna analisou que os dados mostraram ainda que a violência e a censura já estão enraizadas no Brasil, nas instituições de educação básica e superior. “Isso é preocupante porque a gente está falando aqui de temáticas obrigatórias”.

Ele citou, como exemplo, o caso de uma professora do interior do estado do Rio de Janeiro, cujo um colega, durante a pandemia da Covid 19, pegou um material do Ministério da Saúde, com orientações sobre medidas sanitárias e a importância da vacinação, mas foi impedido sob argumento de “doutrinação”.

“E quando ele foi entregar isso à diretora da escola, ela disse para ele que na escola não ia ter doutrinação de vacina”.

A pesquisa identificou ainda professores proibidos de tratar, na sala de aula, temas como o da violência sexual, em que alerta o aluno sobre o fato desse tipo de violência ocorrer dentro de casa.

“E é depois de algumas aulas na escola sobre orientação sexual, gênero, sexualidade, que esse jovem que tem uma violência naturalizada acontecendo no espaço privado denuncia o autor disso”, explicou Pena, ao ressaltar a importância de o tema ser tratado no ambiente escolar. “Mas essa temática, que é a discussão dos temas envolvendo gênero e sexualidade, é que os professores mais indicaram como sendo o motivo da violência que eles sofreram”.

O professor disse ainda que o estudo deixa claro que essa violência não impacta só os educadores, mas a liberdade de ensinar e a liberdade de aprender. “Estudantes estão deixando de discutir temáticas vitais para a sua formação”, acrescentou.

Outro exemplo de tema óbvio, que é motivo de questionamentos de pais contra professores de ciência, é o da teoria da evolução. Alguns preferem que se discuta dentro da escola o criacionismo e não a teoria da evolução. “Então, professores que tentam fazer o trabalho de levar o conhecimento às crianças e adolescentes acabam sendo demitidos, transferidos”.

A proporção de professores que passaram diretamente por esse tipo de violência ficou em torno de 49% a 36%. A maior parte dos educadores disse que o episódio ocorreu quatro vezes ou mais.

Segundo o levantamento, os temas que motivaram o questionamento à prática do educador foram liderados por questões políticas (73%), seguidos por questões de gênero e sexualidade (53%), questões de religião (48%) e negacionismo científico (41%).


Polarização

A pesquisa pediu também que os educadores respondessem os anos que essa violência ocorreu, “porque uma das nossas hipóteses é que essa violência tem relação com a polarização política que nós vivemos. E quando eu falo polarização, eu estou dizendo extrema direita, extrema esquerda. É uma polarização assimétrica entre uma extrema direita e uma centro-esquerda, no máximo”.

“Os dados configuraram um gráfico que revela que a violência contra educadores sobe a partir de 2010 e tem um pico em 2016, em 2018 e em 2022, que são os anos do ‘impeachment’ e de duas eleições presidenciais”, destacou Penna, frisando que essa “tensão política que o país vive está, infelizmente, entrando nas escolas”.

Agentes da violência


Quando perguntados sobre quem foram os agentes da violência, os educadores citaram os próprios membros da comunidade interna da escola ou da universidade. Ou seja, a própria direção, coordenação, membros da família, estudantes. “Isso é muito grave porque traz um dado de pesquisa que mostra que essa violência pode ter partido de figuras públicas, de uma atenção política mais ampla, mas, infelizmente, ela já está dentro das comunidades educativas”.

A pesquisa identificou que são os próprios membros da comunidade educativa interna que estão levando essa violência para dentro da escola, liderados pelos profissionais da área pedagógica (57%), familiares dos estudantes (44%), estudantes (34%), os próprios professores (27%), profissional da administração da instituição (26%), funcionário da instituição (24%) ou da secretaria de educação (municipal ou esta- dual) ou reitoria, no caso das universidades (21%).


Perseguição

De acordo com o coordenador do estudo, esse quadro de perseguição e violência envolve tanto a política institucional, quanto a política partidária, mas também abre espaço para se pensar em dimensões políticas da vida comum. Então não é surpresa que o crescimento da violência que foi observado esteja mais vinculado ao dado político do momento. “Ele é um tema que realmente tenciona muito”.

A perseguição a educadores foi relatada como extremamente impactante para 33% dos educadores tanto na vida profissional como pessoal, e bastante impactante para 39% na profissão e também no lado pessoal. A consequência em muitos casos foi que grande parte dos professores que vivenciaram esses casos de violência acabaram deixando de ser educadores, o chamado apagão dos professores, confirmou Penna.

“Foi uma das ferramentas de manipulação política desse pânico moral usado pela extrema direita nos anos recentes”, afirmou.


Impacto

Fernando Penna salientou que os educadores nem precisam ter sido vítimas diretas da violência porque, quando ela acontece em uma escola ou universidade, “ela degrada o clima escolar”.

Quando perguntados sobre mudanças que esses eventos trouxeram para o seu cotidiano de trabalho, a maioria dos educadores afetados citou insegurança e desconforto. “O desconforto com o espaço de trabalho foi o terceiro maior impacto da censura citado pelos respondentes (53%). Isso levou 20% dos participantes a mudarem de local de trabalho por iniciativa própria.

“As pessoas estão com medo de discutir temas. Estão com medo de fazer o seu trabalho como elas foram formadas para fazer e de acordo com seus saberes da experiência. Aí você está falando que o dano para a sociedade é gigantesco. Porque, os professores estão com medo de discutir temas, alguns estão sendo prejudicados e não podem discutir temas, por exemplo, no caso do gênero”, afirmou Penna.


Vigiados

A pesquisa constatou que em torno de 45% dos professores entrevistados disseram se sentir constantemente vigiados. Fato que leva a censurar sobre o que falam na sala de aula. O coordenador do estudo disse ter encontrado professores que trabalham em escolas privadas e relatam já ter entendido que não podem abordar determinados assuntos sob risco de serem demitidos.

“Muitas vezes, esse educador precisa do emprego, mas pode estar sendo ameaçado ali no território onde ele vive”. Penna argumentou que é preciso reconhecer que esse é um problema da sociedade brasileira. “A gente está vivendo em uma sociedade na qual educadores têm medo de falar e de trabalhar de acordo com seu saber profissional”.

Ele indicou que todos os profissionais que trabalham com a produção de um conhecimento seguro, ou seja, que podem desmascarar mentiras, teorias da conspiração, ‘fake news’, são vítimas.

“Tanto que, em 2023, surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es, que é quem fez a pesquisa. Mas também surgiu o Observatório Nacional da Violência Contra Jornalistas, que são outra categoria que sofreu muito durante o governo Bolsonaro. Uma perseguição incrível”.


Regiões de destaque

O impacto que está ocorrendo nas comunidades educativas, que demonstram medo de discutir abertamente temas importantes para a formação dos estudantes foi mais identificado nas regiões Sudeste e Sul, onde foram registrados casos de professores que passaram por essas situações de violência mais diretamente.

O dado não surpreendeu o coordenador da pesquisa. “Tanto que um dos estados que teve mais respondentes no Sul do país foi Santa Catarina, onde a gente sabe de muitos casos de violência. É um estado onde a extrema direita impera”, afirmou.

A sondagem apurou que em todas as cinco regiões brasileiras 93% dos educadores tiveram contato com situações de censura, sendo que 59% passaram diretamente por essa situação, 19% souberam que aconteceu com alguém e 15% ouviram falar.


Proteção aos professores

Fernando Penna afirmou a necessidade de serem criadas ações para proteger os professores, sobretudo em anos de eleição presidencial, quando se sabe que a tendência é essa violência recrudescer, se tornar mais intensa.

A pesquisa, até agora, gerou um banco de dados que ainda tem muitos cruzamentos para serem feitos, manifestou o coordenador.

“A gente pode fazer análises de estados separadamente. A segunda etapa da pesquisa, que está em curso, e de entrevistas. Do total desses de professores que responderam, a gente vai escolher 20 pelo país para entrevistar”, anunciando que serão divulgados outros relatórios vinculados a essa pesquisa inicial.

No relatório completo que está sendo preparado, o Observatório sugere a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, como resposta do poder público. Essa política já estaria sendo elaborada no âmbito do MEC. O Observatório tem ainda um acordo de cooperação técnica com o Ministério dos Direitos Humanos.

“A gente tem insistido muito que os educadores trabalhem na perspectiva da educação e direitos humanos, porque são justamente aqueles que mais sofrem violência. Então, a gente tem uma demanda de que os educadores sejam reconhecidos como defensores de direitos humanos e incluídos como uma categoria específica nas políticas do ministério. É uma ferramenta de denúncia de violação de direitos humanos”, concluiu Penna.

Fonte: ICL Notícias com a Agência Brasil em 06/12/2025