sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ideb 2025 mostra avanços lentos na educação e desafios na matemática


Após perdas provocadas pela pandemia, indicador melhora nas três etapas, mas avanço perde força nos anos finais e no ensino médio

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) chega em 2025 à maioridade, com 18 anos de divulgações, revelando um cenário de avanços lentos, recuperação de perdas da pandemia, desafios maiores na matemática e sinais de esgotamento da sua função de principal termômetro da educação pública do país.

Os dados de 2025, divulgados na quarta-feira (5/8) pelo MEC (Ministério da Educação), mostram que houve melhora no indicador nas três etapas avaliadas: os anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Tanto o Ideb quanto as notas das provas que compõem o índice registraram avanços com relação à última edição, de 2023. A tendência dos últimos anos permanece: a melhora mais intensa nos anos iniciais vai perdendo força nos anos finais do fundamental e no ensino médio.

Nos anos iniciais (com a avaliação realizada com alunos do 5º ano do ensino fundamental), o Ideb da rede pública passou de 5,7, em 2023, para 6,1 no ano passado, em uma escala de 0 a 10. Foi a primeira vez que o indicador superou a nota 6, tida como objetivo geral do sistema escolar quando o indicador foi criado, em 2007, no segundo mandato do presidente Lula (PT).

O Ideb dos anos finais da rede pública passou de 4,7 para 5 pontos. No ensino médio, a evolução foi de 4,1 para 4,3, levando em conta somente a modalidade regular das redes estaduais, que concentram as matrículas da etapa.

Quando o indicador foi criado, foram calculadas metas para cada etapa no nível de país, rede de ensino e escola. Esses objetivos foram estabelecidos até 2021 e o MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pela avaliação, deveriam renovar o instrumento, incluindo novas metas. Mas nem a gestão Bolsonaro (PL) nem a atual de Lula cumpriram a tarefa até agora.

Na prática, essa já é a segunda edição do Ideb sem novas metas. As de 2021 foram alcançadas nos anos iniciais, mas, tanto nos anos finais quanto no ensino médio, o Ideb 2025 fica abaixo das metas de 2021, apesar do avanço no indicador.

Os dados

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse nesta quarta que os dados mostram avanços consideráveis, sobretudo quando se olha para a série histórica.

“Olhando a fotografia de 2025 e a de hoje, podemos afirmar que a educação brasileira mudou profundamente, fruto de esforços de toda sociedade brasileira, do Ministério da Educação, dos governos estaduais e municipais”.

Segundo Barchini, mesmo com os problemas que ainda persistem, o Ideb representa como o país “enfrentou os maiores desafios da educação brasileira”: mais estudantes na escola, melhoria na trajetória escolar e melhoria de aprendizado.

O Ideb é calculado a cada dois anos e leva em conta dois fatores: as notas dos alunos em provas de português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e as taxas de aprovação. A ideia inicial era mensurar o aprendizado dos alunos e a capacidade da escola de aprovar os estudantes.

Mas dados mostram que, de maneira genérica, as redes de ensino têm intensificado a aprovação dos estudantes. Isso impacta em uma maior evolução do Ideb e é visto por especialistas, em alguns casos, como estratégia para inflar os indicadores.

Ainda tem sido prática usual nas redes de ensino a preparação específica de alunos para fazer a prova do Saeb, o que também é criticado.

De acordo com Barchini, cada estado e cada município tem sua estratégia relacionada ao fluxo escolar. “Temos de olhar detidamente esses dados, mas a melhoria do fluxo veio acompanhada da melhora da proficiência em termos gerais”, disse o ministro, durante entrevista coletiva.

O presidente do Inep, Manuel Palácios, disse que um conjunto de evidências indicaria uma diminuição significativa nas taxas de reprovação. “Não há nada que sugira manipulação. Temos mais permanência, mais gente concluindo, mais gente chegando ao final”, disse.

Ao olhar para o rendimento dos alunos nas provas, a situação se mostra mais complicada —sobretudo no ensino médio, um dos gargalos da educação brasileira.

Especialistas defendem alterações no cálculo do indicador para reduzir incentivos a distorções e ampliar a concepção de qualidade da educação.

No ano passado, uma comissão foi montada pelo MEC para elaborar um plano de reformulação do Ideb. Apesar de a proposta ter sido apresentada, a pasta não definiu até agora se irá implementar as mudanças sugeridas.

A nota média de matemática nesta etapa nas redes estaduais chegou a 268,52 em 2025, um avanço de apenas 8,5 pontos desde 2005. Em língua portuguesa, alcançou 273,32, um incremento de 24,63 pontos desde 2005.

Apesar de o indicador ter sido criado em 2007, o MEC calculou notas e índices de 2005, como base de comparação.

A escala do Saeb indica que um avanço de 12 pontos equivale ao aprendizado de um ano. Assim, só em português houve um salto dessa relevância no ensino médio.

Pandemia

Com os avanços acumulados nas duas notas em 2023 e 2025, o país conseguiu recuperar a perda nas notas registradas em 2021, por causa da pandemia. Naquele ano, as médias do ensino médio haviam caído 6,24 pontos em matemática e 2,48, em língua portuguesa, na comparação com 2019.

O ministro da Educação ressaltou que o avanço nos indicadores após a pandemia é positivo, uma vez que vários relatórios apontavam que o país demoraria mais de dez anos para recuperar os níveis de proficiência.

Nos anos finais da rede pública (9º ano), a média de matemática chegou a 256,23 e a de língua portuguesa, a 258,09, também em 2025. O incremento desde 2005 foi maior: de 24,61 pontos e 32,67, respectivamente.

A melhora em 2025, no entanto, não foi suficiente para recuperar a perda da pandemia repetida em 2023 nos anos finais. Já nos anos iniciais, a melhoria nas notas é mais consistente.

As médias chegaram a 227,41 em matemática e 215,09, em língua portuguesa. Essas médias dos anos iniciais da rede pública representam um ganho de cerca de 50 pontos desde 2025 e, no acumulado com 2023, recuperam a perda registrada em 2021 —essa etapa foi a que mais registrou retrocesso de aprendizado no período impactado pela pandemia e fechamento de escolas.

Fonte: ICL Notícias com Folhapress em 05/08/2026.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Impacto das telas na saúde mental já é debatido em 80% das escolas


Dados são de pesquisa com mais de 2 mil gestores escolares

O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. A proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025, cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

Os resultados constam na pesquisa TIC Educação 2025, lançada nesta terça-feira (4) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). 

A coleta de dados foi feita por telefone em escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais, totalizando 2.404 entrevistas com gestores.

Segundo o Cetic.br, a pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e à adoção crítica desses recursos estão mais presentes nas escolas do país.

Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto, em 2024 a proporção era 68%. 

Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais - de 56% em 2024 para 75% em 2025 - e a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%.

Obstáculos

Segundo o levantamento, 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. No entanto, a presença dessas ações é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).

Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

Entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%).

"Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação", avalia Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação. 

Ela acrescenta que "a integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital”. 

“Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas", defende. 

Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Do outro lado, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais”, analisa Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Ela ressalta que regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital. 

"As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual", disse.

Uso de celulares 

Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. O resultado variou conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com ensino médio (31%).

Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços.

Ao considerar a parcela de escolas que consentem que os alunos levem o celular, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores. O uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.

Inteligência artificial

É a primeira TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa por gestores escolares. A pesquisa indicou que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

No entanto, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).

Entre as principais finalidades do uso de IA pelos gestores estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

Em 37% das escolas, o uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio.

Fonte: Agência Brasil em 04/08/2026.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Um ano sem celular nas escolas traz de volta o debate sobre aprendizagem e convivência


Medida reorganiza a rotina da educação básica e desafia as instituições a equilibrarem tecnologia, saúde emocional e formação de bons hábitos

A restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras completa um ano em vigor em meio a uma mudança que vai além da retirada dos aparelhos da sala de aula. Prevista pela Lei nº 15.100/2025, a medida reorganiza a rotina da educação básica, altera a relação dos estudantes com o tempo escolar e  amplia o debate sobre concentração, convivência e saúde emocional dentro das instituições de ensino.

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Educação aponta que 92% das escolas já implementam a legislação, enquanto gestores relatam avanços na participação dos alunos, na interação entre colegas e na atenção durante as aulas. O dado mostra ampla adesão à nova regra, mas também indica que a norma, sozinha, não resolve todos os desafios de uma geração formada em contato permanente com telas, notificações e estímulos digitais.

Nas escolas, o primeiro impacto aparece na organização do cotidiano. Intervalos, entradas, saídas e momentos de transição entre as aulas passaram a exigir acompanhamento mais próximo das equipes pedagógicas, já que o celular ocupava uma parte importante na rotina social dos estudantes. A ausência do aparelho abre espaço para conversas presenciais, brincadeiras e maior interação, mas também revela dificuldades relacionadas a vínculo, ansiedade e tolerância à frustração.

“Quando o celular sai do centro da rotina escolar, a escola consegue observar melhor como o aluno lida com o tempo, com o outro e com os próprios limites. A restrição contribui para a aprendizagem, mas o principal ganho está na possibilidade de reconstruir hábitos de convivência, escuta e presença”, afirma Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista na região do Vale do Paraíba.

O debate também alcança o desempenho em sala de aula. Professores relatam que a redução das interrupções favorece as explicações, estimula a participação e ajuda a manter o foco, mas a mudança precisa vir acompanhada de orientação, diálogo e clareza sobre o papel da tecnologia no ambiente escolar. Para as famílias, a adaptação exige coerência entre escola e casa, de nada adianta restringir na escola, se, em casa, o estudante possui uso irrestrito de telas, ausência de combinados e pouca mediação sobre redes sociais, jogos e mensagens. A construção de uma rotina equilibrada depende de regras claras e conversas frequentes sobre limites.

“A escola não pode tratar o celular apenas como um problema disciplinar. O aparelho faz parte da vida dos estudantes, por isso a orientação precisa ensinar quando, como e por que usar a tecnologia. O desafio é formar alunos capazes de fazer escolhas responsáveis também fora da sala de aula”, explica Elen Larissa, orientadora educacional de pais e alunos da Rede Adventista.

A experiência do primeiro ano mostra que a discussão sobre celulares nas escolas não se limita à proibição. O tema envolve aprendizagem, saúde mental, autonomia, convivência e educação digital. Ao retirar o aparelho do uso livre, as instituições passam a lidar com uma pergunta mais ampla: como formar estudantes capazes de aprender, conviver e se concentrar em uma sociedade conectada?

“A escola precisa preparar o aluno para o mundo digital, mas também precisa proteger o espaço de aprendizagem. O equilíbrio está em ensinar que a tecnologia tem valor quando serve ao conhecimento, à comunicação saudável e ao desenvolvimento humano”, conclui Marizane.

Fonte: Máxima assessoria de Imprensa. Erika Ricci {erika@maximasp.com.br} (11) 96705-5924

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Academia enfrenta desafio de se adaptar a demandas geradas pelo crescimento do número de estudantes com autismo


Pesquisadores e graduandos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) relatam suas vivências na Unesp; na graduação da Universidade, há 403 alunos autodeclarados com TEA, o que representa 1,15% de todos os matriculados

Desde 2007, por decisão da Assembleia Geral da ONU, celebra-se em 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a população global que se insere no Transtorno do Espectro Autista (TEA) alcança cerca de 70 milhões de pessoas. No Brasil, o total de pessoas com diagnóstico de TEA é de 2,4 milhões, ou 1,2% da população, segundo dados coletados pelo IBGE no Censo Demográfico de 2022.

Em 2008, entrou em vigor no Brasil a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, com status de emenda constitucional. A nova legislação inseriu, no texto da Constituição, a condenação à discriminação contra indivíduos PCDs e o reconhecimento à sua diversidade. A Convenção, porém, não incluía os indivíduos com TEA. Estes só passaram a ser reconhecidos como pessoas com deficiência no Brasil em 2012. A Lei 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, propôs diretrizes para a maior participação social da pessoa com TEA, garantindo o acesso ao trabalho, à proteção social e à educação.

Naquele ano, o ensino superior do país registrava apenas 244 matrículas de estudantes com TEA. Em 2024, o número já alcançava 15.941, contabilizando os inscritos em cursos presenciais e a distância. Na graduação da Unesp há 403 alunos autodeclarados com TEA, o que representa 1,15% de todos os matriculados. Na Pós-Graduação há 20 pesquisadores, que representam 0,16% do total de inscritos.

A física Anne Kétri Pasquinelli da Fonseca, de 25 anos, é um dos pós-graduandos com TEA na Unesp. Doutoranda em física pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), em Rio Claro, ela ingressou na graduação em física na Unesp em 2018 e desde então vem construindo sua trajetória científica dentro da Universidade.

Suas pesquisas na área de Caos e Sistemas Dinâmicos analisam as mudanças de fase em sistemas bilhares, campo de estudo na física de partículas, e buscam compreender de que forma os sistemas podem transitar de um comportamento mais estável para um regime caótico. A título de comparação, é como se as partículas fossem bolinhas coloridas de bilhar, e Fonseca investiga o comportamento destes objetos ao colidirem com as “bordas da mesa de sinuca”.

Em 2026, a pesquisa da cientista foi selecionada pelo edital Doctoral Dissertation Research Award, do Programa Fulbright, e Anne Kétri irá para a Universidade da Dakota do Norte, nos Estados Unidos, aprofundar os estudos.

Embora recebesse acompanhamento psiquiátrico e psicológico desde os 14 anos, a pesquisadora unespiana só obteve o laudo de TEA aos 22 anos, quando já estava no final da graduação. A pesquisadora foi enquadrada como pessoa com TEA nível 1, com menor necessidade de suporte. O entendimento sobre a condição, no entanto, é de extrema importância para que haja a compreensão de alguns eventos individuais.

“O universo acadêmico, assim como os demais ambientes, presume que, com o avanço da idade, você já saiba como agir e falar em certas situações”, diz Anne Kétri. “Mas enfrento muitas dificuldades com coisas que, às vezes, parecem que são parte do senso comum. Consigo fazer tudo que me pedem. Mas as instruções e a comunicação precisam ser claras”, explica a pesquisadora.

Para explicar a importância destas instruções, a física teórica usa como exemplo uma hipotética tarefa de organizar uma estante. Na ausência de orientações claras, são muitas as possibilidades de arrumação: por cores, pelos tamanhos ou pelas datas de publicação. Pessoalmente, ela pensa que o mais lógico seria uma organização baseada no sobrenome dos autores. Mas basta a possibilidade de que ocorra algum erro no processo de organização para gerar tensão e ansiedade nas pessoas com TEA. Daí a importância de prover instruções claras para assegurar o bem-estar destes indivíduos. Esta necessidade, porém, muitas vezes é taxada de frescura, e simplesmente ignorada.

Ao comparar o quadro que viveu durante seu período na graduação com o momento atual de estudante na pós-graduação, Anne Kétri relata melhorias. “Com o surgimento das diretorias de acessibilidade e inclusão vão aparecendo oportunidades para solicitar uma monitoria, ou outras adaptações”, relata. “Antes, parecia não haver essa possibilidade. Era você que tinha que se adaptar, e não a universidade. Mas isso não faz sentido. Pense no caso de uma pessoa que usa cadeira de rodas: a universidade se responsabilizaria por inserir alguma adaptação. No caso do autismo, acho que isso está acontecendo aos poucos.”

Fonte: Jornal da UNESP em abril de 2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Aula de cidadania


Ministério Público contra oração evangélica na abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares

A promotora de Justiça Elayne Rodrigues, representante do Ministério Público, manifestou-se contra a realização de uma oração evangélica na abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares, em Duque de Caxias (RJ). A intervenção provocou reações no local e levantou a discussão sobre a manifestação religiosa em eventos abertos à população e a aplicação do princípio do Estado Laico.

Durante seu pronunciamento na mesa, a promotora relatou sua discordância com o ato realizado no início da cerimônia. "Ao início do evento, eu fui assolapada por uma oração evangélica", afirmou. Ela justificou que, por sua função, tem o dever de assegurar a liberdade religiosa dos presentes. Ao descrever que a atividade envolveu um "sentimento de Deus", ela declarou: "Tenho que esclarecer que isto é inconstitucional".

Para embasar o argumento, a representante do MP afirmou que o fórum, embora promovido por uma associação civil, caracterizava-se como um evento público. "A fé é um direito privado, que não deve ser estendido a outras pessoas num evento público", disse a promotora, acrescentando que se sentiu "extremamente ofendida" com a situação.

A declaração gerou divergências entre os participantes da cerimônia. Durante a exposição da promotora, uma pessoa na mesa tentou interrompê-la. A autoridade respondeu com uma advertência: "Se a senhora começar a interferir na minha fala, na fala do Ministério Público, eu me retiro". A representante informou que já havia comunicado aos organizadores que o órgão deixaria o local caso uma oração fosse conduzida e classificou a interrupção como um "deboche" que ofendia o Ministério Público e a Constituição da República.

Assista a polêmica AQUI!

Fonte: @jurinewsbr em 08/07/2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Você quebrou o sistema educacional


O sistema educacional é quebrado — mas ele não se quebrou sozinho. Nesse vídeo eu explico por que a crise da educação não é só culpa do governo, nem só do professor: é o resultado de uma ausência que ninguém quer admitir. @iuripiragibe

Assista ao vídeo AQUI!

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A decisão da China sobre IA nas escolas expõe um desafio para a educação brasileira


Embora 84% dos estudantes brasileiros já utilizem inteligência artificial nos estudos, apenas 32% receberam orientação da escola sobre como usar a tecnologia

A decisão da China de incluir inteligência artificial em todas as etapas da educação básica acende um alerta para outros países: a discussão sobre IA nas escolas já não está mais restrita ao uso de ferramentas digitais. O desafio agora é preparar crianças e adolescentes para compreender como esses sistemas funcionam, avaliar seus impactos e desenvolver competências que serão exigidas em um mercado cada vez mais orientado pela tecnologia.

Em abril deste ano, o Ministério da Educação chinês anunciou o plano nacional "AI+Educação", que prevê a universalização da alfabetização em inteligência artificial até 2030. A medida amplia uma política iniciada em 2025, quando estudantes de 6 a 15 anos passaram a ter contato obrigatório com conteúdos relacionados ao tema.

Diferentemente da abordagem mais comum em muitas escolas, centrada no uso de ferramentas como chatbots e assistentes virtuais, o modelo chinês busca ensinar os fundamentos da tecnologia. A proposta inclui lógica computacional, dados, pensamento algorítmico e programação de forma progressiva, desde os primeiros anos até as etapas mais avançadas da formação.

No Brasil, a realidade mostra que os estudantes já incorporaram a IA ao cotidiano escolar, mas ainda com pouca orientação estruturada. Pesquisa do Observatório Fundação Itaú aponta que 84% dos alunos brasileiros já utilizaram recursos de inteligência artificial no contexto escolar.

Entre eles, 90% recorrem à tecnologia para pesquisas e esclarecimento de dúvidas, enquanto 80% a utilizam para realizar atividades. Apesar disso, apenas 32% afirmam ter recebido orientação da escola sobre o uso adequado dessas ferramentas.

Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada no desenvolvimento de competências tecnológicas, esse contraste mostra que o debate precisa avançar.

"Os estudantes já estão usando inteligência artificial. A questão é se eles estão apenas consumindo respostas prontas ou aprendendo a entender como essas respostas são produzidas. A diferença entre usar uma ferramenta e compreender sua lógica será cada vez mais importante para a formação das novas gerações", afirma.

O movimento também acompanha mudanças previstas para o mercado de trabalho. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades exigidas pelas empresas deverão mudar até 2030, enquanto 59% dos trabalhadores precisarão passar por processos de requalificação. Entre as competências com maior crescimento projetado estão alfabetização tecnológica, inteligência artificial, pensamento analítico, adaptabilidade e aprendizado contínuo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em estudo publicado em junho de 2026, reforça essa direção ao destacar que o desafio não está apenas em formar especialistas em IA, mas em ampliar a alfabetização sobre a tecnologia e desenvolver competências que permitam à população compreender, utilizar e trabalhar de forma crítica com esses sistemas.

Segundo Giroto, ensinar IA na infância não significa formar programadores desde cedo, mas desenvolver raciocínio lógico, pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolver problemas.

"A inteligência artificial vai mudar muitas profissões, mas isso não significa que toda criança precise se tornar especialista em tecnologia. O ponto é prepará-la para entender o mundo em que vai viver. Quem compreende a lógica por trás da IA tem mais condições de questionar, criar, tomar decisões melhores e participar de forma ativa das transformações que virão", conclui.

Sobre

A rede de franquias SuperGeeks nasceu com o objetivo de formar não somente consumidores, mas também criadores de tecnologia. Desde 2014, a marca assume uma posição importante ao preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades do futuro tecnológico, dedicando-se a ensinar programação, robótica e inteligência artificial, de forma lúdica e criativa, atendendo todas as faixas etárias. 

Fonte: Lucky Assessoria de Comunicação. patricia@luckyassessoria.com.br (11) 99279-8889

quarta-feira, 8 de julho de 2026

'Educação sem propósito vira distração.'


No Arco Day 2026
, Débora Garofalo trouxe uma reflexão importante sobre inovação na educação: tecnologia, por si só, não transforma a aprendizagem.

É a intencionalidade que transforma ferramentas em oportunidades, estudantes em protagonistas e informação em reflexão.

Porque, no fim, quando falamos de educação, estamos falando de pessoas.

@arcoeducacao

Só nós professores sabemos dessas histórias. O mundo não tem noção dos gênios que chegam até nós, e às vezes não temos como dar o encaminhamento que eles merecem.

@fabianoazevedo333

Assista o vídeo no Instagram AQUI!


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Um exemplo de educadora


"Marva Collins
era professora em Chicago nos anos 70 e recebia as crianças que as outras escolas mandavam embora, as que tinham sido rotuladas como “burras”, “problemáticas”, sem futuro.

Ela não aceitou esses rótulos. Criou a própria escola no segundo andar da sua casa, com método rigoroso, afeto inabalável e uma crença simples: toda criança é capaz de aprender, desde que alguém acredite nela primeiro." @vivianborgespsicopedagoga

"Sua história inspirou o filme para televisão The Marva Collins Story, estrelado por Cicely Tyson.... Até porque os conceitos de "pobre" e "negro" ou seja qual for a classificação social que dão não definem quem uma pessoa é. Condições socioeconômicas e etnia não determinam caráter, capacidade ou valor humano, muitas dessas associações foram fortalecidas por uma lógica de opressão e por um pensamento colonizador que hierarquizou pessoas e naturalizou desigualdade e que perdura ainda nos tempos de hoje... superar esses rótulos também faz parte do amadurecimento social. e Marva Collin trouxe outra postura , com sua atitude perspicaz , eficazmente Collin fez. Isso nos leva a refletir: a necessidade de mais responsabilidade na gestão dos recursos públicos e um compromisso constante com uma educação e políticas públicas de qualidade." @silviapedneuro


Assista AQUI!